13 de junho de 2011

À semelhança de Agostinho da Silva



CRESCIMENTO ZERO

Apesar da obsessão incontida do consumo, estimulada por todos os meios de divulgação, incluindo-se subsídios oficiais, as pessoas sentem que algo está errado nessa volúpia de comprar. Intuem, mas são intimidados pelo próprio conformismo de expressar seu sentimento sobre esse perigo que se anuncia.
O delírio do crescimento econômico que incita a produzir mais para consumir mais, está nos levando para o impasse, a frustração e o desastre. Há que deter a expansão econômica impulsionada a qualquer custo, pois a mina de ouro – a natureza – é limitada. A tendência inteligente aponta para o decrescimento gradativo rumo ao estágio do crescimento zero, equilibrado, sensato para chegar ao ponto ômega em que o corpo se encontre com a alma e vice-versa.
Uma nova atitude diante das ameaças à vida no planeta poderá encontrar formas radicais de contenção do crescimento econômico sem perder a ternura. Deverá ser possível buscar o caminho do decrescimento inteligente ou a inteligência capaz de alcançar o estágio do crescimento zero (CZ). O primeiro passo é programar o crescimento zero da população. Menos gente, menos agressão à natureza, menos tudo. A economia pode mudar seu enfoque para se desligar dos sentimentalismos religiosos e do assistencialismo político da opção pelos pobres e declarar corajosamente sua opção pelos ricos. Eles são minoria no mundo. Isto significa drenar em profundidade a riqueza acumulada em poucas mãos para aplicá-la na contenção demográfica através de incentivos públicos à redução da expansão da população. Trata-se de inverter os papéis estratégicos das funções do Estado: administrar a riqueza e não a pobreza.
Por outro lado, expande-se cada dia mais, entre as mulheres, a sensação benéfica de que a felicidade feminina não precisa de cinco gravidezes para consolidar a maternidade. Há, portanto, condições favoráveis para o crescimento zero da população e, consequentemente, o crescimento zero da economia. Há que se caminhar na direção de prover a sociedade humana de bens socializáveis e reduzir os bens materiais individualizáveis. A tecnologia eletrônica de comunicação mundial é um dos exemplos de bens socializáveis. Dá-se, dessa forma, mais amplo espaço às pessoas para desfrutarem o essencial da existência que é a própria vida, um bem intransferível.
(Introdução ao estudo sobre o tema)
Eugênio Giovenardi
11.6.2011

crítiCAS

Por que não existem ONGs no Nordeste seco?
Você consegue entender isso?.
Vítimas da seca
Quantos? 10 milhões
Sujeitos à fome? Sim
Passam sede? Sim
Subnutrição? Sim
ONGs estrangeiras ajudando: Nenhuma
Índios da Amazônia
Quantos? 230 mil
Sujeitos à fome? Não
Passam sede? Não
Subnutrição? Não
ONGs estrangeiras ajudando: 350
Provável explicação: A Amazônia tem ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e ferro do mundo, diamante, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata, a maior biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares.
O nordeste não tem tanta riqueza, por isso lá não há ONGs estrangeiras ajudando os famintos.
Tente entender: Há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia brasileira do que em todo o continente africano, que sofre com a fome, a sede, as guerras civis, as epidemias de AIDS e Ebola, os massacres e as minas terrestres. Agora, uma pergunta: Você não acha isso, no mínimo, muito suspeito? É uma reflexão interessante.
(Jaime Andrade)

Fernando Pessoa

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

(Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935)

11 de junho de 2011

CAS em convergência lusófona

Segundo o noticiado em vários órgãos de comunicação social portugueses, as instituições de ensino superior dos países lusófonos estudam a criação de um programa de mobilidade que se definirá no encontro da Associação de Universidades de Língua Portuguesa (AULP) que já acontece em Bragança.
A CAS apoia essa proposta que põe em evidência um dos ideais pedagógicos de Agostinho da Silva há muito por ele efetivado quando da formação do Centro de Estudos Afro-Orientais na Bahia dos anos 50 do século XX.
A Convergência da Língua Portuguesa realizada no âmbito educacional é urgente e precisa para alavancar, a partir do Brasil e Portugal, o livre curso de estudantes e docentes no espaço lusófono, mantendo-se o respeito às diferenças político territoriais de cada país membro da CPLP, mas, promovendo o incentivo ao conhecimento da cultura de língua portuguesa entre culturas, bem como o apoio ao desenvolvimento social e econômico, livre de qualquer ranço ou tentativas de neocolonialismo, que reforcem o bem estar de todos os cidadãos indiferentemente de raça ou credo.
Primamos pela divulgação do pensamento e obra do professor luso brasileiro Agostinho da Silva e, por isso, o seu nome deverá intitular o Programa de mobilidade lusófona que é discutido no XXI Encontro da Associação de Universidades de Língua Portuguesa.

CAS em alerta

A CAS apoia iniciativas de proteção e conservação do meio ambiente. Sendo assim, registra uma ação do Greenpeace e solicita maior participação e transparência do Governo brasileiro sobre a usina nuclear de Angra 3.


O Greenpeace foi ontem até a embaixada da Alemanha em Brasília para expor uma contradição do governo de Angela Merkel, que apresentou um plano para livrar seu país da geração nuclear até 2022, mas manteve o financiamento alemão que viabiliza a construção da usina nuclear de Angra 3.

Apesar dessa estranha concepção de que o que não é bom para a Alemanha é bom para o Brasil, Merkel pelo menos tomou uma atitude contra uma forma de energia que, como provam Chernobyl e Fukushima, não é apenas cara mas extremamente perigosa.

Merkel não está sozinha. Na esteira do acidente com os reatores de Fukushima, vários outros países – China, Suíça, Estados Unidos – reviram as políticas de expansão de seus parques nucleares ou apertaram os requerimentos de segurança. Aqui, o comportamento do governo em relação ao assunto tem sido caracterizado pela mais absoluta falta de transparência.

Nem a ciber carta que dirigimos à Dilma depois de Fukushima conseguiu quebrar o silêncio do governo sobre nuclear ou decidir de forma clara sobre o futuro energético do Brasil. A carta foi assinada por quase 40 mil pessoas que continuam sem resposta sobre seu pedido para suspender a construção de Angra 3. Essa postura é um claro sinal de que precisaremos redobrar nossos esforços para livrar o país desta geração de energia cara e suja. E a sua participação, apesar de não demover Dilma, é um imenso incentivo a nós do Greenpeace. A todos que assinaram a carta, nosso mais profundo obrigado.
Fique de olho na campanha de energia do Greenpeace.

10 de junho de 2011

poétiCAS

“Ontem E Hoje De Dia E À Noite”

Hoje matei um mosquito
Hoje sou um herói da existência
Hoje estou orgulhoso de minha valentia
Hoje provei que só o medo me amedronta
Hoje tornei-me superior à sombra do dia-a-dia

Amanhã esconder-me-ei num buraco sem fundo
Amanhã caminharei por um bêco sem saida
Amanhã voltarei a seguir o sentido da vida
Amanhã regressarei à essência das coisas
Amanhã procurarei ser modesto

Hoje mantenho-me erecto
Hoje dispo-me de remorsos
Hoje desligo-me de promessas vãs
Hoje penduro-me numa realidade virtual
Hoje engajo-me em usar máscaras paralelas

Amanhã talvez pense melhor do que ontem
Amanhã tentarei remoer o passado sim
Amanhã olharei para o vazio recente
Amanhã amansarei o coração
Amanhã dissiparei a névoa

Hoje ainda estou indeciso
Hoje há insegurança no que decido
Hoje está tudo tão semelhante ao habitual
Hoje irei imaginar a correnteza forte de um rio
Hoje meu pensamento desaguará num oceano imenso

Um dia tudo se resumirá num só ponto final
Um dia pararei de escrever no abstracto
Um dia acabará o papel do guião
Um dia o cenário findará
Um dia será noite...

Escrito em Luanda, Angola, a 09 de Junho de 2011, por manuel duarte de sousa, em Alusao aos passar dos tempos e da vida...

7 de junho de 2011

Do Agostinho em torno do Pessoa

POEMA RECENTE DE FERNANDO PESSOA

Quando eu amei a Ofélia
foi só Baixa de Lisboa
algum talento umas graças
e beijo que nem ressoa.

Convencido fiquei eu
que era como um rei da vida
já todo o ser quando for
será só o que eu decida.

Mas com esta que surgiu
como a vou eu merecer
só regressando ao divino
e não voltando a nascer.
(Texto recolhido de SILVA, Agostinho da. Do Agostinho em torno do Pessoa. Lisboa:Ulmeiro, 1997, p. 13)