31 de março de 2011

Agostinho da Silva em Futura-Idade


“Acrescentarei logo que , para que o futuro se construa, é indispensável que se tenha uma noção clara, objectiva, concreta, digamos, numa palavra, científica do que se passa hoje nos domínios que importam, dispondo de uma informação actualizada e total e trabalhando sobre ela com mentalidade despojadora e crítica. Em seguida me funcionará a capacidade de inventar, sem utopias, mas ousando acreditar que podemos ir muito mais longe do que fomos ontem ou agora e crendo que a raça humana de hoje, tão oprimida ainda por tantas circunstâncias que parecem fatais, é apenas esboço do que pode vir a ser, [...].”


(Texto recolhido de Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira II. Lisboa: Âncora Editora, 2001, p.193.)

Da portuguesa língua conversável


"Sempre observei com gosto a alquimia generosa da língua portuguesa engrossando ao canto umbundo, sorrindo com o humor quimbundo ou incorporando as palavras de azedar o leite, próprias da língua nyaneka."


(trecho de O sangue da buganvília: crônicas. Praia/Mindelo: Centro Cultural Português, 1998, p. 13)

Paula Tavares, poetisa angolana

30 de março de 2011

Quiosque da CAS


Nesse livro, podemos entender, sob nova perspectiva, a História de Portugal e Brasil.

Além do mais, em uma escrita acessível, o autor afirma que "As modificações no método de exploração no campo da agropecuária podem ser consideradas profundas e mesmo drásticas e irão constituir o que verdadeiramente se deve definir como Reforma Agrária, embora nada tenha de comum com o praticado ou desejado no Brasil com esse nome."


Vale a pena a leitura.

Para adquirir o livro do Prof. Dr. José Luís Conceição Silva,

entre em contato com o Quiosque da CAS pelo email casagostinhodasilva@gmail.com

Para Saber ÁFRICA





29 de março de 2011

extra-CAS cultural

YouTube - Riverdance New York 1996 Finale

Cristalização do Espírito Santo na Cultura Musical Brasileira



Os devotos do Divino

vão abrir sua morada

Pra bandeira do menino ser bem-vinda

ser louvada ai, ai

Deus nos salve esse devoto

pela esmola em vosso nome

Dando água a quem tem sede,

dando pão a quem tem fome ai, ai

A bandeira acredita que a semente seja tanta

Que essa mesa seja farta,

que essa casa seja santa ai, ai

Que o perdão seja sagrado,

que a fé seja infinita

Que o homem seja livre,

que a justiça sobreviva ai, ai

Assim como os três reis mago

que seguiram a estrela guia

A bandeira segue em frente

atrás de melhores dias

No estandarte vai escrito

que ele voltará de novo

E o Rei será bendito,

ele nascerá do povo ai, ai

28 de março de 2011

Os malefícios da rivalidade na escola


Poucas serão as escolas em que o mestre não anime entre os alunos o espírito de competição; aos mais atrasados apontam-se os que avançaram como marcos a atingir e ultrapassar; e aos que ocuparam os primeiros lugares servem os do fim da classe de constantes esporas que os não deixam demorar-se no caminho, cada um se vigia a si e aos outros e a si próprio apenas na medida em que se estabelece um desnível com o companheiro que tem de superar ou de evitar.

A mesquinhez de uma vida em que os outros não aparecem como colaboradores, mas como inimigos, não pode deixar de produzir toda a surda inveja, toda a vaidade, todo o despeito que se marcam em linhas principais na psicologia dos estudantes submetidos a tal regime; nenhum amor ao que se estuda, nenhum sentimento de constante enriquecer, nenhuma visão mais ampla do mundo; esforço de vencer, temor de ser vencido; é já todo o temperamento de batalha que se afina na escola e lançará amanhã sobre a terra mais uma turma dos que tudo se desculpam.

Quem não sabe combater ou não tem interesse pela luta ficará para trás, entre os piores; e é certamente esta predominância dada ao espírito de batalha um dos grandes malefícios dos sistemas escolares assentes sobre a rivalidade entre os alunos; não se trata de ajudar, nem de ser ajudado, de aproveitar em comum para benefício de todos, o que o mundo ambiente nos oferece; urge chegar primeiro e defender as suas posições; cada um trabalhará isolado, não amigo dos homens, mas receoso dos lobos; o saber e o ser não se fabricam, para eles, no acordo e na harmonia; disputam-se na luta.

Urge quanto antes alargar a reforma radical que as escolas novas fizeram triunfar na experiência; que só haja dois estímulos para o trabalho nas aulas: a comparação de cada dia com o dia anterior e com o dia futuro, e o desejo de aumentar o valor, as possibilidades do grupo; por eles se terá a confiança indispensável na capacidade de realizar e a marcha irresistível da seta para o alvo; por eles também o sentido social, o hábito da cooperação, a tolerância e o amor que gera a convivência em vez de um isolamento de caverna e de uma agressividade permanente; a vitória sobre uma idéia de guerra, de uma idéia de Paz.

Agostinho da Silva, Textos pedagógicos.

(seleção de Rômulo Andrade Pinto, Artista Plástico e Educador)