17 de abril de 2011

Agostinho da Silva por Santiago Naud


José Santiago Naud: poeta, ensaísta e professor pioneiro da Universidade de Brasília


"A seminal presença de Agostinho da Silva no Brasil é confirmação iluminada de sua generosa teoria civilizatória. À horizontalidade da abscissa que Roma edificou entre o Leste e o Oeste, ele soma a ordenada vertical que, unindo Norte e Sul, corrija os equívocos do poder indo-europeu e promova as coordenadas do Amor, como auguraram os "cavaleiros espirituais" da Renascença, que liam pelo avesso a palavra Roma. Harmonia da inteligência racional e emocial. No reino ideal, Portugal e Brasil conformam uma única nação, não obstante separada politicamente em dois Estados segundo a razão ou sem-razão das leis. O milagre axial dos Descobrimentos foi que o primeiro corpo multiplicou-se pelo mundo, agregando o diferente. Nesse sentido, hoje guarda enorme transcendência enquanto comunidade de povos, inspirada por sinal em idéia agostiniana e reconhecida oficialmente por novos governos constituídos. Tal fato se desvela à energia de sua literatura matricial, envolta no paradoxo porque é vigorosa conjunção de contrários, muito embora toda a sua complexa riqueza não tenha até agora morada condigna na confraria dos léxicos ou circunscrição dos compêndios. Já vale contudo como confirmação do princípio feminino, a mátria olvidada e profanada, trinitária Santa Marial medieval que tanto comovia, e opera nas águas históricas do Douro, Mondego e Tejo, recuados ao intemporal da pré-história. Também no templo da miscigenação e do sincretismo, os ilês afro-brasileiros, ele cruzava, como um sufi, Oxum e Iemanjá, que reúnem as águas das fontes, arroios e rios no imenso Oceano. Aí, quem sabe, explique a parapsicologia haver o escritor nascido sob o signo de Aquário. Assim, tudo quanto escreveu, falou ou praticou, singra a terceira margem do imenso rio ilusório que liga o tempo e a eternidade, onde o Padre António Vieira, mais um "sonho das eras português", igual a ele raie o sol futuro. A propósito, com a autoridade do historiador e do ensaísta, que o tempo viria a confirmar, o escritor Joel Serrão, um jovem professor alevantado contra os corporativismos e a mediocridade que topou nos começos da carreira, já em 1946 afetaria com intuição e percuciência o valor de Agostinho da Silva. Em torno do livro Vida de William Penn, que em edição particular o nosso autor publicava na série das suas Biografias, deixou escrito com clareza: "Em nenhuma obra literária portuguesa me parece ser mais vincada a indissolúvel unidade do homem e do escritor como na de Agostinho da Silva - e este facto é uma consequência, ao que creio, da inteireza mental e ética do homem". Ele "é um dos casos mais relevantes da cultura portuguesa dos nossos dias". "Pelo valor do homem, pelo seu talento literário (...) é, quanto a mim, um dos maiores, senão o maior escritor da língua portuguesa contemporânea".

Se o Leitor ainda não souber, esta Presença é um bom passo, certamente essencial."

(Texto recolhido de Presença de Agostinho da Silva no Brasil. / org. Amândio Silva e Pedro Agostinho; [pref.: Alma oceânica. José Santiago Naud]. - Rio de Janeiro: Edições Casa de Rui Barbosa, 2007, p. 44-45)

16 de abril de 2011

Mensagem agostiniana

"Em toda a história do mundo foram sempre poucos os imaginadores, para além naturalmente de toda a gente que imagina haver mundo; hoje, porém, parece ter diminuído o número de imaginadores; certamente porque aumentou o total da população; se perdem na massa. Muita cinza, pouca brasa."

(texto recolhido de Reflexões, Aforismos e Paradoxos. Brasília: Editora Thesaurus, 1999,p. 115.)

15 de abril de 2011

Notícias de Timor Leste

Essa foto foi feita em outubro de 2008 durante uma expedição religiosa ao topo do Hamelau, a maior montanha de Timor Leste. No caminho, passamos por Same, ao sopé do monte Cablaque (o segundo mais alto). A feira existe em meio à floresta equatorial seca de altitude. A agricultura é praticada por quase toda a população, sobretudo, das montanhas. De Same, indo para o sul, rapidamente se avista o Mar do Sul, o Tassi-mane (mar dos homens), sempre azul anil, agitado, poucos corais e que recebe, sazonalmente, a visita dos crocodilos brancos vindos do noroeste da Austrália.
(Enviado por Fábio Borges)

14 de abril de 2011

poétiCAS




Almas Perfumadas

Tem gente que tem cheiro
de passarinho quando canta,
de sol quando acorda,
de flor quando ri.


Ao lado delas,
a gente se sente no balanço de uma rede
que dança gostoso numa tarde grande,
sem relógio e sem agenda.


Ao lado delas,
a gente se sente comendo pipoca na praça,
lambuzando o queixo de sorvete,
melando os dedos com algodão doce
da cor mais doce que tem pra escolher.

O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.


Tem gente que tem cheiro
de colo de Deus,
de banho de mar
quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas,
a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.


Ao lado delas,
a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo,
sonhando a maior tolice do mundo
com o gozo de quem não liga pra isso.


Ao lado delas,
pode ser abril,
mas parece manhã de Natal,
do tempo em que a gente acordava
e encontrava o presente do Papai Noel.


Tem gente que tem cheiro
das estrelas que Deus acendeu no céu
e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas,
a gente não acha que o amor é possível,
a gente tem certeza.
Ao lado delas,
a gente se sente visitando um lugar feito de alegria,
recebendo um buquê de carinhos,
abraçando um filhote de urso panda,
tocando com os olhos os olhos da paz.


Ao lado delas,
saboreamos a delícia do toque suave
que sua presença sopra no nosso coração.


Tem gente que tem cheiro
de cafuné sem pressa,
do brinquedo que a gente não largava,
do acalanto que o silêncio canta,
de passeio no jardim.


Ao lado delas,
a gente percebe que a sensualidade
é um perfume que vem de dentro
e que a atração que realmente nos move
não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.

Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas,
a gente lembra que no instante em que rimos
Deus está conosco, juntinho, ao nosso lado.

E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente como você,
que nem percebe como tem a alma perfumada
e que esse perfume é dom de Deus.

Carlos Drummond de Andrade

Quiosque da CAS





Nesse livro, podemos entender, sob nova perspectiva, a História de Portugal e Brasil.


Além do mais, em uma escrita acessível, o autor afirma que "As modificações no método de exploração no campo da agropecuária podem ser consideradas profundas e mesmo drásticas e irão constituir o que verdadeiramente se deve definir como Reforma Agrária, embora nada tenha de comum com o praticado ou desejado no Brasil com esse nome."




Vale a pena a leitura.


Para adquirir o livro do Prof. Dr. José Luís Conceição Silva,


entre em contato com o Quiosque da CAS pelo email casagostinhodasilva@gmail.com

A CAS com a Persona Mulher cabo-verdiana

Cabo Verde no Brasil "Um país que investe no futuro, parceiro estratégico no plano brasileiro com os países africanos."


Com a palavra a Embaixatriz Sara Pereira homenageando as mulheres


Momento cultural: música cabo-verdiana



Professora Carmem Batista, membro da CAS e estudiosa da afrobrasilidade

Momento Cultural: Leitura poética de texto de Cecília Meireles




Diretora da CAS Josely Pereira (vestido preto) ao lado da Deputada Benedita da Silva (sentada ao centro)


Doutor Carlos Moura (Fundação Palmares) e Lúcia Helena Sá


A Revista Persona Mulher: Lúcia Helena Sá e Josely Pereira


Embaixatriz e Embaixador do Timor-Leste, Victor Alegria (Editora Thesaurus) e Lúcia Helena Sá





Lúcia Helena Sá, Maria Lúcia d'Ávila Pizzolante e Sônia Korte





12 de abril de 2011

UnB DEBAIXO D’ÁGUA



As águas retardatárias das chuvas de abril invadiram o ninho de arquitetos, engenheiros e geógrafos da UnB. Não faltaram avisos nem previsões sempre atribuídas aos agouros de cassandras. Não faltaram preparativos projetados para que as águas chegassem aos porões do saber e da tecnologia. Os prédios da UnB estão bem situados nas ordenadas e coordenadas para acolher milhões de litros de água caídos de repente. Os amplos estacionamentos impermeabilizados para conforto dos automóveis e as vias em declive são inteligentemente desenhados e adequados a armazenar e canalizar água para as profundezas do subsolo. A UnB, com esse puxão de orelhas das leis físicas, operado pela última tormenta poderá desenvolver uma nova disciplina para as próximas gerações de engenheiros e arquitetos: a inteligentsia da água. Tenho certeza de que será útil para conduzir sabiamente a urbanização da metrópole e preservação do patrimônio cultural da humanidade.

(texto de Eugênio Giovenardi)