9 de maio de 2011

extra-CAS cultural

A explicação para a postagem desta ópera está inserida na sessão extra-CAS cultural do dia 5 de maio. Aqui, colocamos apenas o link para melhor acesso.
Aplaudamos. É extraordinário.

YouTube - Va' pensiero... Riccardo Muti speaking about Italian culture, Opera di Roma, 12.03.2011

7 de maio de 2011

extra-CAS cultural

YouTube - O homem que plantava arvores VO legenda em português (1/1

Quiosque da CAS


Emanuel Medeiros Vieira ao sul do efêmero! (Silvério da Costa*)

Há muitos anos, mantenho contacto com o poeta e prosador Emanuel Medeiros Vieira, um dos mais lúcidos autores vivos deste país. Tenho por ele, uma profunda admiração, não só pela sua Arte Literária, mas também, e principalmente pelo ser humano que ele é! Não o conheço pessoalmente, mas a correspondência me basta para o que estou afirmando.

Ele nasceu na Ilha de Desterro e é o caçula de um batalhão de irmãos (17). Foi preso e torturado, durante a ditadura militar por defender a liberdade e a justiça social. Enfim, era um sonhador, um idealista que propugnava por um destino, embora não acreditasse nele, mais condizente com a dignidade humana e mais feliz para todos os brasileiros. Pois é sobre ó último livro publicado por esse extraordinário escritor catarinense, um dos melhores do Brasil, que vou falar. Seu título é “Olhos Azuis – Ao Sul do Efêmero” (Thesaurus Editora/FAC, Brasília, 2009). Trata-se de livro vitaminado (293 páginas de puro enlevo!), pelas confluências do dia a dia, que retrata especificamente, as relações do ser humano, dentro de sua existencialidade, amalgamando o lado doloroso do real com o onírico, nem sempre prazeroso. A figura central do livro é Júlia, sua amiga (namorada?) que, em dado momento, cansou de viver e partiu. (...) Ele desaperta os nós da catarse, para falar da morte e fazer florescer a vida na esteirada tragédia. “Olhos Azuis” é um livro de aguçado e percuciente reflexão sobre a existência e o comportamento humano, que faz refletir sobre a solidão, a passagem do tempo, a quase loucura, as doenças físicas e psicológicas, o absurdo do cotidiano e os bastidores do desespero, tudo extraído dos seus labirintos mais ocultos e quase intocáveis. Mas, ao fim e ao cabo, o livro é, também, uma celebração da vida. “Olhos Azuis” transcende todos os gêneros para desvelar a condição humana. A linguagem é impregnada de um terror quase kafkiano, misturada ao estilo impetuoso, envolvente e inconfundível e arrebatador de Emanuel Medeiros Vieira. Parabéns!

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*Silvério da Costa é escritor português, radicado em Chapecó, Santa Catarina.

Olhos Azuis – Ao Sul do Efêmero (Thesaurus Editora/FAC, Brasília, 2009), foi contemplado com o Prêmio Internacional de Literatura, concedido pela União Brasileira de Escritores –UBE, em 2010, recebendo o “Prêmio Lúcio Cardoso”, para o melhor romance – na avaliação da entidade – publicado no Brasil em 2009.

5 de maio de 2011

extra-CAS cultural

Aconteceu no mês passado e foi um momento inesquecível. Riccardo Muti acabara de reger o célebre coro dos escravos, Va pensiero, do terceiro ato de Nabucco, e o público do Teatro da Ópera de Roma, aplaudia incessantemente e bradava bis! (Cabe lembrar que, para além de sua intrínseca beleza, que é inexcedível, o VA PENSIERO foi também uma espécie de hino informal dos patriotas do Risorgimento – e daí o enorme apelo emocional que preservou entre os italianos.) Que faz, então, Ricardo Mutti? Volta-se para a platéia e, depois de recordar o significado patriótico do Va pensiero, pede ao público presente que o cante agora, com a orquestra e o coro do teatro, como manifestação de protesto patriótico contra a ameaça de morte contida nos planejados cortes do orçamento da Cultura.
É este o link do vídeo que registrou este acontecimento memorável:
http://youtu.be/G_gmtO6JnRs


Va Pensiero
Va', pensiero, sull'ali dorate.
Va', ti posa sui clivi, sui coll,
ove olezzano tepide e molli
l'aure dolci del suolo natal!
Del Giordano le rive saluta,
di Sionne le torri atterrate.
O mia Patria, sì bella e perduta!
O membranza sì cara e fatal!
Arpa d'or dei fatidici vati,
perché muta dal salice pendi?
Le memorie del petto riaccendi,
ci favella del tempo che fu!
O simile di Solima ai fati,
traggi un suono di crudo lamento;
o t'ispiri il Signore un concento
che ne infonda al patire virtù
che ne infonda al patire virtù
al patire virtù!

Da ópera Nabucco de Verdi
Vá, pensamento, sobre as asas douradas
Vá, e pousa sobre as encostas e as colinas
Onde os ares são tépidos e macios
Com a doce fragrância do solo natal!
Saúda as margens do jordão
E as torres abatidas do sião.
Oh, minha pátria tão bela e perdida!
Oh lembrança tão cara e fatal!
Harpa dourada de desígnios fatídicos,
Porque você chora a ausência da terra querida?
Reacende a memória no nosso peito,
Fale-nos do tempo que passou!
Lembra-nos o destino de jerusalém.
Traga-nos um ar de lamentação triste,
Ou o que o senhor te inspire harmonias
Que nos infundam a força para suportar o sofrimento.

Texto que nos chegou: para reflexão

"Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas..
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.
A Cruz deve ser retirada !
Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas.
Não quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas (pobres) morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e pobres."


Frade Demetrius dos Santos Silva - São Paulo/SP

4 de maio de 2011

poétiCAS

PÁSSARO AZUL

(autor: Santiago Naud)



Pássaro azul
que me abismou no vórtice,
pássaro azul.

Pássaro azul
que me bicou nos olhos,

pássaro azul.

Pássaro azul
a me alongar a carne.

Venho embalde da minha infância alada
e debalde caminho à infância eterna.
Baralho o vôo e parto o passo e caio
na mágica de luz que me impulsiona.

Às vezes a razão me obscurece
e o desespero meu quebra pinheiros.
Há vezes que sou humano e revelado
e então meu canto silva em cor e vôo.

Então te escuto,
pássaro azul,
luar grifando o sangue,
coração balançando entre moscardos,
prognata mulher me dando um beijo.

3 de maio de 2011

Para Reflexão

ÉTICA DO PASSADO

O Assessor da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, ex-comunista, meu contemporâneo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nos anos 60, membro da cúpula da Federação de Estudantes do Rio Grande do Sul e, eu, secretário de Relações Sindicais, pensávamos, naqueles anos passados, um país justo e honesto.
Nós queríamos, ingenuamente, chegar ao poder pelas armas, na trilha da gloriosa revolução cubana, uma vez que pelas eleições parecia impossível. Garcia, porém, adaptando-se à camaleonice dos novos tempos do crescimento econômico, à sombra da bandeira da pobreza, chegou ao governo na companhia de velhas raposas que, antes, jurara de morte. A última vez que nos encontramos, casualmente, foi numa esquina de Paris, há mais de 12 anos. O tempo passou.
Nos nove anos de Casa Presidencial, Marco Aurélio Garcia tem dado entrevistas e expressado opiniões no limite da lucidez esquerdista que, por várias vezes, atingiu frontalmente o bom senso. O tempo passou. Passado é passado. Novos conceitos da história, fundamentados na fantasia do Brasil potência, embalados pela insensatez do crescimento econômico, tomaram todo o espaço do raciocínio da esquerda desvairada e esquizofrênica.
Ontem, 30 de abril de 2011, trinta anos depois do temerário incidente do Rio Centro, na reunião do conselho de ética petista se concretizou a reabilitação política de Delúbio Soares, amigo pessoal do ex-presidente Lula. Delúbio Soares é réu em processo que corre no Supremo Tribunal Federal. Marco Aurélio Garcia defendeu a acolhida de Delúbio pelo PT e sem constrangimento ou vergonha justificou os argumentos que recolheram o desafortunado companheiro da rua da amargura e da “execração pública”, segundo palavras de compaixão cristã da senadora Martha Suplicy. Para Marco Aurélio Garcia, o veredito da assembleia petista se ajusta à ética do futuro. “Não vejo – diz Garcia – que Delúbio seja uma pessoa corrupta. Não fez nada em benefício próprio. Houve gestão temerária que trouxe enormes prejuízos. Mas o tempo passou”.
As temerárias fogueiras da Inquisição, em nome de dogmas religiosos, trouxeram poucos benefícios próprios a Alexandre VI, Júlio II ou Leão X. Os temerários campos de concentração e os crematórios nazistas, em nome da pureza da raça, pouco ou nenhum benefício próprio trouxeram a Hitler. O temerário Gulag da ex-União Soviética, em nome da ideologia, poucos benefícios próprios trouxeram ao ex-seminarista Stalin. As temerárias torturas e os mortos nas masmorras do DOI/CODI, em nome do anticomunismo, poucos benefícios próprios trouxeram aos marechais e generais de nossos 25 anos de ditadura militar. O caso Delúbio não se relaciona aos mencionados pelo número de mortos, mas pela semelhança dos métodos de perversão mental, baseada na mentira e na negação dos fatos publicamente registrados, que achincalham gerações presentes e futuras. Mas o tempo passou.
Então, na sequência dos fatos inegáveis, há que se perguntar a Marco Aurélio Garcia e a todo o cabido da ética futura da política, por que manter presos os Batisti, os Cacciola, os Fernandinho Beira-Mar e os 450 mil presos em cárceres desumanos deste país. Em pouco tempo, estarão todos condenados ao passado.
O tempo passou. Os princípios passaram. A era do pensar passou com o tempo. A nova ética do tempo que ainda não passou produz ideólogos e vestais políticos escamoteadores, malabaristas, prestidigitadores, falsificadores da realidade, negociadores de estranhos valores capazes de extinguir o passado pela maquiagem do presente como nunca antes neste país. A que ponto de execração pública foi rebaixada a inteligência política de áulicos do governo, iludidos de exercerem o poder!
1.5.2011


COINCIDÊNCIAS DO PAC

Todo mundo sabe que a senhora Dilma, antes de ser eleita presidente, teve dois filhos, o PAC I e o PAC II. A testemunha ocular dos partos foi seu antecessor que declarou publicamente: ela é a mãe. Não há informações de que, sendo presidente, Dilma poderá gerar outros, aumentando a família até 2014.
Esta sigla, milhares de vezes repetida nos últimos anos, está por PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO. Não entrarei no mérito da execução do Programa, pois essa é uma tarefa do Tribunal de Contas da União, órgão capaz de irritar presidentes por não aprovar as contas superfaturadas dos gastos em pontes, viadutos, represas, trem bala, aeroportos e portos.
A CNBB, com seu olhar crítico, apesar de aliada do governo, em suas reuniões de cúpula, recheadas de lições e opiniões de especialistas em economia e política, trata ironicamente o PAC como Programa de Aceleração do Capitalismo.
Mas a mais contundente coincidência das siglas encontrei ao examinar mais de perto o imbróglio do escritor Cesare Battisti, refugiado no Brasil sob a pecha de criminoso, assassino, comunista e antigo membro do PAC italiano – PROLETÁRIOS ARMADOS PELO COMUNISMO – grupo de extrema esquerda atuante nos anos 70, também chamados anos de chumbo.
Cesare Battisti é simplesmente um escritor com 17 livros publicados, quase todos na França por editoras de renome como Gallimard e Flammarion. Entre outros, está traduzido para o português Minha fuga sem fim, (Martins editora), circulando nas livrarias do nosso país. Segundo informações extra-oficiais, o asilo político lhe foi dado pelo ex-presidente por ser escritor e não terrorista. Embora nos conselhos de segurança nacional se diga que um escritor é um terrorista em potencial e, por isso, seria perseguido na Itália.
O dilema que se põe ao STF é se o Brasil, com a união do PAC da Dilma com o PAC do Battisti e a ironia da CNBB, vai acelerar o crescimento, o capitalismo ou o comunismo.

Humanamente
Eugênio Giovenardi