13 de novembro de 2011

Destacamos, Os Sete Sapatos Sujos:


“Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar.
Eu contei Sete Sapatos Sujos que necessitamos de deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico:
Primeiro Sapato – A ideia de que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vitimas.
Segundo Sapato – A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho.
Terceiro Sapato – O preconceito de que quem critica é um inimi
go
Quarto Sapato – A ideia de que mudar as palavras muda a realidade.
Quinto Sapato – A vergonha de ser pobre e o culto das aparências.
Sexto Sapato – A passividade perante a injustiça.
Sétimo Sapato – A ideia de que, para sermos modernos, temos de imitar os outros.”
MIA COUTO

Universalidade

O trabalho de Agostinho da Silva tem um carácter universal, ou seja, é a respeito do Homem. O que ele diz pode ser aplicado a qualquer ser humano, em qualquer país. Há nele um grande e profundo amor pela Humanidade e uma preocupação constante pela humanização do Homem.
São dele estes ensinamentos:

" A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio"; 
"Hei-de vê-lo depois despido do egoísmo, atento somente aos motivos 
gerais; o seu bem será sempre o bem alheio"; 

ilusória toda a reforma do colectivo que não se apoie numa renovação 
individual" ;

"O científico não é o que derruba a ciência anterior; é o que a engloba ... "; 

"Só existe governo exterior a nós por preguiça de nos governarmos a nós 
mesmos ... "


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Trecho recolhido de "Agostinho da Silva - Um Pensador para o Século XXI", de autoria da Psicóloga Alcione Scarpin, inserido na obra IN MEMORIAM de AGOSTINHO DA SILVA. Organização Renato Epifânio, Romana Valente Pinho e Amon Pinho Davi. Portugal: Zéfiro, 2006, p. 24.
Imagem: google.



9 de novembro de 2011

Código Florestal



Novo Código Florestal
Um projeto de lei que defende os latifundiários em detrimento do desenvolvimento sustentável

A mobilização contra o novo código florestal está pautada na defesa de uma agenda preservacionista do século passado, pois ignora a necessidade de crescimento econômico do Brasil e nega as incoerências da atual legislação ambiental. Entretanto, a bancada ruralista, defensora do novo código, também age de forma retrógrada.  
Caso a lei atual fosse cumprida de fato, uma área, hoje ocupado por lavouras, superior a nove por cento de todo território nacional deveriam ser reflorestadas, ocasionando prejuízos exorbitantes para pequenos e médios agricultores. Por isso, a elaboração de um substitutivo para a atual legislação ambiental é essencial para o contínuo crescimento econômico brasileiro, tendo em vista que, nos últimos anos, o país experimentou um aumento substancial da demanda por matéria prima (principalmente grãos) de países em desenvolvimento como China e Índia. 
Se, por um lado, a legislação ambiental brasileira é a mais rigorosa do mundo, por outro, é a mais incoerente e intransigente. De acordo com o código atual, mais da metade dos produtores rurais estão na ilegalidade e aqueles que desmataram mais de vinte por cento da propriedade no bioma amazônico, antes da aprovação da norma em vigor, há treze anos, estão obrigados a reconstituí-la mesmo que a Constituição garanta que uma lei só vale a partir da data da promulgação. 
Por mais necessário que seja a atualização das normas de preservação ambiental, nada justifica a atuação da bancada ruralista que, de forma tendenciosa, agregou à proposta emendas  antagônicas ao ideal de desenvolvimento sustentável, evidenciando o anseio dos grandes latifundiários de transformar a lei em  mais um instrumentos de enriquecimento individual. 
Os impactos do substitutivo são tão grandes que os debates multiplicam-se na capital federal e nenhum argumento convence a bancada defensora do novo código de que a proposta, tal como está, é um retrocesso inaceitável. Caso modificações não sejam feitas, caberá a Presidente da República vetar a votação, caso queira mais votos na sua reeleição.

por Aletho Alves, 
estudante da 2ª série do Ensino Médio.
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Bibliografia:
Abrindo a porteira do desmatamento - Le Monde diplomatique Brasil 
O código do atrasoLe Monde diplomatique Brasil 

30 de outubro de 2011

Novo Acordo Ortográfico



A CAS apoia o Novo Acordo Ortográfico e a urgência de sua execução em todos os quadrantes da Língua Portuguesa. Qualquer modificação no Acordo deverá acontecer durante a sua efetivação, respeitando-se as demandas sociais e as particularidades linguísticas e culturais de cada Estado-Membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

29 de outubro de 2011

Mensagem agostiniana

Ao folhear uma revista brasileira, deparei com uma sublime frase do Professor Agostinho da Silva, que logo fotografei e vos transmito.
por Jorge da Paz Rodrigues


Variantes linguísticas


O aprendizado da norma culta é crucial para a ascensão econômica de um indivíduo, pois o domínio gramatical é instrumento formador de status, entretanto, exigir de um agente linguístico o uso rigoroso de normas técnicas é o mesmo que engessar um feto em gestação.

Uma das condições de existência de uma sociedade capitalista é que haja classes sociais que se dividam em ricos e pobres. É nesse contexto que a criação de regras gramaticais torna-se preponderante: se a língua é um instrumento vivo e seu "metabolismo" provém dos próprios falantes, nada mais segregador do que  normatizá-la de tal maneira que apenas um seleto grupo tenha acesso a essa variante: a norma culta. 

A normatização lingüística não pode superar a identidade de um povo e o desenvolvimento do idioma que é vivo. Atualmente, até instituições de ensino confundem  os limites de cada variante e qualificam uma fala como certa ou errada como se a língua fosse algo semelhante a um código de etiqueta gerando, na sociedade, um problema ainda maior, o preconceito. 

O aprendizado da língua escrita é algo diferente ao da língua falada e requer estudo sistemático e muito treino. Os alunos não irão dominar essa técnica caso não forem estimulados a ler e produzir textos pela escola cujo principal papel é ensiná-los o que  lhes é desconhecido ou o que não é possível aprender no dia a dia. Assim sendo, não cabe ao professor padronizar a fala ou mesmo incentivar o preconceito lingüístico que, inevitavelmente, sufoca a oportunidade de uma reflexão crítica sobre as relações sociais e econômicas que envolvem o uso da língua.

O que seria do português, do italiano, do francês, do espanhol se o latim não tivesse sofrido alteração ao longo dos séculos? Não se trata aqui de fazer uma condenação à variante culta, mas ao modo como é ensinada. Isto é, um indivíduo deve ser educado  de acordo com os padrões da sociedade em que está inserido, todavia, privá-lo de saber que uma língua sofre modificações e que não existe certo ou errado e, sim, adequado e inadequado, é o mesmo que atestar óbito ao próprio idioma.



por Aletho Alves 
(estudante da 2ª série do Ensino Médio)