12 de abril de 2011

Para Reflexão

Massacre na escola

– Ou massacre na Televisão? –

Bilhete/Mensagem à Nação

“Pior tragédia em escola do país; Ex-aluno mata 12 estudantes!”

(Manchete de jornal 8/04/2011)

J. Jorge Peralta


Senhora Presidente, senhores políticos, senhores comunicadores.


E agora senhores “donos” do poder? E agora Brasil?


1. E Agora toda a gente do “poder” repudia! Mas repudia o quê?! Os fatos consumados?! Mas ninguém faz a lição de casa?! Ninguém pensa em corrigir os rumos de uma civilização, na construção do desenvolvimento humano...


Repudiar não basta. Não diz nada. Vamos diagnosticar as causas e repudiá-las? Vamos tratar de curá-las? Vamos acabar com a corrupção? Vamos acabar com a malandragem institucionalizada? Vamos acabar com a impunidade em nome do pseudo-direitos humanos deturpados? Vamos acabar com as políticas sujas? Vamos deixar de achacar a nação? Vamos juntar o desenvolvimento econômico com o desenvolvimento social? Vamos abalar esse mundo morno acomodado, tolerante com o insuportável?


Vamos tirar a máscara do faz de conta?


Vamos repudiar a enganação?


Repudiar as causas pode levar a alguma solução. Chorar o massacre pode ser pura emoção sem solução. Precisamos de decisões.


2. Nossa criminalidade é importada. Não é da índole do nosso povo. Devemos temer mais os nossos canalhas vendilhões do que os vendedores de ilusões.


Dizer que é problema dos tempos modernos não diz nada. Dizer que é mentalidade e vícios importado, nada diz, se não nos prevenirmos contra essa herança importada dos centros financeiros do descalabro; contra a herança maldita da trapaça...


Vamos colocar as pessoas certas no lugar certo, em vez de proteger e promover os apadrinhados para pagar apoios de campanha, como se quem conquista o poder fosse dono do país e o povo seu escravo...


Vamos dar trabalho ao povo, em vez de humilhar com esmolas eleiçoeiras?


Vamos educar o povo, com educação séria para todos, para formarmos gente séria, competente e responsável e não darmos apenas um diploma vazio.


Vamos pensar no bem da nação, em vez de pensar nas próximas eleições?


Vamos chorar pela corrupção que algema o país e ricocheteia, como violência institucionalizada, e desagua em sangrentos desacatos? Choremos a injúria, a falta de princípios e a educação falida, nos meios de comunicação. Reajamos, para não precisarmos chorar tantas mortes inocentes, nas escolas, nas ruas, nas prisões e nas sarjetas infétidas...


O silêncio dos inocentes dói mais que estrondo de canhão! Só não sente quem não houve, porque tem ouvidos tampados!


3. Há milhares de facínoras por todo o país, filhos dessa escola do crime, sem princípios, sem ética, apenas buscando vantagens, numa sociedade desprotegida e fragilizada por essa pseudo-civilização enrascada. Dizer isto não é nada, se não focarmos as causas.


Precisamos riscar de nosso convívio e de nosso espírito, e dos formadores de opinião e de nossos políticos e de nossos juízes de plantão, e de nossos professores mercenários, esse farisaísmo hipócrita, que desonra a nação.


Choremos pelas causas dos massacres. Reajamos para que elas não se repitam. Cada um faça a sua parte.


Vamos repudiar as causas da violência! Mas isso as nossas autoridades não sabem fazer. É mais fácil repudiar o que acontece do que prevenir a proliferação das causas.


Os ovos da serpente reproduzem-se indiscriminadamente e em paz, acalentados por políticos e pelos meios de comunicação, enquanto a nação sofre as consequências dessa guerra feroz, que é a real herança maldita da desgovernança.


4. Por que ninguém faz uma campanha pelo desarmamento moral da nação, acabando com as injustiças, injúrias e corrupção?


Por que ninguém observa e coíbe a violência institucionalizada, que nos vem dos EUA e do Japão, pelos programas “infantis” da televisão?


Ninguém nota a conspiração que viceja e se espalha por todo o Brasil, nos canais de TV, em muitos outros canais que entretêm as crianças e adolescentes?!


Funcionam como eficientes e camufladas escolas do crime, entrando livres na casa de toda a gente, de todas as condições sociais.


Somos todos solidários contra essa parafernália pérfida e inconsequente, que vai deteriorando a alma e o psiquismo de nossa gente, enquanto rende altos dividendos, cá e além fronteiras, para os caçadores de gente incauta mas trabalhadora, que se vê atraiçoada, no recesso de seu lar.


No aconchego do lar, lugar de paz e de compreensão, entram as desalmadas e torpes lições de violência, semeando a derrocada da paz e da humana solidariedade, em nome de uma torpe liberdade de enganar nossa nação, no coração das crianças, deturpando-lhes o caráter, com violências gratuitas e inconsequente!


Massacre na televisão é ato banal. É uma banalização da vida e da paz, sem respeito e sem dignidade. Isto as mentes fracas vão reproduzindo na vida real, banalizando a vida. Aonde querem chegar?


5. Morreu o matador desalmado, que a sociedade “aleijou” e morreram 12 crianças inocentes na idade primaveril, cujas mães pensavam que a escola é um espaço de paz, convivência e enriquecimento humano.


Quem responde por essa tragédia, por esse descalabro anunciado, ao se cultivarem as causas, em atitudes pusilânimes, sem as previdêncisa que cada caso exige?!


6. Se alguém quisesse planejar um MUSEU DA VIDA, teria de agregar a ANTI-VIDA. Teríamos os agregadores e os desagregadores, muitas vezes tropeçando uns nos outros. Os que argumentam contra os desagregadores, muitas vezes estão mais a favor destes do que os defensores. A teoria do Yin Yang do taoísmo explica. Todos sabemos de que os maus defensores de uma boa causa podem transforma-se em seus algozes de fato. É preciso saber arrancar a máscara dos defensores mascarados da vida e da paz; com palavras ganham notoriedade política; com ações contraditórias fazem o que manda seu caráter. E assim caminha a humanidade, aos trancos e barrancos. Mas que caminhe, buscando novos rumos, com lealdade...

10 de abril de 2011

Brasilidades



Seu Saldanha, sapateiro cantador de moda de viola
por Eduardo Alexandre

SEM TELEVISÃO OU JORNAL, O REPÓRTER DO SERTÃO ERA O CORDELISTA, O CANTADOR

José Saldanha Meneses Sobrinho, 82 anos, 21 de Candelária, nasceu na Fazenda do Piató, Santana do Matos, e já aos 12 anos começou a fazer seus repentes, improvisos que levava às praças, seguindo, segundo ele, os repórteres do sertão: os cantadores e cordelistas.

Quando o pai o viu de feira em feira, com os cantadores mais velhos em suas farras festivas, aconselhou:

- Vou lhe ensinar tudo o que um sertanejo pode aprender. Tocar e improvisar você pode até fazer. Mas usar de viver de viola, faça isso não!

INDUSTRIAL

E Saldanha seguiu o conselho do velho.

- Fui do cabo da chibanca, vaqueiro, almocreve, aboiador, puxador de gado, fabricante de sapato, de doce e de queijo. Tudo, para dar educação aos meus filho.

Apesar de ter praticado tudo isso, Seu Saldanha foi mesmo um dos maiores industriais do calçado do RN, talvez o maior. Tratando todo mundo por portador, seu grande mestre na arte de fazer sapatos, sandálias e botas que calçaram os matutos do interior norte¬riograndense, foi seu Manoel Senhor, um sapateiro que ia à Fazenda do Piató calçar o povo do lugar.

Com ele, seu Saldanha iniciou um aprendizado que espalharia sapatos, os Calçados Menesses, por todo o Nordeste e até Rio de Janeiro, a então capital brasileira.

Mas Seu Saldanha, ao lado disso, nunca esqueceu o cordel.

Escreveu "O Nordeste e Seus Cangaceiros", "O Filho do Ferreiro", "Diz Tua Prosa, Sertão", tantos títulos, cento e oitenta ao todo, que seria cansativo enumerar a todos. Por ele, ainda estaria no Piató, mas a esposa, dona Jovelina Dantas, adoeceu e ele teve que vir morar em Natal, onde o tratamento era possível.

Vinte e um anos na Candelária, Seu Saldanha lembra o fato de ter desplantado uma macaxeira de onze quilos e treze palmos de comprimento no terreno onde hoje fica o Shopping.

Um assombro que foi até notícia de jornal, diz.

ESTÓRIAS

Hoje, ele pode ser encontrado no ponto comercial que mantém, o Recanto do Seridó, à rua Irineu Jofile, para uma prosa amena e gostosa, onde, com certeza, falará do filho do ferreiro que um dia prometeu dominar sua cidade, Cerro Corá, e que concretizou seu sonho, sendo vereador e prefeito várias vezes, história contada em cordel. Ou do matuto que chegou para comprar cigarro e como não encontrou onde comprasse, fumou a nota de 10 mil réis, ganha quando o algodão mocó era a riqueza do Seridó "e o orgulho do povo da região.”

Um homem cheio de histórias e estórias do sertão, com livros publicados e inéditos que precisam ser resgatados.

É um homem que diz que a maior universidade do mundo é o Nordeste, lugar ideal para a formação de um poeta.

Saldanha também fabricou suas próprias violas, e, de Lampião, diz coisas como essas:

Ele tinha uma estratégia
De guerra muito avançada.
Para enganar as volantes
Cobria uma retaguarda
Para dar tempo e abrir fogo
Ou fugir da emboscada.

Lampião tinha com ele
Uma perícia invejável
As investidas e pegadas
De maneira admirável
Ele enganava as volantes
De modo inacreditável.

Candelária Viva, 2000
Foto: Alexandro Gurgel (NET)

Léo Arlé na Galeria da CAS

Em torno de Léo Arlé: Ele Próprio o artista


Minhas mãos incansáveis à procura de minha expressão de arte... Exemplaridade de sonho, a arte me produzindo... E eu a ela íntimo de suas curvas e cores...

Percebi muito cedo a importância de minha produção. Divulgá-la é uma confissão de compartilhamento com o estudante de arte. Arte da minha experiência feita silenciosamente entre acertos e erros.

Minhas ideias são acionadas quando, diante da natureza, fico em átimo de silêncio. E é nesse instante que nasce o gesto simples que me faz acreditar que logo após a palavra o que importa é a forma: a cor me põe diante do êxtase. O traço dirigido obedece a razão. Eu, na condição de receptor, fico entre o fazer ou não fazer, dizer ou não dizer. Eis que optei por dar continuidade a minha arte e dela fazer refletir o meu tempo e a minha geração entranhada na dureza de um período autoritário e de repressão de ideias.

Acostumei-me a trabalhar em silêncio sem hastear a bandeira. Apenas usei instrumentos eficazes como: tintas, pincéis, lápis e, por vezes, recorria aos meus textos analítico-poéticos. Fiz-me assim ourives de minha arte. Mãos a traçar a linha invisível do pensamento. Pensamento que penetrou o imaginário das curvas, das cores, do abstrato do desenho, da tela vibrante de matizes já antecipados pela poesia da razão. Isso foi tudo.

Desenhei compulsivamente, fiquei cercado de livros de Arte. Vi e revi conceitos e acreditei em minhas mãos. Continuo abrindo caminho e abafando um vocabulário ultrapassado. Busco e sinto urgentemente a necessidade de um texto condizente com meu processo criativo. Quando digo urgentemente, é um fato. Ao recorrer ao passado, percebo a luta e o embate entre o desenho e a pintura. Em data remota, sempre me identifiquei com a cor.

Na paisagem fiquei perto da representação real. Na alquimia das cores rompi e deixei manifestar a mancha encharcada da aquarela. Meu olhar já não era mais de observador e, sim, de um buscador do buscar que me exigia disciplina e simplicidade do traço. E tudo é uma resposta ao meu apelo interior.

Indagações! ...

Mensagem agostiniana

"Temos de evitar que meninos sejam maltratados como são, abandonados como são, vítimas de doenças como são, tendo vidas dificílimas, para que eles possam ser realmente imperadores do mundo quando vier essa futura Idade. Vamos continuar a dar o banquete gratuito como símbolo? Não, senhor! Temos que fazer que toda gente do mundo coma realmente, [...], e que tenha saúde, e que tenha saber, não é?"

(Trecho recolhido de Agostinho da Silva - Ele Próprio. Portugal: Zéfiro, 2006, p. 106).

7 de abril de 2011

Cora Coralina: para não esquecermos...

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.

Em Re-flexão

OS PORTUGUESES E A EMIGRAÇÃO (A. Gomes da Costa, Economista e advogado, presidente da Federação das Associações Portuguesas e Luso-Brasileiras.)

Dos países do Mediterrâneo, Portugal foi sempre o que mais dependeu da emigração. Outros, como a Itália e a Espanha, que durante o século XIX e a primeira metade do século XX tinham sido grandes exportadores de mão de obra, começaram a reduzir a saída de trabalhadores logo depois do término da II Grande Guerra. Mas em Portugal o fenômeno não ocorreu tão depressa por várias causas, desde a falta de trabalho às guerras coloniais, ou desde a estagnação econômica à política de aperto do Estado Novo. Somente com a Revolução de 25 de abril de 1974 e, principalmente, com a entrada do país na Comunidade Econômica Européia, que lhe permitiu o acesso aos fundos estruturais de Bruxelas, é que se deu uma profunda reforma na sociedade portuguesa e a emigração chegou ao fim.
Quer no tempo da Monarquia, quer durante a República, os governos nunca tiveram em relação aos portugueses espalhados pelo mundo uma posição que não fosse a de se aproveitarem, por um lado, de parte das riquezas que conseguiam obter lá fora, e, por outro, do prestígio que, por portas travessas ou pelas chancelarias, poderiam trazer para a grei.
Primeiro, foi o Brasil a receber os jovens e “engajados” das províncias mais pobres sob o impulso do imaginário de sucessivas gerações – era das terras de Vera Cruz que vinham as libras esterlinas para comprar títulos da dívida pública e as quintas no alto Minho e era para lá que seguiam, pela via marítima, os produtos importados pelas casas comerciais do Rio de Janeiro, de Santos, do Recife ou de Belém do Pará. Em troca, o Rei distribuía títulos e mercês como prova de reconhecimento aos que participavam das campanhas para socorrer as vítimas dos terremotos dos Açores, para a aquisição da canhoneira “Pátria” ou para a luta contra a tuberculose no país.
Depois do Brasil, vieram os Estados Unidos, o Canadá, a Venezuela, a Argentina, a África do Sul, a Austrália, etc. como destinos finais da emigração portuguesa, e, mais tarde, numa dimensão muito maior, os países do norte da Europa, onde se chegava tanto pela via legal, como “a salto” pela fronteira da Espanha.
Eram entre 3 a 4 milhões de portugueses a viver e a trabalhar no exterior e a sua contribuição, em termos de remessas cambiais, chegou a representar quase o mesmo montante das receitas da exportação do país.
Sem embargo desse papel importante que a diáspora tinha – e não era apenas no âmbito do balanço de pagamentos, mas também em outros quadrantes – os governos, a não ser nos discursos e nas celebrações das datas cívicas, altura em que mandavam emissários em visita às diversas comunidades, pouco se importavam com a situação e a sorte dos emigrantes.
No início da década de 80, no entanto, para seguir o exemplo de outros países europeus, foram atendidas algumas aspirações da chamada “nação peregrina”, quer no campo político – como o direito do voto e a representação parlamentar – quer na área administrativa – como os incentivos fiscais, a taxa de juros para depósitos a prazo, as facilidades para a compra de moradia – quer no quadrante constitucional e jurídico – como o estatuto da bi-nacionalidade concedido aos filhos nascidos em terra alheia, a dupla cidadania, etc.
Para um país que tinha para cima de um terço de sua população a viver no estrangeiro, essas mudanças poderiam ter sido aproveitadas de forma eficaz para o funcionamento de circuitos econômicos, culturais, sociais, artísticos e científicos entre a Mãe-Pátria e os países de destino.
Na prática, entretanto, o que se verificou é que muitas dessas conquistas acabaram por se desfazer e, outras, somente foram utilizadas pelos partidos políticos para barganharem votos e ajudas financeiras no exterior.
Veja-se, por exemplo, o que vem ocorrendo em termos de apoio e de serviços do Estado junto às comunidades: fecham-se repartições consulares e deixam-se completamente ao abandono focos importantes da presença portuguesa no mundo; não se dá o mínimo apoio às associações de raiz portuguesa, onde diariamente se cultuam e preservam os valores e as tradições de um povo e de uma cultura; o ensino da Língua é cada vez mais precário; a assistência aos emigrantes doentes e desprotegidos é minguada – e até o direito de voto por correspondência pretendem extinguir, como se valesse a pena a um patrício que mora nos cafundós de Judas ou interior do Acre comprar uma passagem de ida e volta para chegar ao consulado mais perto e votar num candidato a deputado da Assembléia da República!
Como diria o Fernando Pessoa: português sofre-se para sê-lo…

Notícias de Timor-Leste


Esta foto foi feita em Ataúro, em Vila Maumeta. Aí vivem dois padres italianos - Chico e Luis - que viveram no Brasil por quase 30 anos no Recife e em São Paulo, inclusive durante a ditadura. Até hoje mantêm contato com o Bispo Pedro Casaldáglia. Eles mantém, junto à comunidade, 5 projetos sociais. em um deles, um grupo de 12 mulheres e 1 homem organizaram uma cooperativa para ter um restaurante na Vila: Manukoku-Rek (o pássaro que canta de manhã). Durante uns 7 meses ia lá em Ataúro, ficava alguns dias ensinando receitas brasileiras a partir dos produtos que tinham em uma grande horta comunitária. Era um trabalho voluntário. Na foto está o seo João no dia da inauguração, cuidando do forno que, também, construímos juntos para assarmos pães e pizza de beringela com queijo.

Abraço. Fábio Borges