O trabalho de Agostinho da Silva tem um carácter universal, ou
seja, é a respeito do Homem. O que ele diz pode ser aplicado a qualquer ser
humano, em qualquer país. Há nele um grande e profundo amor pela Humanidade e
uma preocupação constante pela humanização do Homem.
São dele estes
ensinamentos:
" A primeira condição para libertar os outros é libertar-se
a si próprio";
"Hei-de vê-lo depois
despido do egoísmo, atento somente aos motivos
gerais; o seu bem será sempre o bem alheio";
"É ilusória
toda a reforma do colectivo que não se apoie numa renovação
individual" ;
"O científico não é o
que derruba a ciência anterior; é o que a engloba ... ";
"Só existe governo exterior a nós por preguiça de nos governarmos a nós
mesmos ... "
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Trecho recolhido de "Agostinho da Silva - Um Pensador para o Século XXI", de autoria da Psicóloga Alcione Scarpin, inserido na obra IN MEMORIAM de AGOSTINHO DA SILVA. Organização Renato Epifânio, Romana Valente Pinho e Amon Pinho Davi. Portugal: Zéfiro, 2006, p. 24.
Um projeto de lei que
defende os latifundiários
em detrimento do desenvolvimento sustentável
A mobilização contra o novo código florestal está pautada na defesa de uma agenda preservacionista
do século passado, pois
ignora a necessidade de crescimento econômico
do Brasil e nega as incoerências
da atual legislação
ambiental. Entretanto, a bancada ruralista, defensora do novo código, também age de forma retrógrada.
Caso a lei atual fosse cumprida de fato, uma área, hoje ocupado por lavouras, superior a
nove por cento de todo território
nacional deveriam ser
reflorestadas, ocasionando prejuízos
exorbitantes para pequenos e médios
agricultores. Por isso, a elaboração
de um substitutivo para a atual legislação
ambiental é
essencial para o contínuo
crescimento econômico
brasileiro, tendo em vista que, nos últimos
anos, o país
experimentou um aumento substancial da demanda por matéria prima (principalmente grãos) de
países em desenvolvimento
como China e Índia.
Se, por um lado, a legislação ambiental brasileira é a mais rigorosa do mundo, por outro, é a mais incoerente e intransigente. De
acordo com o código
atual, mais da metade dos produtores rurais estão na ilegalidade e aqueles que desmataram
mais de vinte por cento da propriedade no bioma amazônico, antes da aprovação da norma em vigor, há treze anos, estão obrigados a reconstituí-la mesmo que a Constituição garanta que uma lei só vale a partir da data da promulgação.
Por mais necessário que seja a atualização das normas de preservação ambiental, nada justifica a atuação da bancada ruralista que, de forma
tendenciosa, agregou à
proposta emendas antagônicas ao ideal de desenvolvimento sustentável, evidenciando o anseio dos grandes
latifundiários
de transformar a lei em mais
um instrumentos de enriquecimento individual.
Os impactos do substitutivo são tão
grandes que os debates multiplicam-se na capital federal e nenhum argumento
convence a bancada defensora do novo código
de que a proposta, tal como está, é um retrocesso inaceitável. Caso modificações não
sejam feitas, caberá a
Presidente da República vetar a votação, caso queira mais votos na sua reeleição.
A CAS apoia o Novo Acordo Ortográfico e a urgência de sua execução em todos os quadrantes da Língua Portuguesa. Qualquer modificação no Acordo deverá acontecer durante a sua efetivação, respeitando-se as demandas sociais e as particularidades linguísticas e culturais de cada Estado-Membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
O aprendizado da norma culta é crucial para a ascensão econômica de um indivíduo, pois o domínio gramatical é instrumento formador de status, entretanto, exigir de um agente linguístico o uso rigoroso de normas técnicas é o mesmo que engessar um feto em gestação.
Uma das condições de existência de uma sociedade capitalista é que haja classes sociais que se dividam em ricos e pobres. É nesse contexto que a criação de regras gramaticais torna-se preponderante: se a língua é um instrumento vivo e seu "metabolismo" provém dos próprios falantes, nada mais segregador do que normatizá-la de tal maneira que apenas um seleto grupo tenha acesso a essa variante: a norma culta.
A normatização lingüística não pode superar a identidade de um povo e o desenvolvimento do idioma que é vivo. Atualmente, até instituições de ensino confundem os limites de cada variante e qualificam uma fala como certa ou errada como se a língua fosse algo semelhante a um código de etiqueta gerando, na sociedade, um problema ainda maior, o preconceito.
O aprendizado da língua escrita é algo diferente ao da língua falada e requer estudo sistemático e muito treino. Os alunos não irão dominar essa técnica caso não forem estimulados a ler e produzir textos pela escola cujo principal papel é ensiná-los o que lhes é desconhecido ou o que não é possível aprender no dia a dia. Assim sendo, não cabe ao professor padronizar a fala ou mesmo incentivar o preconceito lingüístico que, inevitavelmente, sufoca a oportunidade de uma reflexão crítica sobre as relações sociais e econômicas que envolvem o uso da língua.
O que seria do português, do italiano, do francês, do espanhol se o latim não tivesse sofrido alteração ao longo dos séculos? Não se trata aqui de fazer uma condenação à variante culta, mas ao modo como é ensinada. Isto é, um indivíduo deve ser educado de acordo com os padrões da sociedade em que está inserido, todavia, privá-lo de saber que uma língua sofre modificações e que não existe certo ou errado e, sim, adequado e inadequado, é o mesmo que atestar óbito ao próprio idioma.
Teodoro Freire, conhecido como Seu Teodoro, nasceu em Castanho Claro, município de São Vicente de Férrea, na baixada do MA. É neto de um escravo africano da Fazenda do Tabocal e estudou até a quarta série do ensino fundamental. Levando uma vida simples e trabalhando em diversos ofícios, sempre foi um apaixonado pela história do Bumba-meu-Boi, um ritual lúdico, em forma de cortejo, que enfatiza o aspecto visual, teatral e contém personagens humanos, animais e seres fantásticos.
Por seu desempenho cultural, Seu Teodoro, é considerado um dos pioneiros na cultura popular de Brasília, ao introduzir na capital, inúmeros aspectos da cultura maranhense, como o Bumba-meu-Boi, Tambor de Crioula e Cacuriá. Após uma passagem pelo Rio de Janeiro, em Bom Sucesso, Teodoro torna-se uma figura admirada e prestigiada no circuito cultural da nova capital. O interesse pelas tradições e a cultura do seu estado começou a aflorar aos 5-8 anos de idade, quando fugia de casa para assistir aos ensaios do Boi. Este despertar deve-se à influência do tio materno que costumava brincar no Boi. Daí para frente, o menino não parou mais, foi um disseminador da Cultura do Boi por onde andou.
Quando adulto, Seu Teodoro saiu de sua terra natal e foi trabalhar em São Luis. Aí, participou dos grupos de dança do Boi da Ilha. Tempos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro e casou-se em segundas núpcias, com Maria Sena Pereira, hoje com 78 anos, com quem teve nove filhos, 34 netos e 11 bisnetos. Eles moraram no Bairro Bom Sucesso, permanecendo de 1953 a 1961. Nesta cidade, em 1956, criou um Grupo de Boi que ensaia em Bom Sucesso, depois numa favela da Baixa do Sapateiro e se apresentou nos eventos culturais do Rio. Posteriormente, comprou um barracão para os ensaios do Boi. Políticos e maranhenses influentes ajudam Seu Teodoro e fundaram a Sociedade Carioca de Folclore Maranhense. Para acompanhar o marido em suas andanças com o Boi, Maria Sena aprende a bordar as indumentárias do ritual.
Em 1961, a convite de Ferreira Gullar, Seu Teodoro traz o Grupo do Boi para os festejos do primeiro aniversário da fundação de Brasília. Gostou da cidade e mudou-se para Sobradinho. Por intermédio de intelectuais influentes, tais como o folclorista Edson Carneiro, o antropólogo Darcy Ribeiro, o poeta Ferreira Goulart, ocupou no quadro de funcionários da UnB, o cargo de contínuo. Nesta Universidade trabalhou durante 28 anos. Foi nesse meio universitário que Seu Teodoro conheceu o lusobrasileiro George Agostinho Baptista da Silva, professor da Universidade, idealizada por Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira e outros. Agostinho da Silva é considerado, depois de Fernando Pessoa, o maior pensador lusófono do século XX. O filósofo Agostinho da Silva aprimorou a formação intelectual de Seu Teodoro, dando-lhe uma visão da cultura popular brasileira e da mitologia Grega.