8 de setembro de 2011

poétiCAS

Poesia na árvore

Eu prefiro frases feitas...
Lê-las, e pensar que são minhas!
Dizer: Eu te amo...
Usando velhos clichês
Finjo ser poeta
Às vezes contista...
Uso velhos clichés
‘’Porque dizer eu te amo...
Não é dizer bom dia!’’
Escuto velhas músicas!
E chego a pensar que a dor é minha.
Mas não é!!!
Penso em ser prosador...
Para voltar para a minha infância...
Aonde corro e corro de novo...
Corro entre becos e vielas...
...de braços abertos!
Finjo ser poeta...
...na pós-modernidade!
A ignorar regras, rimas e métricas...
A desdenhar de antigas elegias!
Todas as velhas fórmulas prontas e acabadas.
Velhas formas de amar musas intocadas...
Finjo ser versejador...
Nos tempos modernos!
E em meus versos!
Sinto que não fosses embora...
Estas perdida...entre os meus versos...
Mais profanos...
Finjo...que não te perdi para sempre,
Às vezes leio velhas poesias.
Mas, só às vezes...
E penso que são meus...
Aqueles idílios de saudade...
Eu gostaria ser um poeta.
Para pensar que não te perdi para sempre...
Imortalizar-te-ia em meus versos!
Às vezes penso ser poeta!
Na pós-modernidade!
A usar velhos clichés!
E digo: ’’Dizer te amo...não é dizer bom dia
Samuel Costa é poeta em Itajaí SC

3 de setembro de 2011

FREI BETTO: Apenas observando

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam.
Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: "Qual dos dois modelos produz felicidade?"
Estamos construindo super-homens e super mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito.
Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: "Como estava o defunto?". "Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!"
A publicidade não consegue vender felicidade, então passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: "Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!"
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo o condicionamento.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista.
Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas.
Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: "Estou apenas fazendo um passeio socrático". Diante de seus olhares espantados, explico: "Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !"
FREI BETTO

30 de agosto de 2011

Corresponda ao apelo: Timor-Leste


Exmo. Sr. ou Sr.ª:
A Guarda Nacional Republicana encontra-se desde meados de 2006 numa missão de apoio à paz em Timor-Leste. Desde então, tem vindo a contribuir significativamente para a manutenção da ordem e da tranquilidade pública naquele país, mas também, desenvolvido diversos e bem sucedidos projectos de solidariedade social.
O contributo que temos vindo a dar aquele país irmão tem sido reconhecido nacional e internacionalmente e tem estreitado as relações entre dois países historicamente ligados.
O próximo contingente da GNR em Timor-Leste, com partida em finais de Outubro de 2011 e duração de 6 meses, pretende dar continuidade a esses projectos, com especial atenção para a época natalícia que se avizinha, onde ambicionamos proporcionar um Natal único e inesquecível às crianças Timorenses.
Para atingir esse desidrato necessitamos da colaboração dos Portugueses em geral e de V.Exa em particular. Procuramos entidades públicas ou privadas, solidárias com aquele País, que se juntem a nós nesta iniciativa para proporcionar um Natal melhor e mais feliz às crianças Timorenses.
Na qualidade de próximo comandante do contingente da GNR, venho por este meio, solicitar a V.Exa a doação de qualquer tipo de artigo em estado novo que possa ser oferecido a uma criança/jovem. Nomeadamente, artigos escolares e didácticos em geral, roupa de verão e sapatos, ou qualquer outro que entenda conveniente.
Disponibilizamo-nos para os recolher em qualquer ponto do País, dentro da medida do possível e das fortes restrições orçamentais a que a GNR se encontra actualmente sujeita, ficando no entanto, a garantia de serem transportados para Timor-Leste e ali distribuídos em estreita colaboração com a Fundação Alola.
Estando previsto a ampla mediatização deste evento o seu contributo será com certeza reconhecido, mas principalmente, alvo de um profundo agradecimento por parte do povo Leste-Timorense.
Despeço-me apelando ao seu contributo e agradecendo desde já a atenção disponibilizada.
Com os melhores cumprimentos,

Capitão Duque Martinho
Guarda Nacional Republicana, Unidade de Intervenção – +35121358900

24 de agosto de 2011

CEAO - Centro de Estudos Afro-Orientais, Instituição de pesquisa fundado por Agostinho da Silva em 1957.

Inscrições abertas para 3º Congresso Baiano de Pesquisadores Negros e III Seminário Áfricas

Estão abertas as inscrições para o 3º Congresso Baiano de Pesquisadores Negros e o III Seminário Áfricas, que acontecerá na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) no Campus V – Santo Antonio de Jesus no período de 12 a 16 de outubro de 2011. Este encontro de caráter interdisciplinar, que é uma promoção da Associação Baiana de Pesquisadores Negros (APNB) e da Rede Internacional de Estudos Africanos e da Diáspora (READI) em parceria com universidades estaduais (UEFS, UNEB, UESB, UDESC) e federais (UFBA, UFRB) do estado, tem como tema ÁFRICA E DIÁSPORA: PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS.

O objetivo desse evento é reunir pesquisadores, professores e demais interessados na temática dos Estudos Africanos e Afro-Brasileiros, nacionais e estrangeiros, com o propósito de intercambiar experiências de pesquisa e promover debates interdisciplinares, estimulando diálogos com pesquisadoras/es e instituições nacionais e internacionais de pesquisas, intensificando a ampliação de debates e proposições na área de relações étnico-raciais, para fortalecer a rede de pesquisa internacional entre as populações negras do Brasil, da diáspora africana nas Américas e dos países africanos.
Mais informações http://apnb.org.br/http://apnb.org.br/




19 de agosto de 2011

Hoje - Abertura da 48ª Festa do Boi de Seu Teodoro - A Matança do Gado

Por seu desempenho cultural, Mestre Seu Teodoro, é considerado um dos pioneiros na cultura popular de Brasília, ao introduzir na capital, inúmeros aspectos da cultura maranhense, como o Bumba-meu-Boi, Tambor de Crioula e Cacuriá.

Em 1961, a convite de Ferreira Gullar, Seu Teodoro traz o Grupo do Boi para os festejos do primeiro aniversário da fundação de Brasília. Gosta da cidade e muda-se para Sobradinho. Por intermédio de intelectuais influentes, tais como o folclorista Edson Carneiro, o antropólogo Darcy Ribeiro, o poeta Ferreira Goulart, ocupa no quadro de funcionários da UnB, o cargo de contínuo. Nesta Universidade trabalha durante 28 anos. É nesse meio universitário que Seu Teodoro conhece o lusobrasileiro George Agostinho Baptista da Silva, professor da Universidade, idealizada por Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira e outros. O filósofo Agostinho da Silva aprimorou a formação intelectual de Seu Teodoro, dando-lhe uma visão da cultura popular brasileira e da mitologia Grega.

Agostinho frequentemente ia ao Barracão para entender e ensinar a importância do Festejo do Boi para a formação da cultura brasileira, cujo ritual remontava o mundo helênico. O Bumba-meu-Boi é uma recriação mítica da Era do Espírito Santo que integra aspectos do sagrado e do profano. O Mestre Agostinho evidencia para o grupo de Teodoro que as Festas do Boi, reavivam questões político-sociais que têm raízes na Batalha de Alcácer Quibir e marca o desaparecimento do rei D. Sebastião. Como consequência, ao final do ritual Bumba-meu-Boi os participantes reverenciam o santo São Sebastião. Ademais, a herança religiosa portuguesa é tão revivida no bailado do Bumba-meu-Boi, que é possível fazer um paralelo simbólico da morte e da ressurreição de Cristo. Este modo de pensar o Boi por Agostinho da Silva, deu oportunidade aos integrantes do Bumba de Teodoro a terem um entendimento filosófico das ações festivas do rito.

Confiram a programação da 48ª Festa do Boi de Seu Teodoro


LOCAL: Sede do Barracão do Grupo. Quadra 15 – AE n° 2 – Sobradinho I

DATA: 19 a 21/08/2011

HORÁRIOS: 19h-23h30(6ªf) // 15h-23h30(Sáb) // 5h às 19h (Dom)

Entrada Franca e Classificação Livre





15 de agosto de 2011

Exposição Brasiliana Itaú em Brasília











Panorama de São Luiz do Maranhão, c. 1860 | Joseph Léon Righini | Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural 

Pinturas, aquarelas, desenhos, gravuras, mapas, documentos e livros ligados à história do Brasil desde o período colonial até as primeiras edições dos álbuns produzidos no século XIX, assim como os livros de artistas ilustrados do século XX, invadem o Distrito Federal com a chegada da mostra Brasiliana Itaú ao Museu Nacional do Conjunto Cultural da República.

Com curadoria de Pedro Corrêa do Lago, a exposição fica em cartaz de 14 de julho a 21 de agosto. Entre seus destaques estão um retrato de Dom Pedro II ainda jovem, feito por Rugendas em 1846, a pintura Povoado Numa Planície Arborizada, de Frans Post, que retrata um típico vilarejo nordestino do começo do século XVII, além de um conjunto de quadros e gravuras de viajantes e naturalistas. 

A última parte da mostra contém livros de grande importância para a cultura brasileira, manuscritos de todos os governantes do país e documentos do período da escravidão. Também será exibida uma coleção em que a obra de grandes artistas se mescla com o trabalho de importantes escritores.

O acervo completo da Brasiliana conta com 1,2 mil itens, com cerca de cinco mil imagens.
Hoje, dia 15 de agosto às 19h, haverá uma mesa-redonda com a  participação do curador, Pedro Corrêa do Lago; do diretor da CAL, Zulu Araújo,  e do diretor do Museu Nacional da República, Wagner Barja. Amanhã, 16 de agosto, haverá visita-guiada com o curador às 16h.

Local: Museu Nacional Honestino Guimarães (Conjunto Cultural da República)
Data: até 21 de agosto
Visitação: de terça à domingo, das 9h às 18h30