16 de abril de 2011

Mensagem agostiniana

"Em toda a história do mundo foram sempre poucos os imaginadores, para além naturalmente de toda a gente que imagina haver mundo; hoje, porém, parece ter diminuído o número de imaginadores; certamente porque aumentou o total da população; se perdem na massa. Muita cinza, pouca brasa."

(texto recolhido de Reflexões, Aforismos e Paradoxos. Brasília: Editora Thesaurus, 1999,p. 115.)

15 de abril de 2011

Notícias de Timor Leste

Essa foto foi feita em outubro de 2008 durante uma expedição religiosa ao topo do Hamelau, a maior montanha de Timor Leste. No caminho, passamos por Same, ao sopé do monte Cablaque (o segundo mais alto). A feira existe em meio à floresta equatorial seca de altitude. A agricultura é praticada por quase toda a população, sobretudo, das montanhas. De Same, indo para o sul, rapidamente se avista o Mar do Sul, o Tassi-mane (mar dos homens), sempre azul anil, agitado, poucos corais e que recebe, sazonalmente, a visita dos crocodilos brancos vindos do noroeste da Austrália.
(Enviado por Fábio Borges)

14 de abril de 2011

poétiCAS




Almas Perfumadas

Tem gente que tem cheiro
de passarinho quando canta,
de sol quando acorda,
de flor quando ri.


Ao lado delas,
a gente se sente no balanço de uma rede
que dança gostoso numa tarde grande,
sem relógio e sem agenda.


Ao lado delas,
a gente se sente comendo pipoca na praça,
lambuzando o queixo de sorvete,
melando os dedos com algodão doce
da cor mais doce que tem pra escolher.

O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.


Tem gente que tem cheiro
de colo de Deus,
de banho de mar
quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas,
a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.


Ao lado delas,
a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo,
sonhando a maior tolice do mundo
com o gozo de quem não liga pra isso.


Ao lado delas,
pode ser abril,
mas parece manhã de Natal,
do tempo em que a gente acordava
e encontrava o presente do Papai Noel.


Tem gente que tem cheiro
das estrelas que Deus acendeu no céu
e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas,
a gente não acha que o amor é possível,
a gente tem certeza.
Ao lado delas,
a gente se sente visitando um lugar feito de alegria,
recebendo um buquê de carinhos,
abraçando um filhote de urso panda,
tocando com os olhos os olhos da paz.


Ao lado delas,
saboreamos a delícia do toque suave
que sua presença sopra no nosso coração.


Tem gente que tem cheiro
de cafuné sem pressa,
do brinquedo que a gente não largava,
do acalanto que o silêncio canta,
de passeio no jardim.


Ao lado delas,
a gente percebe que a sensualidade
é um perfume que vem de dentro
e que a atração que realmente nos move
não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.

Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas,
a gente lembra que no instante em que rimos
Deus está conosco, juntinho, ao nosso lado.

E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente como você,
que nem percebe como tem a alma perfumada
e que esse perfume é dom de Deus.

Carlos Drummond de Andrade

Quiosque da CAS





Nesse livro, podemos entender, sob nova perspectiva, a História de Portugal e Brasil.


Além do mais, em uma escrita acessível, o autor afirma que "As modificações no método de exploração no campo da agropecuária podem ser consideradas profundas e mesmo drásticas e irão constituir o que verdadeiramente se deve definir como Reforma Agrária, embora nada tenha de comum com o praticado ou desejado no Brasil com esse nome."




Vale a pena a leitura.


Para adquirir o livro do Prof. Dr. José Luís Conceição Silva,


entre em contato com o Quiosque da CAS pelo email casagostinhodasilva@gmail.com

A CAS com a Persona Mulher cabo-verdiana

Cabo Verde no Brasil "Um país que investe no futuro, parceiro estratégico no plano brasileiro com os países africanos."


Com a palavra a Embaixatriz Sara Pereira homenageando as mulheres


Momento cultural: música cabo-verdiana



Professora Carmem Batista, membro da CAS e estudiosa da afrobrasilidade

Momento Cultural: Leitura poética de texto de Cecília Meireles




Diretora da CAS Josely Pereira (vestido preto) ao lado da Deputada Benedita da Silva (sentada ao centro)


Doutor Carlos Moura (Fundação Palmares) e Lúcia Helena Sá


A Revista Persona Mulher: Lúcia Helena Sá e Josely Pereira


Embaixatriz e Embaixador do Timor-Leste, Victor Alegria (Editora Thesaurus) e Lúcia Helena Sá





Lúcia Helena Sá, Maria Lúcia d'Ávila Pizzolante e Sônia Korte





12 de abril de 2011

UnB DEBAIXO D’ÁGUA



As águas retardatárias das chuvas de abril invadiram o ninho de arquitetos, engenheiros e geógrafos da UnB. Não faltaram avisos nem previsões sempre atribuídas aos agouros de cassandras. Não faltaram preparativos projetados para que as águas chegassem aos porões do saber e da tecnologia. Os prédios da UnB estão bem situados nas ordenadas e coordenadas para acolher milhões de litros de água caídos de repente. Os amplos estacionamentos impermeabilizados para conforto dos automóveis e as vias em declive são inteligentemente desenhados e adequados a armazenar e canalizar água para as profundezas do subsolo. A UnB, com esse puxão de orelhas das leis físicas, operado pela última tormenta poderá desenvolver uma nova disciplina para as próximas gerações de engenheiros e arquitetos: a inteligentsia da água. Tenho certeza de que será útil para conduzir sabiamente a urbanização da metrópole e preservação do patrimônio cultural da humanidade.

(texto de Eugênio Giovenardi)

Para Reflexão

Massacre na escola

– Ou massacre na Televisão? –

Bilhete/Mensagem à Nação

“Pior tragédia em escola do país; Ex-aluno mata 12 estudantes!”

(Manchete de jornal 8/04/2011)

J. Jorge Peralta


Senhora Presidente, senhores políticos, senhores comunicadores.


E agora senhores “donos” do poder? E agora Brasil?


1. E Agora toda a gente do “poder” repudia! Mas repudia o quê?! Os fatos consumados?! Mas ninguém faz a lição de casa?! Ninguém pensa em corrigir os rumos de uma civilização, na construção do desenvolvimento humano...


Repudiar não basta. Não diz nada. Vamos diagnosticar as causas e repudiá-las? Vamos tratar de curá-las? Vamos acabar com a corrupção? Vamos acabar com a malandragem institucionalizada? Vamos acabar com a impunidade em nome do pseudo-direitos humanos deturpados? Vamos acabar com as políticas sujas? Vamos deixar de achacar a nação? Vamos juntar o desenvolvimento econômico com o desenvolvimento social? Vamos abalar esse mundo morno acomodado, tolerante com o insuportável?


Vamos tirar a máscara do faz de conta?


Vamos repudiar a enganação?


Repudiar as causas pode levar a alguma solução. Chorar o massacre pode ser pura emoção sem solução. Precisamos de decisões.


2. Nossa criminalidade é importada. Não é da índole do nosso povo. Devemos temer mais os nossos canalhas vendilhões do que os vendedores de ilusões.


Dizer que é problema dos tempos modernos não diz nada. Dizer que é mentalidade e vícios importado, nada diz, se não nos prevenirmos contra essa herança importada dos centros financeiros do descalabro; contra a herança maldita da trapaça...


Vamos colocar as pessoas certas no lugar certo, em vez de proteger e promover os apadrinhados para pagar apoios de campanha, como se quem conquista o poder fosse dono do país e o povo seu escravo...


Vamos dar trabalho ao povo, em vez de humilhar com esmolas eleiçoeiras?


Vamos educar o povo, com educação séria para todos, para formarmos gente séria, competente e responsável e não darmos apenas um diploma vazio.


Vamos pensar no bem da nação, em vez de pensar nas próximas eleições?


Vamos chorar pela corrupção que algema o país e ricocheteia, como violência institucionalizada, e desagua em sangrentos desacatos? Choremos a injúria, a falta de princípios e a educação falida, nos meios de comunicação. Reajamos, para não precisarmos chorar tantas mortes inocentes, nas escolas, nas ruas, nas prisões e nas sarjetas infétidas...


O silêncio dos inocentes dói mais que estrondo de canhão! Só não sente quem não houve, porque tem ouvidos tampados!


3. Há milhares de facínoras por todo o país, filhos dessa escola do crime, sem princípios, sem ética, apenas buscando vantagens, numa sociedade desprotegida e fragilizada por essa pseudo-civilização enrascada. Dizer isto não é nada, se não focarmos as causas.


Precisamos riscar de nosso convívio e de nosso espírito, e dos formadores de opinião e de nossos políticos e de nossos juízes de plantão, e de nossos professores mercenários, esse farisaísmo hipócrita, que desonra a nação.


Choremos pelas causas dos massacres. Reajamos para que elas não se repitam. Cada um faça a sua parte.


Vamos repudiar as causas da violência! Mas isso as nossas autoridades não sabem fazer. É mais fácil repudiar o que acontece do que prevenir a proliferação das causas.


Os ovos da serpente reproduzem-se indiscriminadamente e em paz, acalentados por políticos e pelos meios de comunicação, enquanto a nação sofre as consequências dessa guerra feroz, que é a real herança maldita da desgovernança.


4. Por que ninguém faz uma campanha pelo desarmamento moral da nação, acabando com as injustiças, injúrias e corrupção?


Por que ninguém observa e coíbe a violência institucionalizada, que nos vem dos EUA e do Japão, pelos programas “infantis” da televisão?


Ninguém nota a conspiração que viceja e se espalha por todo o Brasil, nos canais de TV, em muitos outros canais que entretêm as crianças e adolescentes?!


Funcionam como eficientes e camufladas escolas do crime, entrando livres na casa de toda a gente, de todas as condições sociais.


Somos todos solidários contra essa parafernália pérfida e inconsequente, que vai deteriorando a alma e o psiquismo de nossa gente, enquanto rende altos dividendos, cá e além fronteiras, para os caçadores de gente incauta mas trabalhadora, que se vê atraiçoada, no recesso de seu lar.


No aconchego do lar, lugar de paz e de compreensão, entram as desalmadas e torpes lições de violência, semeando a derrocada da paz e da humana solidariedade, em nome de uma torpe liberdade de enganar nossa nação, no coração das crianças, deturpando-lhes o caráter, com violências gratuitas e inconsequente!


Massacre na televisão é ato banal. É uma banalização da vida e da paz, sem respeito e sem dignidade. Isto as mentes fracas vão reproduzindo na vida real, banalizando a vida. Aonde querem chegar?


5. Morreu o matador desalmado, que a sociedade “aleijou” e morreram 12 crianças inocentes na idade primaveril, cujas mães pensavam que a escola é um espaço de paz, convivência e enriquecimento humano.


Quem responde por essa tragédia, por esse descalabro anunciado, ao se cultivarem as causas, em atitudes pusilânimes, sem as previdêncisa que cada caso exige?!


6. Se alguém quisesse planejar um MUSEU DA VIDA, teria de agregar a ANTI-VIDA. Teríamos os agregadores e os desagregadores, muitas vezes tropeçando uns nos outros. Os que argumentam contra os desagregadores, muitas vezes estão mais a favor destes do que os defensores. A teoria do Yin Yang do taoísmo explica. Todos sabemos de que os maus defensores de uma boa causa podem transforma-se em seus algozes de fato. É preciso saber arrancar a máscara dos defensores mascarados da vida e da paz; com palavras ganham notoriedade política; com ações contraditórias fazem o que manda seu caráter. E assim caminha a humanidade, aos trancos e barrancos. Mas que caminhe, buscando novos rumos, com lealdade...