27 de setembro de 2011
Revista Identidades
25 de setembro de 2011
23 de setembro de 2011
Aprovado o Estatuto da Igualdade Racial versus Dissipado o conflito racial... - Por Paulo M. A. Martins
Compartilhamos um texto de um amigo visitante de nossa Casa Agostinho da Silva:
Aprovado o Estatuto da Igualdade Racial versus Dissipado o conflito racial... - Por Paulo M. A. Martins
Aprovado o Estatuto da Igualdade Racial versus Dissipado o conflito racial... - Por Paulo M. A. Martins
19 de setembro de 2011
16 de setembro de 2011
Os Portugueses e os Índios Brasileiros
Convém desfazer equívocos
Embora compreenda o fim de um documentário sobre os Índios brasileiros e da necessidade da sua defesa e preservação, que me foi enviado como anexo num e-mail, o mesmo começa por imputar atrocidades aos portugueses, que jamais foram cometidas, resolvi escrever este texto, para melhor esclarecimento, por suspeitar que o mesmo foi concebido por um brasileiro mal informado ou anti-português.
Na verdade, desde os primeiros contatos que os portugueses sempre se deram bem com os índios e a política da miscigenação teve também lugar, como era então a grande "arma", pois, por os portugueses serem poucos, a política era a da "mistura" para mais rapidamente se estabelecerem laços de amizade (diz-se até a brincar que Deus criou o branco, o preto, o índio e o amarelo e os portugueses criaram os mestiços, no Brasil, na África e na Índia).
Claro que houve abusos e até colonos que chegaram a escravizar índios, mas isso nunca foi avante, por obra e graça principalmente dos Jesuítas, que a tanto se opuseram e o denunciaram aos reis de Portugal. Destaque para a notável ação de três deles, a partir de 1630: Pe. António Vieira, Pe. Manuel da Nóbrega e o Pe. José Anchieta. O primeiro, para além de outras ações de que D. João IV o encarregou, foi distinguido pelos Índios com o Título de "Paiaçu", que significa "pai grande". Todos eles se distinguiram na chamada pregação, mas o seu grande legado foram os colégios, criando as raízes do sistema de ensino no Brasil.
As mortandades que na verdade se verificaram entre várias tribos de Índios brasileiros, nada tiveram a ver com assassínios, mas sim com doenças, que facilmente se propagavam, tipo peste, visto os Índios não terem auto-defesas, nem sequer face a uma simples constipação (novidade para eles) e que contraíam ou eram contaminados pelos portugueses, mas isso não foi por maldade.
Na verdade, trabalhar não faz parte da cultura dos Índios, que agradecem à natureza, que lhes dá tudo o que eles precisam, segundo o seu entendimento milenar. Daí os portugueses terem caído na asneira de copiar outros e de levar negros de África para trabalharem como escravos. Isso sim é que é criticável.
Transcrevo a seguir um texto de brasileiro amigo, que reflecte precisamente essas boas relações, respeitante a um grande chefe índio, chamado ARARIBÓIA
“Maracajaguaçu, o Índio Gato Bravo Grande, cuja aldeia se localizava na Ilha de Paranapuã, atual Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, teve dois filhos: Mamenoaçu e Araribóia (Cobra da Tempestade ou Cobra Feroz).
A conquista do território brasileiro por Portugal deve muito a um grande e valoroso índio, filho de Maracajaguaçu: Araribóia. Este cacique esteve entre os principais artífices da expulsão dos invasores franceses do Brasil. Recrutado por Estácio de Sá, organizou seus guerreiros temiminós e colocou para correr o inimigo, que já se perpetuava na baía de Guanabara havia mais de uma década. Agradecido, o rei Dom Sebastião cobriu Araribóia de honrarias: deu-lhe o título de Cavaleiro da Ordem de Cristo, nomeou-o capitão e tornou-o proprietário de uma grande sesmaria em Niterói. Araribóia foi batizado pelos portugueses de Martim Afonso de Souza.”
Este Índio tem uma estátua no Rio de Janeiro. Tal como ele muitos outros sempre nos ajudaram contra os espanhóis, franceses e holandeses, em várias épocas.
Outro português que ainda hoje é lembrado e autenticamente venerado pelos Índios é PEDRO TEIXEIRA, a quem o Brasil devia há muito ter erigido uma das suas maiores estátuas, pois se a Amazónia faz hoje parte do Brasil (50% do território brasileiro), a ele e aos seus aliados Índios o deve.
Pedro Teixeira, natural de Cantanhede, onde tem a única estátua que eu conheço, era em 1639 um jovem Alferes do Exército Português. Fez amizades com várias tribos Índias e aprendeu as suas línguas, entre elas Tupi e Guarani. Foi incumbido de explorar o rio Amazonas. Reuniu cerca de 2000 famílias Índias e só com 70 portugueses desbravou toda a Amazónia, deixando marcas ou padrões e grupos de Índios. Chegou até Lima, no Perú, mas teve de voltar para trás, pois já lá estavam os Espanhois instalados. Morreu ainda jovem e está sepultado na catedral de Belém do Pará, onde a sua sepultura ainda hoje é visitada pelos Índios, que o cognominaram para sempre de "Curiá-Catu", que significa: "homem branco bom e amigo".
Ainda há meses ao ver uma reportagem sobre terras da Amazónia que os madeireiros querem tirar aos Índios, estes, em "pé de guerra" diziam - e bem - mais ou menos o seguinte: "Fora daqui! Estas terras são nossas, pois foram dadas aos nossos avós pelo Rei de Portugal!" E eu chorei e ri ao mesmo tempo.
Pelo que antecede e não só, é manifesto que os Portugueses sempre se deram bem com os índios brasileiros e o que fizeram depois da independência (1822) aos Índios não é da responsabilidade dos portugueses, mas sim dos brasileiros.
Jorge da Paz Rodrigues
Embora compreenda o fim de um documentário sobre os Índios brasileiros e da necessidade da sua defesa e preservação, que me foi enviado como anexo num e-mail, o mesmo começa por imputar atrocidades aos portugueses, que jamais foram cometidas, resolvi escrever este texto, para melhor esclarecimento, por suspeitar que o mesmo foi concebido por um brasileiro mal informado ou anti-português.
Na verdade, desde os primeiros contatos que os portugueses sempre se deram bem com os índios e a política da miscigenação teve também lugar, como era então a grande "arma", pois, por os portugueses serem poucos, a política era a da "mistura" para mais rapidamente se estabelecerem laços de amizade (diz-se até a brincar que Deus criou o branco, o preto, o índio e o amarelo e os portugueses criaram os mestiços, no Brasil, na África e na Índia).
Claro que houve abusos e até colonos que chegaram a escravizar índios, mas isso nunca foi avante, por obra e graça principalmente dos Jesuítas, que a tanto se opuseram e o denunciaram aos reis de Portugal. Destaque para a notável ação de três deles, a partir de 1630: Pe. António Vieira, Pe. Manuel da Nóbrega e o Pe. José Anchieta. O primeiro, para além de outras ações de que D. João IV o encarregou, foi distinguido pelos Índios com o Título de "Paiaçu", que significa "pai grande". Todos eles se distinguiram na chamada pregação, mas o seu grande legado foram os colégios, criando as raízes do sistema de ensino no Brasil.
As mortandades que na verdade se verificaram entre várias tribos de Índios brasileiros, nada tiveram a ver com assassínios, mas sim com doenças, que facilmente se propagavam, tipo peste, visto os Índios não terem auto-defesas, nem sequer face a uma simples constipação (novidade para eles) e que contraíam ou eram contaminados pelos portugueses, mas isso não foi por maldade.
Na verdade, trabalhar não faz parte da cultura dos Índios, que agradecem à natureza, que lhes dá tudo o que eles precisam, segundo o seu entendimento milenar. Daí os portugueses terem caído na asneira de copiar outros e de levar negros de África para trabalharem como escravos. Isso sim é que é criticável.
Transcrevo a seguir um texto de brasileiro amigo, que reflecte precisamente essas boas relações, respeitante a um grande chefe índio, chamado ARARIBÓIA
“Maracajaguaçu, o Índio Gato Bravo Grande, cuja aldeia se localizava na Ilha de Paranapuã, atual Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, teve dois filhos: Mamenoaçu e Araribóia (Cobra da Tempestade ou Cobra Feroz).
A conquista do território brasileiro por Portugal deve muito a um grande e valoroso índio, filho de Maracajaguaçu: Araribóia. Este cacique esteve entre os principais artífices da expulsão dos invasores franceses do Brasil. Recrutado por Estácio de Sá, organizou seus guerreiros temiminós e colocou para correr o inimigo, que já se perpetuava na baía de Guanabara havia mais de uma década. Agradecido, o rei Dom Sebastião cobriu Araribóia de honrarias: deu-lhe o título de Cavaleiro da Ordem de Cristo, nomeou-o capitão e tornou-o proprietário de uma grande sesmaria em Niterói. Araribóia foi batizado pelos portugueses de Martim Afonso de Souza.”
Este Índio tem uma estátua no Rio de Janeiro. Tal como ele muitos outros sempre nos ajudaram contra os espanhóis, franceses e holandeses, em várias épocas.
Outro português que ainda hoje é lembrado e autenticamente venerado pelos Índios é PEDRO TEIXEIRA, a quem o Brasil devia há muito ter erigido uma das suas maiores estátuas, pois se a Amazónia faz hoje parte do Brasil (50% do território brasileiro), a ele e aos seus aliados Índios o deve.
Pedro Teixeira, natural de Cantanhede, onde tem a única estátua que eu conheço, era em 1639 um jovem Alferes do Exército Português. Fez amizades com várias tribos Índias e aprendeu as suas línguas, entre elas Tupi e Guarani. Foi incumbido de explorar o rio Amazonas. Reuniu cerca de 2000 famílias Índias e só com 70 portugueses desbravou toda a Amazónia, deixando marcas ou padrões e grupos de Índios. Chegou até Lima, no Perú, mas teve de voltar para trás, pois já lá estavam os Espanhois instalados. Morreu ainda jovem e está sepultado na catedral de Belém do Pará, onde a sua sepultura ainda hoje é visitada pelos Índios, que o cognominaram para sempre de "Curiá-Catu", que significa: "homem branco bom e amigo".
Ainda há meses ao ver uma reportagem sobre terras da Amazónia que os madeireiros querem tirar aos Índios, estes, em "pé de guerra" diziam - e bem - mais ou menos o seguinte: "Fora daqui! Estas terras são nossas, pois foram dadas aos nossos avós pelo Rei de Portugal!" E eu chorei e ri ao mesmo tempo.
Pelo que antecede e não só, é manifesto que os Portugueses sempre se deram bem com os índios brasileiros e o que fizeram depois da independência (1822) aos Índios não é da responsabilidade dos portugueses, mas sim dos brasileiros.
Jorge da Paz Rodrigues
14 de setembro de 2011
CAS em reflexão
O Barulho da Carroça
Certa manhã meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque.
Ele se deteve numa clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:
-- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
-- Estou ouvindo um barulho de carroça.
Isso mesmo, disse meu pai. É uma carroça vazia.
Perguntei-lhe:
-- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?
-- Ora, respondeu meu pai, é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz!
Tornei-me adulto e, até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grossura inoportuna, prepotência, interrompendo a conversa de todo mundo e querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, ou sentindo-se melhor que as outras, marrenta, orgulhosa, tenho a impressão de ouvir o meu pai dizendo:
“Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz!”
Certa manhã meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque.
Ele se deteve numa clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:
-- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
-- Estou ouvindo um barulho de carroça.
Isso mesmo, disse meu pai. É uma carroça vazia.
Perguntei-lhe:
-- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?
-- Ora, respondeu meu pai, é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz!
Tornei-me adulto e, até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grossura inoportuna, prepotência, interrompendo a conversa de todo mundo e querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, ou sentindo-se melhor que as outras, marrenta, orgulhosa, tenho a impressão de ouvir o meu pai dizendo:
“Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz!”
10 de setembro de 2011
Viagem a Portugal: A crise não abalou a beleza nem a gentileza
(Mafra) A crise não abalou a beleza nem a gentileza. Estar em Portugal é estar em família, é plenitude, é resgatar raízes e submissão a um contínuo aprendizado.
Em viagem a Portugal, Saramago desvenda um país belo e profundo. Guardando tradições seculares, Portugal se impôs ao mundo, singrou mares, desbravou terras. Com muita garra e determinação fez-se cultura e civilização.
Nos últimos anos acompanhamos grandes mudanças no modo de vida português. Desta vez, inspirado em Saramago, buscamos um Portugal profundo com suas preciosas aldeias talhadas em pedra que acumulam tempos memoriais.
Dos blocos brutos aos refinados recortes a paisagem encanta e toca. Optamos por estradas sinuosas e renovamos nossos laços com a terra e com o povo numa junção de corpo e alma, um único destino que só os que sentem a alma lusitana conseguem compreender.
Paisagens repletas de história, expõem diferentes tempos do trabalho, do lazer, da vida. Em vários momentos a ideia de plenitude, de perfeição. Tudo em seu devido lugar, independente de simetria, um arranjo perfeito.
Os portugueses são hábeis na arte de construir, de fazer, de compor. As curvas e as retas se completam. Os ângulos adquirem um sentido estético extraordinário. Uma sucessão de aldeias e vilas mostram um urbanismo refinado, sem grife, sem marcas visíveis de academicismo. As rochas dominadas por mãos calejadas adquirem formas variadas e belas. Os jardins, numa profusão de cores completam a composição.
A crise econômica europeia pega Portugal e maltrata por demais seu povo. A melancolia, típica manifestação lusitana, transforma-se em fados chorosos, lindos, mesmo que pura expressão de perda e dor. Esse povo forte, bravos heróis do mar, acostumou-se aos desafios. Intrépido e valente cruzou fronteiras e com trabalho árduo garante sua dignidade.
A crise não abalou a beleza nem a gentileza. Estar em Portugal é estar em família, é plenitude, é resgatar raízes e submissão a um contínuo aprendizado.
Portugal certamente se reinventará e saberá prosseguir em sua viagem trilhando os passos de Camões, de Fernando Pessoa, Eça de Queiróz, de Mário de Sá Carneiro, de Boaventura de Souza, de Miguel Torga, de Álvaro Sisa, de Amália Rodrigues, de Grão Vasco, de Florbela Spanca. Terá sempre a companhia de Saramago em sua eterna viagem a Portugal.
José Borzacchiello da Silva - Geógrafo e professor da UFCEm viagem a Portugal, Saramago desvenda um país belo e profundo. Guardando tradições seculares, Portugal se impôs ao mundo, singrou mares, desbravou terras. Com muita garra e determinação fez-se cultura e civilização.
Nos últimos anos acompanhamos grandes mudanças no modo de vida português. Desta vez, inspirado em Saramago, buscamos um Portugal profundo com suas preciosas aldeias talhadas em pedra que acumulam tempos memoriais.
Dos blocos brutos aos refinados recortes a paisagem encanta e toca. Optamos por estradas sinuosas e renovamos nossos laços com a terra e com o povo numa junção de corpo e alma, um único destino que só os que sentem a alma lusitana conseguem compreender.
Paisagens repletas de história, expõem diferentes tempos do trabalho, do lazer, da vida. Em vários momentos a ideia de plenitude, de perfeição. Tudo em seu devido lugar, independente de simetria, um arranjo perfeito.
Os portugueses são hábeis na arte de construir, de fazer, de compor. As curvas e as retas se completam. Os ângulos adquirem um sentido estético extraordinário. Uma sucessão de aldeias e vilas mostram um urbanismo refinado, sem grife, sem marcas visíveis de academicismo. As rochas dominadas por mãos calejadas adquirem formas variadas e belas. Os jardins, numa profusão de cores completam a composição.
A crise econômica europeia pega Portugal e maltrata por demais seu povo. A melancolia, típica manifestação lusitana, transforma-se em fados chorosos, lindos, mesmo que pura expressão de perda e dor. Esse povo forte, bravos heróis do mar, acostumou-se aos desafios. Intrépido e valente cruzou fronteiras e com trabalho árduo garante sua dignidade.
A crise não abalou a beleza nem a gentileza. Estar em Portugal é estar em família, é plenitude, é resgatar raízes e submissão a um contínuo aprendizado.
Portugal certamente se reinventará e saberá prosseguir em sua viagem trilhando os passos de Camões, de Fernando Pessoa, Eça de Queiróz, de Mário de Sá Carneiro, de Boaventura de Souza, de Miguel Torga, de Álvaro Sisa, de Amália Rodrigues, de Grão Vasco, de Florbela Spanca. Terá sempre a companhia de Saramago em sua eterna viagem a Portugal.
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