26 de novembro de 2011

Índios no Brasil: Quem são eles?



Ao contar a história do Brasil, muitas vezes o índio é tratado como um ser que parou no passado. Além disso, relacionado a atraso, preguiça e selvageria. Este episódio apresenta quem são e como vivem os indígenas no Brasil atual, tomando como foco a relação deles com os outros brasileiros.
Pessoas dos grupos étnicos Krenak, MG; Kaxinawá, AC; Ashaninka, AC; Yanomami, RR; Pankararu, PE e Kaingang, SC, conversam sobre o assunto.
Parte I 

Parte II

NOS DUZENTOS ANOS DE DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES


António Braz Teixeira
NOS DUZENTOS ANOS DE DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES
Em 13 de Agosto passado, cumpriram-se duzentos anos sobre o nascimento, no Rio de Janeiro, de Domingos Gonçalves de Magalhães (1811-1882), figura maior da literatura, da cultura e do pensamento brasileiros, que, no novel Império, veio a desempenhar um papel idêntico ao que, entre nós, coube a Almeida Garrett. Como o autor das Viagens, o escritor fluminense foi o primeiro e mais activo responsável pela introdução do romantismo na cultura brasileira, quer como poeta quer como dramaturgo, fundando a sua obra de criação literária numa renovadora e pessoal reflexão filosófica, de sinal espiritualista, numa linha especulativa em larga medida afim das de Amorim Viana e Cunha Seixas.
Discípulo de Francisco de Mont’Alverne (1784-1858), monge franciscano cujo pensamento reflectia ainda concepções sensistas de que, no Brasil, o mais significativo representante fora Silvestre Pinheiro Ferreira (1769-1846), Gonçalves de Magalhães, concluído a curso de Medicina, na Escola recém-criada da sua cidade natal, passou alguns anos em França, completando a sua formação, onde contactou com o eclectismo espiritualista de Victor Cousin e Théodore Jouffroy, que, num primeiro momento, parece tê-lo seduzido, e onde, em 1836, com M. Araújo Porto-Alegre e F.S. Torres Homem, fundou a “revista brasiliense” Niterói, de “ciência, letras e artes”, movidos os três pelo “amor ao país” e pelo “desejo de ser útil aos seus concidadãos”, com vista a que estes se acostumassem “a reflectir sobre os objectos do bem comum, e da glória da sua pátria” e neles se desenvolvesse “o amor e a simpatia geral para tudo o que é justo, santo, belo e útil”. Daí que nela se dedicasse especial atenção tanto à economia política, “tão necessária ao bem material, progresso e riqueza das nações”, como às ciências, à literatura nacional e às artes “que vivificam a inteligência, animam a indústria, e enchem de glória e de orgulho os povos que as cultivam”, como se esclarecia na abertura do primeiro dos seus dois números.
Em cada um deles publicou o jovem intelectual fluminense textos que davam conta das suas preocupações: o Ensaio sobre a história da literatura no Brasil (no nº 1) e os estudo Filosofia da Religião, sua relação com a moral e sua missão social (no nº 2). Enquanto o primeiro revela o interesse do moço escritor na criação e na consolidação de uma literatura nacional brasileira, distinta da portuguesa, de que fizera parte, o segundo aponta já para o profundo anseio religioso que virá a caracterizar o seu pensamento filosófico.
No mesmo ano do aparecimento de Niterói, mas agora nos Rio de Janeiro, Gonçalves de Magalhães dá à estampa a colectânea lírica que marca o início do romantismo literário brasileiro, o volume Suspiros poéticos e saudades (1836). Um decénio após a publicação de Camões (1825), também no Brasil o movimento romântico se iniciou sob o signo da saudade e revelando uma vivência do sentimento saudoso próxima da garrettiana.
Escrito, em grande parte, em Paris, como o poema do vate lusitano, e reflectindo, como ele, a experiência do exílio (se bem que voluntário, no caso do lírico brasileiro), o sentimento saudoso é ali apreendido por Gonçalves de Magalhães como “melancólica dor” e “tirano da ausência”, que “retrata em fugitiva sombra (…) a imagem do passado”.
Convergindo com Garrett (e com D. Francisco Manuel de Melo) no reconhecimento do carácter contraditório e ambivalente da saudade, do mesmo passo que a designa por “aflição dura e terna”, dirá:
“Mau grado o teu pungir, como és suave!
Como a rosa de espinhos guarnecida
Agrilhoa e apraz co’o doce aroma
Tu feres e mitigas com lembranças”
para vir a concluir, rendido à mesma saudade:
“Pois que em minha alma habitas (…)
Saudade, serei teu… Saudade, és minha”
Dois anos depois e convergindo de novo com o nosso grande romântico, no intuito de criar um dramaturgia nacional, Magalhães vê subir à cena a tragédia em cinco actos, em verso,António José de Almeida ou o poeta e a Inquisição, no mesmo ano em que, em Portugal, é representado, pela primeira vez, Um auto de Gil Vicente. Se, entre nós, Garrett se inspirava na figura do fundador do teatro português, no Brasil, o jovem dramaturgo procura no “Judeu” essa mesma inspiração fundadora.
É a mesma preocupação de reivindicar a autonomia cultural do Brasil relativamente a Portugal que se encontra na raiz da tentativa de epopeia nacional que é o poema épico, em dez cantos, A confederação dos Tamoios (1856), dedicado ao Imperador D. Pedro II, a cujas expensas foi publicado.
Se parece hoje inegável que a poesia lírica de Gonçalves de Magalhães não alcança a qualidade ou a altura da de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu ou Fagundes Varela, e se, como dramaturgo, as suas duas tragédias se situam abaixo de obras como Leonor de Mendonça (1846), de Gonçalves Dias, ou Macário (1851), de Álvares de Azevedo, já como pensador a sua obra ocupa um lugar cimeiro no conjunto da reflexão brasileira de Oitocentos, ao lado das de Silvestre Pinheiro Ferreira, Tobias Barreto (1839-1889) e Farias Brito (1862-1917), marcando, de certo modo, a autonomia especulativa do Brasil e conferindo ao movimento romântico uma dimensão que o português não logrou atingir. Daí que, quando a partir de meados dos anos 60 do século XIX, as novas correntes e doutrinas positivistas, monistas, evolucionistas e cientificistas começam a encontrar eco nas duas culturas de língua portuguesa, seja diverso o alvo das críticas dos respectivos sequazes: enquanto, em Portugal, a denominada “Questão Coimbrã” se limita ao puro plano literário, em torno da figura e da obra de Castilho, no Brasil, a chamada “Escola do Recife” coloca no centro do debate o espiritualismo e o pensamento filosófico de Gonçalves de Magalhães, de modo especial a obraFactos do espírito humano, em que o especulativo fluminense procedeu a uma demorada refutação do sensismo e ao delineamento de uma filosofia do Espírito, de acentuado pendor ético e religioso, que claramente se distingue do eclectismo a que aderira, embora com reservas, durante o seu período parisiense, mas de que começou a afastar-se, decididamente, a partir de meados da década de 40, como o revela o ensaio A origem da palavra (1844).
Entendendo a Filosofia como actividade da razão que busca a verdade, advertia, contudo, o filósofo brasileiro que está é realidade divina e não humana, pelo que se a razão é uma força activa e livre, o seu centro de gravidade não pode deixar de ser a verdade que existe em Deus, nem a Filosofia deixar de ser a ciência universal que trata do espírito humano e das suas relações com Deus e com o Universo. Deste modo, para Gonçalves de Magalhães, sem prejuízo da sua autonomia como actividade espiritual de busca da verdade, a Filosofia encontraria a sua fonte na religião, assim como o mistério seria, a um tempo, o fundo do homem e a forma da verdade.
Notava o filósofo que não resultava daqui qualquer conflito ou oposição entre razão e fé, pois que, sendo a Filosofia a ciência de todas as coisas em relação ao sujeito que pensa e à causa que as produz (Deus), e dirigindo-se a revelação divina à razão que a converte em fé, nenhum conflito pode existir entre as verdades da razão e as da fé, havendo, pelo contrário, uma íntima relação entre uma e outra. Também o conhecimento científico, para o especulativo brasileiro, não seria mero produto da vista ou do tacto, nem se reduziria à observação e à experiência, sendo sempre, e necessariamente, produto da razão humana, elevando-se à Razão Divina. Deste modo, Religião, Filosofia e Ciência, porque tinham uma raiz comum nas leis universais da razão – mas de uma razão aberta tanto ao mistério e à revelação como à sensação e à imaginação – encontravam o seu último fundamento e garantia na Razão Divina, constituíam actividades do espírito entre as quais havia aquela perfeita e complementar harmonia que decorre da essencial unidade do mesmo espírito.
In NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, nº 8, 2º Sementre de 2011.

25 de novembro de 2011

Repassando por dever de cidadania

Áreas protegidas em perigo

O líder do Partido Verde, deputado Sarney Filho (MA) divulgou a seguinte nota em nome da bancada federal.
“Está em curso no Congresso Nacional uma campanha para impedir a criação de novas áreas protegidas. O ataque se dá sobre Unidades de Conservação, terras indígenas e terras quilombolas. São onze Propostas de Emenda Constitucional (PECs) determinando que a criação e conservação dessas unidades deve ser por Projeto de Lei, submetidas, portanto, ao Congresso Nacional. A PEC 215/00, a qual foram apensadas as outras dez PECs, estão na pauta da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJC), prontas para ser votadas.
Não se trata aqui de dar autonomia ao Poder Legislativo, como sugere o texto. As aparências enganam. O objetivo é impedir ou dificultar a criação de novas UC, territórios indígenas ou de quilombolas. Os autores destas PECs sabem que, remetidas para esta Casa, é possível vetar, inviabilizar, remendar ou impedir que elas sejam criadas.
O elevado número de PECs com objetivos similares demonstra que temos aqui uma ação orquestrada. Mas quem estaria interessado em impedir a criação de novas Unidades de Conservação? Aqueles setores da economia interessados na riqueza de fauna, flora ou de minérios dessas áreas protegidas.
O Partido Verde entende que o Executivo possui o ambiente técnico necessário para definir e criar áreas protegidas, e que não cabe levar essa questão ao Congresso. A PEC, inclusive, fere cláusulas pétreas da Constituição e, também por isso, deve ser rejeitada na CCJC.
A criação de Unidades de Conservação atende aos anseios da sociedade que quer um Estado preocupado com as gerações presentes e futuras.
Por este motivo denunciamos essa Campanha à sociedade e nos manifestamos contra a aprovação da PEC 215/00. Finalmente, alertamos: se esta PEC for aprovada nunca mais será criada Unidade de Conservação, ou demarcada terra indígena ou quilombola, neste país”.
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Câmara dos Deputados
Bancada do Partido Verde
Mara Cristina Moscoso
maramoscoso@gmail.com
Fórum de ONGs Ambientalistas do DF
http://informe-ambiental.blogspot.com/
Mensagem enviada por Yara Magalhães do Instituto Caliandra e Membro fundadora da Casa Agostinho da Silva

Sabedoria



Agostinho da Silva desempenha um papel preponderante no avanço para uma Nova Civilização no nosso Planeta. Ninguém permanece indiferente às suas ideias; podem-se aceitar ou rejeitar porque os conhecimentos que transportam causam perturbações profundas em nós e, como nas escolas estamos habituados a responder, nunca a perguntar, nem todas as pessoas gostam dessa revolução interior que sentimos quando entramos em contacto com algo de bom, de belo e de verdadeiro que faz parte da essência do ser humano. 

Os sábios trazem a paz, o bom humor, a alegria e a fé na vida. É importante reconhecer as pessoas sábias, seguir-Ihes os passos e nortearmos as nossas vidas pelas suas. Elas abrem-nos o caminho. 

Quando entramos em sintonia com um único aspecto da obra de Agostinho da Silva, temos a consciência clara da distância que nos separa e do amor que nos une. 

Como homem, ele teve inúmeras fragilidades. Como um ser transcendente deixou-nos um hino de louvor à Vida. 
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Trecho recolhido de "Agostinho da Silva - Um Pensador para o Século XXI", de autoria da Psicóloga Alcione Scarpin, inserido na obra IN MEMORIAM de AGOSTINHO DA SILVA. Organização Renato Epifânio, Romana Valente Pinho e Amon Pinho Davi. Portugal: Zéfiro, 2006, p. 25.
Imagem: google.


23 de novembro de 2011

Uma Economia em Transição Abrupta



           
por Diogo Vaz Guedes, presidente da GESPURA

           A tempestade que varreu os mercados financeiros durante os últimos 2 anos e a gravidade da crise nas finanças públicas dos países mais desenvolvidos do mundo, veio por em causa um conjunto abrangente de despesas públicas, investimentos públicos e privados e despesas na protecção do Estado social que estão a provocar alterações significativas no padrão de comportamento das organizações privadas, dos governos e das famílias porventura aceitando o princípio de que todos vivíamos acima das nossas possibilidades e que temos de fazer uma cura de emagrecimento e humildade que nos leve de novo a um caminho de crescimento, desenvolvimento e prosperidade baseados em inovação e respeito pelo ambiente, protecção dos países menos desenvolvidos, redução drástica das políticas de subsidiação e alteração nos hábitos de consumo.
Esta crise não é no entanto só econômica e financeira, é também fortemente política pois põe a nu a "fragilidade" do crescimento dos países que tinham estruturado a sustentabilidade do seu desenvolvimento baseado em grandes projectos de construção e de promoção imobiliária, criando com isso expectativas infundadas nos agentes econômicos de financiamento ilimitado, de taxas de juro insustentavelmente baixas e de despesismo faraônico e por vezes inútil.
A consequência deste alinhamento de interesses públicos e privados que durante anos promoveu a prosperidade de um conjunto alargado de países do mundo mais desenvolvido, é que o ajustamento das suas economias é posto à prova duma maneira abrupta, violenta e devastadora para um conjunto alargado de agentes econômicos que gravitavam tranquilos à volta deste modelo de crescimento e desenvolvimento e que não resistem a uma necessidade de adaptação muito rápida que lhes exige em simultáneo diversificação, internacionalização e redimensionamento.
De facto, Portugal tem um "cluster" na área da construção e transportes que, segundo um estudo da Deloitte publicado em 2009 vale cerca de 28% do PIB, e cuja dívida ao sector financeiro multiplicou por 4 durante os últimos 10 anos. De igual modo, uma parte significativa deste tecido empresarial iria continuar a depender fortemente das Parcerias Público Privadas e das concessões de infra-estruturas que estavam previstas no Plano do Governo, designadamente as rodoviárias, o TGV e o novo aeroporto, entre outras.
Ora, sabemos hoje bem que vai inevitavelmente surgir um atraso significativo no desenvolvimento de infraestruturas o que impõe à nossa economia e particularmente a este "cluster" uma adaptação que irá ter consequências muito graves para as empresas e o desaparecimento de muitos postos de trabalho.
Acontece, no entanto, que a capacidade de absorção destes postos de trabalho e desta transição forçada neste sector tão importante em Portugal exige uma política sustentada de empreendedorismo e apoio às PME's que, embora pareça real à luz das várias iniciativas que conhecemos quer junto do sistema financeiro quer através das mútuas controladas pelo Estado nada acrescenta verdadeiramente ao modelo económico tradicional no qual temos vivido.
É certo que existem desde sempre um conjunto de 10 a 20 empresas portuguesas que, fruto da sua dimensão, da sua protecção estatal, da sua internacionalização e por vezes da qualidade da sua gestão representam uma base sólida de desenvolvimento empresarial e de presença portuguesa além fronteiras.
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Texto recolhido da obra Portugal E Agora? Que Fazer? Editor Horácio Piriquito. Deplano, 2010, pp. 38-39.
Imagem:internet

18 de novembro de 2011

Triste realidade



Por Aletho Alves*

Acordo assustada. Meu filho chora. Levanto da cama rapidamente. Ele está sentado no chão com as mãos no pescoço. Olha pra mim e diz soluçando:
— Dói, mamãe.
A gripe piorou. São quatro e meia da manhã. Tenho de estar no trabalho às seis, não posso faltar. Na verdade, nem atrasada posso chegar.
Anteontem, minha colega foi demitida por ter chegado uma hora atrasada, já que os metroviários fizeram uma paralisação de trinta minutos. Eu trabalho sem carteira assinada, não tenho seguro-desemprego e não consegui terminar meu curso de técnica em enfermagem, pois os professores do ensino profissionalizante nas escolas públicas estão em paralisação há mais de quatro meses. Então, fico me perguntando: de que adianta eu ganhar ajuda financeira do Estado se a minha única chance de mudar de vida é um caminho totalmente incerto?
Desesperada, pego minha bolsa, coloco uma muda de roupa para o meu filho em uma sacola plástica. Uma lágrima escorre pelo meu rosto, já sei que perderei meu emprego. Mas a saúde do meu filho vem em primeiro lugar. Na realidade, como posso mantê-lo saudável sem um real no bolso? Os pensamentos me afligem. Vou ou não vou ao hospital? Para ir ao posto de saúde mais próximo tenho de pegar dois ônibus e a esta hora da madrugada eles já estão lotados. Oh, meu Deus, será que estou no inferno?
Não agüento ver meu filho gemendo de dor. Coloco-o no colo e vou ao Posto de Saúde mais próximo.
São quinze para as seis quando desço do ônibus. Meu filho dorme. Caminho alguns minutos. Chego, finalmente, ao Posto. A fila é enorme; não há uma cadeira desocupada; a que encontro não tem encosto. Há gente que traz aquelas cadeiras de praia. Só faltam as barracas, pois os colchonetes já estão espalhados pelos corredores. É como se o mundo estivesse acabando e as pessoas tentassem sobreviver como podem. O cheiro é horrível e a única pessoa de branco é um rapaz que está tirando a blusa para enxugar o vômito de um velho deitado no chão que eu suponho ser seu avô.
Finalmente, vejo uma enfermeira. Vou em direção a ela e pergunto:
— Onde fica a ala pediátrica?
— Minha senhora, o pediatra ainda não chegou.
— Certo, mas... O médico de plantão?
— Desculpe, ele não veio hoje.
Antes que pudesse questionar alguma coisa, a mulher foi embora. Parece que todos os funcionários não se arriscam em conversar muito tempo com os pacientes, pois têm medo de serem agredidos verbalmente ou, até, fisicamente.
Estou esperando atendimento há horas e já não sei se fiz o melhor trazendo meu filho para este lugar.
Cansada, com fome, com medo, abaixo minha cabeça e vejo o rosto do meu filho. Seus olhos estão fechados, sua face está pálida e o seu corpo parece gélido. Percebo, então, que ele fez algo melhor do que eu: encontrou um lugar melhor para viver.
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*Aletho Alves é estudante do 2º ano do Ensino Médio. Esta crônica recebeu, em 2010, 1º lugar no 20º Concurso Literário João Herculino do Colégio CEUB/Brasília, Brasil.
Imagem: Matizes Dumont.