24 de março de 2011

Tábua Biobibliográfica de Agostinho da Silva



1906: Agostinho da Silva nasce no Porto no dia 13 de fevereiro, mas no fim do verão, os seus pais mudam-se para Barca d'Alva.

1912: Com a promoção profissional do pai, a família regressa ao Porto e o pequeno Agostinho freqüenta a Escola Primária de São Nicolau.

1913: Faz o exame do primeiro grau e fica distinto.

1914: Faz o exame do segundo grau e ingressa na Escola Industrial Mouzinho da Silveira.

1917: Matricula-se no Liceu Rodrigues de Freitas.

1924: Entra para a Faculdade de Letras do Porto para cursar Filologia Românica, mas, no mesmo ano letivo, transfere-se para o curso de Filologia Clássica.

1928: Termina a sua licenciatura, é nomeado professor provis´rio do Liceu Alexandre Herculano (Porto) e passa a colaborar na revista Seara Nova.

1929: Conclui tese de doutoramento, O Sentido Histórico das Civilizações Clássicas, e é nomeado professor provisório do Liceu Central de Gil Vicente.

1930: Freqüenta a Escola Normal Superios em Lisboa, estagia no Liceu Pedro Nunes e publica A Religião Grega.

1931: Com bolsa de estudo, vai para Paris (Sorbone e Collège de France). Escreve Miguel Eyquem, Senhor de Montaigne. É nomeado professor efetivo no Liceu do Padre Jerônimo Emiliano de Andrade, em Angra do Heroísmo, mas não assume funções.

1932: Embora continue em Paris, é nomeado professor efetivo no Liceu Mouzinho da Silveira, em Portalegre.

1933: Regressa de Paris e é colcado em Aveiro, como professor efetivo no Liceu José Estêvão.

1935: É demitido do ensino oficial por não ter assinado a Lei Cabral. Ganha uma bolsa do Ministério das Relações Exteriores de Espanha e vai estudar no Centro de Estudos Históricos de Madrid.

1936: Com a eminência da guerra civil espanhola, volta para Portugal. Leciona em colégios pricados e dá aulas particulares a meninos ricos.

1937: Cria a Escola Nova de São Domingos de Benfica e passa a publicar, na Seara Nova, as Biografias.

1939: Cria, conjuntamente com outros intelectuais, o Núcleo Pedagógico de Antero de Quental. Passa a ter processo político na PVDE.

1940: Dedica-se à elaboração de Iniciação - Cadernos de Informação Cultura.

1942: Edita O Cristianismo.

1943: Publica Doutrina Cristã e é preso, no Aljube, a 24 de junho.

1944: A obra Conversação com Diotima é publicada e, nesse mesmo ano, auto-exila-se na América do Sul. A primeira estada é no Brasil.

1945: Vai para a Argentina, leciona na Escola de Estudos Superiores de Buenos Aires. Em Portugal, são editadas as obras Diário de Alcestes, Glossas e Sete Cartas a um Jovem Filósofo.

1946: Muda-se para o Uruguai e ensina nos Colégios Libres (Montevidéu).

1947: Regressa ao Brasil e instala-se na Serra de Itatiaia (Penedo).

1948: Fixa-se no Rio de Janeiro e trabalha no Instituto Oswaldo Cruz, na Faculdade Fluminense de Filosofia e na Biblioteca Nacional.

1952: Integra o corpo docente da Universidade da Paraíba como professor de História Antiga e de Literatura Portuguesa.

1954: Colabora na organização da Exposição História do IV Centenário da Cidade de São Paulo.

1955: Contribui para a fundação da Universidade de Santa Catarina e, aí, ensina Literatura Portuguesa e Filologia Românica. Escreve Um Fernando Pessoa. Assume as funções de diretor de Cultura do Estado de Santa Catarina e trabalha na Direção-Geral do Ensino Superior, do Ministério da Educação.

1956: Publica Ensaio para uma Teoria do Brasil (editado em Portugal em 1966).

1957: Edita Reflexão à Margem da Literatura Portuguesa.

1959: Cria o Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO), em Salvador, e ensina Filosofia do Teatro no Universidade da Bahia. Naturaliza-se brasilerio.

1960: Edita As Aproximações.

1961: Torna-se assesssor para a política externa do Presidente da República Jânio Quadros.

1962: Cria o Centro Brasileiro de Estudos Portugueses na Universidade de Brasília. Sai, em Salvador, a complilação Só Ajustamentos.

1963: Desloca-se ao Japão como bolsita da UNESCO. Visita também Macau e Timor.

1964: Assenta moradia ntre Brasília, Cachoeira (no Recôncavo baiano) e Salvador (onde concebe a formação do Museu do Atlântico Sul, no Forte de São Marcelo).

1965: Escreve As Folhas de São Bento e Outras.

1968: É eleito membro da Academia Internacional de Cultura Portuguesa. Vai aos Estados Unidos da América lecionar em cursos de mestrado e doutoramento do Queens College (Nova Iorque).

1969: Regressa a Portugal.

1970: Escreve Educação de Portugal (só editada em 1989) e colabora na revista Vi.

1976: É reformado pelo Governo Brasileiro.

1981: Regressa esporadicamente ao Brasil.

1982: Vai ao Senegal com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e ministra, na Universidade de Dakar, um curso intitulado "Fernando Pessoa: Mensagem, História, Ideologia, Mitologia e Projecto".

1983: É nomeado diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos do Instituto de Relações Internacionais da Universidade Técnica de Lisboa e do Gabinete de Apoio do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa (ICALP).

1986: Escreve Cartas Várias.

1987: Recebe a grã-cruz da Ordem de Santiago de Espada.

1988: Vai a Moçambique e é eleito membro da Academia da Marinha.

1990: Participa em programas de televisão (protagoniza o programa Conversas Vadias).

1992: Renacionaliza-se português.

1994: Morre em Lisboa, no dia 3 de abril (Domingo de Páscoa).

Fonte de Pesquisa: PINHO, Romana Valente. O essencial sobre Agostinho da Silva. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2006.

21 de março de 2011

Universidade homenageia Agostinho da Silva

EDUCAÇÃO - 13/05/2009
Seminário resgata pensamento do educador português que ajudou a fundar a UnB. Programação inclui debate, exibição de filme e lançamento de publicações.
Maiesse Gramacho - Da Secretaria de Comunicação da UnB




Tudo o que faço na vida
é só linha de poema
que cada um ordenará
conforme for seu esquema.
Agostinho da Silva

Considerado um dos mais importantes pensadores portugueses do século 20, Agostinho da Silva foi homenageado na manhã desta quarta-feira, 13 de maio, em solenidade na Universidade de Brasília. Em 2009, completam-se 15 anos da morte do poeta, ensaísta e professor, que participou da fundação da UnB. A homenagem, organizada pelo departamento de Teoria Literária e Literaturas (TEL), também serviu para abrir as atividades deste semestre da cátedra que leva o nome do educador.


Daiane Souza/UnB Agência
André Luis Gomes, do TEL, quer revitalizar Cátedra e difundir obra do ensaísta

“Desde que assumi a chefia do departamento, há um ano, tenho me esforçado para revitalizar a Cátedra e conhecer mais sobre Agostinho da Silva”, disse o professor André Luis Gomes, chefe do TEL. A unidade organizou uma comissão acadêmica interdepartamental para ampliar as discussões a respeito da obra do filósofo.

George Agostinho Baptista da Silva nasceu na cidade do Porto, em 1906. Perseguido por fazer oposição ao governo de Antonio Salazar, partiu rumo à América do Sul em 1944. Passou pelo Uruguai e pela Argentina até, em 1947, instalar-se no Brasil, onde viveu até 1969. Morou no Rio de Janeiro, na Paraíba, em Santa Catarina e na Bahia, e em 1962, participou da fundação da UnB, com a criação do Núcleo de Estudos Portugueses.

A diretora da Faculdade de Educação, Inês Maria Almeida, destacou a importância de relembrar pessoas que contribuíram para a formação da universidade. “É com alegria que estamos homenageando essa figura ilustre e memorável que foi o professor Agostinho da Silva, um defensor da liberdade”, disse. A opinião da professora foi compartilhada pelo decano de Extensão, Wellington Almeida, que representou o reitor José Geraldo de Sousa Jr. na solenidade. “Temos que valorizar aqueles que exerceram papéis importantes para a UnB”, afirmou.

A Cátedra Agostinho da Silva foi instituída em 2006, ano do centenário de nascimento do professor. A Cátedra tem como objetivo incentivar pesquisas no campo da cultura luso-afro-brasileira, assim como divulgar a obra de Agostinha da Silva e dar continuidade às suas ações, estimulando a aproximação entre Brasil, Portugal e os países africanos de língua portuguesa.


Daiane Souza/UnB Agência
Amandio Silva lembrou atuação política do professor


LEGADO – Após a solenidade de abertura dos trabalhos da Cátedra, o professor Amandio Silva, presidente da associação portuguesa Mares Navegados, comentou o legado do pensador, que foi além da educação e alcançou a política. “Ele foi o impulsionador da política externa brasileira em relação à África e à Ásia, no governo de Jânio Quadros”, disse. Amandio lembrou que também fez parte dos esforços de Agostinho a criação do Centro de Estudos Afro-Orientais na Universidade Federal da Bahia, nos anos 1950, para a aproximação entre os povos lusófonos.

Em seguida, foi exibido o filme Pensamento vivo, que conta a trajetória do intelectual português. Às 14h30, as discussões sobre o pensamento e a influência do humanista continuam, com a mesa redonda O legado e a missão de Agostinho da Silva, em que participam professores da UnB. O debate ocorre no Auditório da Reitoria e é aberto ao público.

No encerramento das atividades, às 17h, no Salão de Atos (prédio da Reitoria, serão lançadas duas publicações coletivas que abordam os vários aspectos do pensamento do educador, a Revista Nova Águia e o livro Condições e Missão da Comunidade Luso-Brasileira de Agostinho Silva.



Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos:UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.