14 de setembro de 2011

CAS em reflexão

O Barulho da Carroça

Certa manhã meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque.

Ele se deteve numa clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:

-- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?

Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:

-- Estou ouvindo um barulho de carroça.

Isso mesmo, disse meu pai. É uma carroça vazia.

Perguntei-lhe:

-- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?

-- Ora, respondeu meu pai, é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz!

Tornei-me adulto e, até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grossura inoportuna, prepotência, interrompendo a conversa de todo mundo e querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, ou sentindo-se melhor que as outras, marrenta, orgulhosa, tenho a impressão de ouvir o meu pai dizendo:

“Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz!”


10 de setembro de 2011

Viagem a Portugal: A crise não abalou a beleza nem a gentileza


(Mafra) A crise não abalou a beleza nem a gentileza. Estar em Portugal é estar em família, é plenitude, é resgatar raízes e submissão a um contínuo aprendizado.
Em viagem a Portugal, Saramago desvenda um país belo e profundo. Guardando tradições seculares, Portugal se impôs ao mundo, singrou mares, desbravou terras. Com muita garra e determinação fez-se cultura e civilização.
Nos últimos anos acompanhamos grandes mudanças no modo de vida português. Desta vez, inspirado em Saramago, buscamos um Portugal profundo com suas preciosas aldeias talhadas em pedra que acumulam tempos memoriais.
Dos blocos brutos aos refinados recortes a paisagem encanta e toca. Optamos por estradas sinuosas e renovamos nossos laços com a terra e com o povo numa junção de corpo e alma, um único destino que só os que sentem a alma lusitana conseguem compreender.
Paisagens repletas de história, expõem diferentes tempos do trabalho, do lazer, da vida. Em vários momentos a ideia de plenitude, de perfeição. Tudo em seu devido lugar, independente de simetria, um arranjo perfeito.
Os portugueses são hábeis na arte de construir, de fazer, de compor. As curvas e as retas se completam. Os ângulos adquirem um sentido estético extraordinário. Uma sucessão de aldeias e vilas mostram um urbanismo refinado, sem grife, sem marcas visíveis de academicismo. As rochas dominadas por mãos calejadas adquirem formas variadas e belas. Os jardins, numa profusão de cores completam a composição.
A crise econômica europeia pega Portugal e maltrata por demais seu povo. A melancolia, típica manifestação lusitana, transforma-se em fados chorosos, lindos, mesmo que pura expressão de perda e dor. Esse povo forte, bravos heróis do mar, acostumou-se aos desafios. Intrépido e valente cruzou fronteiras e com trabalho árduo garante sua dignidade.
A crise não abalou a beleza nem a gentileza. Estar em Portugal é estar em família, é plenitude, é resgatar raízes e submissão a um contínuo aprendizado.
Portugal certamente se reinventará e saberá prosseguir em sua viagem trilhando os passos de Camões, de Fernando Pessoa, Eça de Queiróz, de Mário de Sá Carneiro, de Boaventura de Souza, de Miguel Torga, de Álvaro Sisa, de Amália Rodrigues, de Grão Vasco, de Florbela Spanca. Terá sempre a companhia de Saramago em sua eterna viagem a Portugal.
José Borzacchiello da Silva - Geógrafo e professor da UFC

8 de setembro de 2011

poétiCAS

Poesia na árvore

Eu prefiro frases feitas...
Lê-las, e pensar que são minhas!
Dizer: Eu te amo...
Usando velhos clichês
Finjo ser poeta
Às vezes contista...
Uso velhos clichés
‘’Porque dizer eu te amo...
Não é dizer bom dia!’’
Escuto velhas músicas!
E chego a pensar que a dor é minha.
Mas não é!!!
Penso em ser prosador...
Para voltar para a minha infância...
Aonde corro e corro de novo...
Corro entre becos e vielas...
...de braços abertos!
Finjo ser poeta...
...na pós-modernidade!
A ignorar regras, rimas e métricas...
A desdenhar de antigas elegias!
Todas as velhas fórmulas prontas e acabadas.
Velhas formas de amar musas intocadas...
Finjo ser versejador...
Nos tempos modernos!
E em meus versos!
Sinto que não fosses embora...
Estas perdida...entre os meus versos...
Mais profanos...
Finjo...que não te perdi para sempre,
Às vezes leio velhas poesias.
Mas, só às vezes...
E penso que são meus...
Aqueles idílios de saudade...
Eu gostaria ser um poeta.
Para pensar que não te perdi para sempre...
Imortalizar-te-ia em meus versos!
Às vezes penso ser poeta!
Na pós-modernidade!
A usar velhos clichés!
E digo: ’’Dizer te amo...não é dizer bom dia
Samuel Costa é poeta em Itajaí SC

3 de setembro de 2011

FREI BETTO: Apenas observando

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam.
Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: "Qual dos dois modelos produz felicidade?"
Estamos construindo super-homens e super mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito.
Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: "Como estava o defunto?". "Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!"
A publicidade não consegue vender felicidade, então passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: "Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!"
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo o condicionamento.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista.
Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas.
Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: "Estou apenas fazendo um passeio socrático". Diante de seus olhares espantados, explico: "Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !"
FREI BETTO

30 de agosto de 2011

Corresponda ao apelo: Timor-Leste


Exmo. Sr. ou Sr.ª:
A Guarda Nacional Republicana encontra-se desde meados de 2006 numa missão de apoio à paz em Timor-Leste. Desde então, tem vindo a contribuir significativamente para a manutenção da ordem e da tranquilidade pública naquele país, mas também, desenvolvido diversos e bem sucedidos projectos de solidariedade social.
O contributo que temos vindo a dar aquele país irmão tem sido reconhecido nacional e internacionalmente e tem estreitado as relações entre dois países historicamente ligados.
O próximo contingente da GNR em Timor-Leste, com partida em finais de Outubro de 2011 e duração de 6 meses, pretende dar continuidade a esses projectos, com especial atenção para a época natalícia que se avizinha, onde ambicionamos proporcionar um Natal único e inesquecível às crianças Timorenses.
Para atingir esse desidrato necessitamos da colaboração dos Portugueses em geral e de V.Exa em particular. Procuramos entidades públicas ou privadas, solidárias com aquele País, que se juntem a nós nesta iniciativa para proporcionar um Natal melhor e mais feliz às crianças Timorenses.
Na qualidade de próximo comandante do contingente da GNR, venho por este meio, solicitar a V.Exa a doação de qualquer tipo de artigo em estado novo que possa ser oferecido a uma criança/jovem. Nomeadamente, artigos escolares e didácticos em geral, roupa de verão e sapatos, ou qualquer outro que entenda conveniente.
Disponibilizamo-nos para os recolher em qualquer ponto do País, dentro da medida do possível e das fortes restrições orçamentais a que a GNR se encontra actualmente sujeita, ficando no entanto, a garantia de serem transportados para Timor-Leste e ali distribuídos em estreita colaboração com a Fundação Alola.
Estando previsto a ampla mediatização deste evento o seu contributo será com certeza reconhecido, mas principalmente, alvo de um profundo agradecimento por parte do povo Leste-Timorense.
Despeço-me apelando ao seu contributo e agradecendo desde já a atenção disponibilizada.
Com os melhores cumprimentos,

Capitão Duque Martinho
Guarda Nacional Republicana, Unidade de Intervenção – +35121358900

24 de agosto de 2011

CEAO - Centro de Estudos Afro-Orientais, Instituição de pesquisa fundado por Agostinho da Silva em 1957.

Inscrições abertas para 3º Congresso Baiano de Pesquisadores Negros e III Seminário Áfricas

Estão abertas as inscrições para o 3º Congresso Baiano de Pesquisadores Negros e o III Seminário Áfricas, que acontecerá na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) no Campus V – Santo Antonio de Jesus no período de 12 a 16 de outubro de 2011. Este encontro de caráter interdisciplinar, que é uma promoção da Associação Baiana de Pesquisadores Negros (APNB) e da Rede Internacional de Estudos Africanos e da Diáspora (READI) em parceria com universidades estaduais (UEFS, UNEB, UESB, UDESC) e federais (UFBA, UFRB) do estado, tem como tema ÁFRICA E DIÁSPORA: PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS.

O objetivo desse evento é reunir pesquisadores, professores e demais interessados na temática dos Estudos Africanos e Afro-Brasileiros, nacionais e estrangeiros, com o propósito de intercambiar experiências de pesquisa e promover debates interdisciplinares, estimulando diálogos com pesquisadoras/es e instituições nacionais e internacionais de pesquisas, intensificando a ampliação de debates e proposições na área de relações étnico-raciais, para fortalecer a rede de pesquisa internacional entre as populações negras do Brasil, da diáspora africana nas Américas e dos países africanos.
Mais informações http://apnb.org.br/http://apnb.org.br/




19 de agosto de 2011

Hoje - Abertura da 48ª Festa do Boi de Seu Teodoro - A Matança do Gado

Por seu desempenho cultural, Mestre Seu Teodoro, é considerado um dos pioneiros na cultura popular de Brasília, ao introduzir na capital, inúmeros aspectos da cultura maranhense, como o Bumba-meu-Boi, Tambor de Crioula e Cacuriá.

Em 1961, a convite de Ferreira Gullar, Seu Teodoro traz o Grupo do Boi para os festejos do primeiro aniversário da fundação de Brasília. Gosta da cidade e muda-se para Sobradinho. Por intermédio de intelectuais influentes, tais como o folclorista Edson Carneiro, o antropólogo Darcy Ribeiro, o poeta Ferreira Goulart, ocupa no quadro de funcionários da UnB, o cargo de contínuo. Nesta Universidade trabalha durante 28 anos. É nesse meio universitário que Seu Teodoro conhece o lusobrasileiro George Agostinho Baptista da Silva, professor da Universidade, idealizada por Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira e outros. O filósofo Agostinho da Silva aprimorou a formação intelectual de Seu Teodoro, dando-lhe uma visão da cultura popular brasileira e da mitologia Grega.

Agostinho frequentemente ia ao Barracão para entender e ensinar a importância do Festejo do Boi para a formação da cultura brasileira, cujo ritual remontava o mundo helênico. O Bumba-meu-Boi é uma recriação mítica da Era do Espírito Santo que integra aspectos do sagrado e do profano. O Mestre Agostinho evidencia para o grupo de Teodoro que as Festas do Boi, reavivam questões político-sociais que têm raízes na Batalha de Alcácer Quibir e marca o desaparecimento do rei D. Sebastião. Como consequência, ao final do ritual Bumba-meu-Boi os participantes reverenciam o santo São Sebastião. Ademais, a herança religiosa portuguesa é tão revivida no bailado do Bumba-meu-Boi, que é possível fazer um paralelo simbólico da morte e da ressurreição de Cristo. Este modo de pensar o Boi por Agostinho da Silva, deu oportunidade aos integrantes do Bumba de Teodoro a terem um entendimento filosófico das ações festivas do rito.

Confiram a programação da 48ª Festa do Boi de Seu Teodoro


LOCAL: Sede do Barracão do Grupo. Quadra 15 – AE n° 2 – Sobradinho I

DATA: 19 a 21/08/2011

HORÁRIOS: 19h-23h30(6ªf) // 15h-23h30(Sáb) // 5h às 19h (Dom)

Entrada Franca e Classificação Livre