31 de julho de 2011

Tenemos que reaprender lo que es gozar...

“Tenemos que reaprender lo que es gozar. Estamos tan desorientados que
creemos que gozar es ir de compras. Um lujo verdadero es un encuentro
humano, un momento de silencio ante la creación, el gozo de una obra
de arte o de un trabajo bien hecho. Gozos verdaderos son aquellos que
embargan el alma de gratitud y nos predisponen al amor. La sabiduría
que los muchos años me han traído y la cercanía a la muerte me
enseñaron a reconocer la mayor de las alegrías en la vida que nos
inunda, aunque aquélla no es posible si la humanidad soporta
sufrimientos atroces y pasa hambre”.

Ernesto Sábato
(Texto que nos foi enviado pelo Artista Plástico Rômulo Andrade, membro fundador da CAS)

24 de julho de 2011

Aristides de Souza Mendes por Jorge da Paz Rodrigues

Aristides de Souza Mendes (19/7/1885 – 3/4/1955)

“O exemplo é a escola da Humanidade” – Winston Churchill

1. Estranhamente, com excepção de Mário Crespo e do seu “Jornal das 9” na SIC Notícias, que a Aristides se referiu ontem, entrevistando o seu neto com o mesmo nome, e a quem daqui agradeço, passou em claro nos órgãos de informação portugueses mais um aniversário do nascimento do Cônsul Aristides de Souza Mendes, ocorrido em 19-7-1885, tendo falecido em 3-4-1954 no Hospital da Ordem Terceira, em Lisboa, na maior miséria, pois já não tinha nada para vestir e foi sepultado na sua terra, Cabanas de Viriato, envergando um hábito franciscano.
Também estranhamente, a sua bela Casa do Passal, sita em Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal, apesar de ter sido classificada como património nacional, continua em ruínas, abandonada, apesar de há muito existir um projecto para a recuperar e lá instalar um Museu à Paz e aos Direitos Humanos.
Ora, este humanista e corajoso Homem não merecia este estranho esquecimento dos homens e especialmente do poder político… tanto mais que ele foi não só um precursor da defesa dos Direitos Humanos como, para mim, foi o maior herói português do séc. XX. Vejamos porquê.

2. Um verdadeiro herói Lusófono
Herói é, em geral, o que se evidencia de armas na mão, perante circunstâncias desvantajosas. Permitam-me que vos fale hoje de um herói diferente, que não matou nem molestou ninguém e que, ‘armado’ apenas de uma simples caneta, salvou, em 1940, mais de 30.000 vidas humanas de uma morte certa nos campos de concentração nazis.
Como Diplomata de carreira, Aristides ocupou diversas delegações consulares portuguesas pelo mundo fora: 1910, Guiana Britânica; 1911, Galiza (Espanha); 1911-1918, Cônsul em Zanzibar, cujo Sultão o condecora pela sua ação política na I Guerra Mundial; 1918-1921, Curitiba (Brasil), onde lhe nasce 1 filha; 1921, S. Francisco (EUA), onde nascem mais 2 filhos;1924-1927, Maranhão e Porto Alegre (Brasil); 1927-1929, Vigo (Espanha); 1929-1938, Antuérpia e Grão Ducado do Luxemburgo; até que, em Setembro de 1938 é nomeado Cônsul-Geral de Portugal em Bordéus (França), estando, pois, aí, quando eclodiu a II Guerra Mundial, em 1939.
Para melhor se compreender o seu gesto heróico, convém salientar que era então patente uma ação encapotada pró-nazi do Chefe de Governo Português, Oliveira Salazar e da então PVDE (polícia política do ditador), que não só foi treinada como em boa parte equipada pela Gestapo (tristemente famosa polícia política nazi). Salazar acumulava a Presidência do governo com a pasta de Ministro dos Negócios Estrangeiros e o cúmulo da sua desfaçatez de pseudo-neutralidade está patente na sua famigerada “Circular 14”, proibindo os diplomatas de dar vistos a apátridas, refugiados ou sem pátria, determinando que recusassem vistos aos “estrangeiros de nacionalidade indefinida, contestada ou em litígio; aos apátridas, aos judeus, quer tenham sido expulsos do seu país de origem ou do país de onde são cidadãos”, quando vários países já estavam ocupados: Áustria, Checoslováquia, Polónia, Luxemburgo, Holanda, Bélgica e de, num ápice, os nazis terem invadido a França. Daí magotes de pessoas fugirem pelo chamado corredor de Bordéus para a liberdade.
Aristides, homem de sólidos princípios morais e éticos, resolve desobedecer a essa iníqua ordem, perante a perseguição e o extermínio nazi de que tinha notícia, pois, como Cônsul experiente e inteligente, tendo sido colocado em Bordéus em 1939, soube atempadamente o que Hitler estava a fazer e nomeadamente que, em 25/1/1940 os nazis acabaram de construir o campo de concentração de Auschwitz e que para o mesmo foram conduzidos imensos prisioneiros a partir de 20/5/1940, pelo que o seu espírito de homem de bem temeu o pior e logo em Maio de 1940 passou os primeiros vistos. Até que, em Junho, perante a avalanche de refugiados, esteve três dias e três noites sem parar a passar vistos.
Segundo o testemunho do Rabino de Antuérpia, Jacob Kruger, Aristides passou 30.000 vistos em Bordéus (1/3 dos quais a Judeus), mas dali ele foi ainda aos Sub-Consulados de Bayonne e Hendaye, sob sua jurisdição, emitindo também muitos vistos, mas Salazar furioso logo o destituiu e obrigou a regressar a Portugal. Pois mesmo pelo caminho ele passou vistos, pelo que o número de vidas que salvou foi, com certeza, muito superior a 30.000, segundo uns 35.000, segundo outros 38.000.
Aristides na verdade desobedeceu a Salazar, mas tal desobediência foi inteiramente justificada, perante uma ordem desumana. Com efeito, como jurista, quero aqui salientar um aspecto de Direito que ainda não vi invocar: era e é legal agir em legítima defesa de terceiros e foi isso, precisamente, que o Cônsul fez, pois mais do que respeitou os requisitos essenciais da legítima defesa – perigo eminente, adequação e proporcionalidade de meios na defesa de terceiros – já que se limitou a usar uma “pacífica” caneta e um carimbo.
Esclareço que, na minha opinião de jurista, a famigerada “Circular 14” é que era ilegal e anticonstitucional, pois, apesar da Constituição Portuguesa de 1933, então vigente, ser protofascista, já proibia a não discriminação entre pessoas de raças e credos diferentes e foi isso que Aristides respeitou. Salazar é que não cumpriu o que tal Constituição estabelecia e, num comportamento ignóbil, mesquinho e vingativo, moveu-lhe um processo disciplinar e em 23 de Junho de 1940 aposentou-o compulsivamente da função pública (demitiu-o) e condenou-o autenticamente a uma morte lenta, ao proibi-lo de exercer qualquer profissão, mormente advocacia.
Aristides, como jurista, bem se tentou defender, mas tudo em vão. No processo disciplinar Salazar usou o seu poder discricionário e decidiu demiti-lo e condená-lo a uma morte em vida, como já referi, e não obteve justiça no então Tribunal Administrativo – único a que na altura podia recorrer, pois inexistia então o Tribunal Constitucional nem era possível a um funcionário recorrer aos Tribunais comuns – sendo que os Juízes daquele eram escolhidos a “dedo” pelo poder vigente. Tal como nada conseguiu do seu apelo à então Assembleia Nacional, como bem se compreende, pois a mesma era na totalidade composta por membros do partido único, designado “União Nacional”, como aliás era timbre das ditaduras de tipo fascista, como era a de Salazar.
Mas a história não acaba aqui, pois continuou com dois dos filhos de Aristides, Carlos Francisco Fernando e Sebastião Miguel Duarte, nascidos nos EUA em 1922/23, quando ele foi Cônsul em S. Francisco, que deram sequência ao corajoso ato de seu pai, alistando-se, em 1943, no exército americano (tinham dupla nacionalidade). Terão sido os dois únicos portugueses que participarem no dia “D” – 6.6.1944 – data do desembarque dos Aliados na Normandia, combatendo os nazis até Berlim.

3. Para quando a recuperação da Casa do Passal?
Por tudo quanto antecede e não só, apelo daqui, deste humilde blogue, para que todos os homens livres, justos e de bons costumes, unam esforços em prol da recuperação da Casa do Passal, desde logo reclamando junto do poder político e municipal, para que finalmente lá seja instalado um Museu à Paz e aos Direitos Humanos, como o nobre gesto de Aristides mais do que justifica.

Publicado em 20-7-2011 no blogue ‘JorgePaz’ do site www.sol.pt



17 de julho de 2011

Entrevista com Agostinho da Silva

Partilhamos com os Amigos da CAS o vídeo de uma entrevista com o professor Agostinho da Silva, gravado em de março de 1990 em sua residência, nos enviado por Ivan Silvestre.

14 de julho de 2011

CAS e transformação mundial

A Direção da CAS apoia toda manifestação a favor da liberdade de expressão, do direito à vida digna sem opressões aos pobres e miseráveis, às mulheres e crianças. Todos os homens, indistintamente, devem ter assegurados seus direitos à educação, à saúde, à criatividade criadora para transformar o mundo, reformando o sistema político e econômico a que o capitalismo nos enformou e deformou pessoas e instituições.
Lúcia Helena Sá (Presidente da CAS)
Vídeo enviado por Artur Alonso Novelhe

A Universidade de Brasília por Emanuel Medeiros Vieira

SÓRDIDO E IGNÓBIL ATAQUE À UnB EM MATÉRIA DE ESGOTO DA DIREITA BRASILEIRA

Por Emanuel Medeiros Vieira


Para a minha filha Clarice, que com sensibilidade, garra e talento estudou na humanística e digna UnB
E em memória de Honestino Guimarães -asassinado pela ditadura militar

POR FAVOR, DIVULGUEM!

As ideias que gestaram a UnB são das mais generosas que a América do Sul já conheceu.
Era um sonho maior.
Mesmo interrompido pelo Golpe de 1964, ele não morreu.
E continua crescendo.
Da maneira mais sórdida, vil e ignóbil, em matéria escrita no esgoto da direita brasileira, pela revista "Veja" - cada vez mais reacionária, rancorosa, fundamentalista, beirando o fascismo - a universidade é atacada.
Em verdade, quem é atacado é o humanismo.
E a esperança
Os ratos não sabem conviver com o humanismo.
Os fascistas não querem a diminuição da desigualdade.
Só falta, a "Veja" berrar - como o general fascista na Guerra Civil Espanhola: "Abaixo, a inteligência! Viva a morte!"
Não me alongarei.
Doi ver que jovens jornalistas estão vendendo tão cedo as suas almas aos podres poderes, em troca de pecúnia ou de desonrosas intenções.

Quem me lê, conhece minhas viscerais diferenças em relação ao PT.
Condeno o partido por outros motivos e razões, como a negação dos princiípios republicanos.
É outra coisa.
Uma matéria contra a UnB é muito perigosa para quem desconhece sua história, ainda mais em tempos tão áridos, medíocres, individualistas e pós-utópicos.
(Brizola dizia que os fundadores da editora que publica a revista eram mafiosos fugidos da Itália.)
É preciso não se calar!
É preciso dizer não!
Reitero: disseminem a mensagem para mostrar que a UnB não está só. E que enfrentou períodos mais ásperos.

Salvador, jullho de 2011

13 de julho de 2011

As canéforas de Tomar

As canéforas de Tomar
Ou a “Festa dos Tabuleiros de Tomar”

Ou ainda a Festa em honra do Divino Espírito Santo, que teve lugar no passado fim de semana naquela cidade, que foi sede da Ordem dos Templários em Portugal, a cuja extinção o rei D. Dinis se opôs, negociando com o Papa, entre 1300-1309, logrando transformá-la em Ordem de Cristo e salvando os Templários.

Muitos ignoram que foram os Templários que introduziram em Portugal o culto ao Divino Espírito Santo, cerca de 1180, culto esse que a Rainha Santa Isabel, esposa de D. Dinis, depois apadrinhou e patrocinou. E tal devoção foi levada para o Brasil, onde até existe um estado que se chama precisamente Espírito Santo, existindo também tal culto no estado de Stª Catarina, devido aos nossos emigrantes açorianos, e no da Bahia.

Uma ilustre professora universitária de Brasília, de quem tenho a honra de ser amigo, Lúcia Helena Alves de Sá, que foi discípula de Agostinho da Silva, acaba de me remeter um bonito e expressivo poema de Cecília Meireles, bem a propósito e que passo a transcrever:

"Festa dos Tabuleiros de Tomar"

As canéforas de Tomar
levam cestos como coroas,
como jardins, castelos, torres,
como nuvens armadas no ar.

Estas gregas do Ribatejo,
nesta procissão, devagar,
não são apenas de Tomar:
são as canéforas dos tempos...

Para onde vão, com o mesmo andar
de milenares portadoras,
levando pão, levando flores,
as canéforas de Tomar?

Para que sol, para que terra,
para que ritos, a que altar,
as canéforas de Tomar
os primores do mundo levam?

O pombo cristão vem pousar
no altar dos cestos: pães e rosas
ides dar aos presos e aos pobres,
as canéforas de Tomar?

(poema incluído na obra Poemas de Viagem)

Nota: ‘canéfora’ é uma palavra antiga que significa figura humana esculpida, representando uma mulher com uma cesta à cabeça ou mulher que carrega cestos, tal como sucede em Tomar, em que as jovens carregam à cabeça um tabuleiro com a altura de cada uma delas.

Publicado no blogue ‘Brutus’ do site www.sol.pt

Link:



Delícias Portuguesas

As “7 Maravilhas da Gastronomia” são um promotor por excelência da identidade nacional de Portugal. Após a divulgação e promoção do património histórico e natural do nosso país, para consolidar os grandes valores e paixões dos portugueses, reconhecido e apreciado em todo o mundo pela sua diversidade, pelos sabores únicos e qualidade dos produtos e em que o público participa através do voto, desta promoção da Presidencia da Republica, Turismo de Portugal e quasde uma centena de entidades e imprensa.
Numa primeira fase foram selecionados 70 pratos, dos quais sairam 21 semi finalistas dos quais, dia 7 de setembro, serão obtidos 7 dos mais dignos representantes da culinária lusitana. As 21 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa selecionadas são:
Alheira de Mirandela, Açorda à Alentejana, Amêijoas à Bulhão Pato, Bacalhau à Gomes de Sá, Coelho do Porto Santo à Caçador, Chanfana, Pastéis de Tentúgal, Pastel de Belém, Pastel de bacalhau, Caldo Verde, Arroz de Marisco, Polvo Assado no Forno, Coelho à Caçador, Leitão da Bairrada, Queijo Serra da Estrela, Sopa da Pedra, Xarém com Conquilhas, Sardinha Assada, Perdiz de Escabeche, Tripas à Moda do Porto, Pudim Abade de Priscos
Já divulgados aqui alguns dos semi-finalistas (Polvo Assado no Forno, Caldo Verde, Sardinha Assada na Brasa,Leitao à Bairrada,Pasteis de Tentugal, e hoje trazemos mais uma indicação em forma de doceria.
PASTEL DE BELEM (Pastel de Nata)
No início do Século XIX, em Belém, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, laborava uma refinação de cana-de-açúcar associada a um pequeno local de comércio variado. Como consequência da revolução liberal ocorrida em 1820, são em 1834 encerrados todos os conventos em Portugal, sendo expulsos o clero e os trabalhadores. Numa tentativa de sobrevivência, alguém do Mosteiro põe à venda nessa loja uns doces pastéis, rapidamente designados por “Pastéis de Belém”. Na época, a zona de Belém era distante da cidade de Lisboa e o percurso era assegurado por barcos de vapor.
No entanto, a imponência do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém atraíam os visitantes que depressa se habituaram a saborear os deliciosos pastéis originários do Mosteiro. Em 1837 inicia-se o fabrico dos “Pastéis de Belém”, em instalações anexas à refinação, segundo a antiga “receita secreta”, oriunda do convento, a qual é exclusivamente conhecida pelos mestres pasteleiros que os fabricam artesanalmente, na “Oficina do Segredo”. Esta receita mantém-se igual até aos dias de hoje.
De facto, a única verdadeira fábrica dos “Pastéis de Belém” consegue, através de uma criteriosa escolha de ingredientes, proporcionar hoje o paladar da antiga doçaria portuguesa.
Mas os cearenses poderão apreciar esta delicioso doce. A Panificadora Nogueira produz aqui em Fortaleza com boa qualidade e por isso é fornecedora aos melhores hoteis e restaurantes portugueses como “Marques da Varjota”, “El Rey”, “Timoneiro” ou “João do Bacalhau”. A “Nogueira” tem fábrica em Mesejana, (3276-6061) mas já nos próximos dias abre moderna casa na Aldeota.

(Informação enviada por Jorge da Paz Rodrigues, Amigo da CAS)