Gostaríamos de chamar a vossa atenção para a divulgação de alguns fundos e documentos relativos ao património arquivístico e fotográfico comum aos países da Comunidade dos Países de Língua portuguesa(CPLP), pesquisáveis nas bases de dados online da Direção Geral de Arquivos (Arquivo Nacional da Torre do Tombo e Centro Português de Fotografia).
28 de novembro de 2011
Dimensões da Crítica Literária Brasileira
27 de novembro de 2011
Quanto Vale ou é por Quilo?
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| MERCADO DE ESCRAVOS Johann Moritz Rugendas(1802-1858) |
A Casa Agostinho da Silva recomenda o documentário Quanto Vale ou é por Quilo? que faz uma analogia entre o antigo comércio de escravos no Brasil e a atual exploração da pobreza urbana pelo marketing social que forma uma solidariedade de fachada. Este longa-metragem nos faz refletir de forma crítica o processo de formação da sociedade brasileira e torna-se pertinente pensar a respeito das seguintes indagações: há a relação entre os quilombos do passado e as favelas do presente? São as favelas espaços de resistência ou de marginalização?
Título
original: Quanto Vale ou é por Quilo?
Lançamento:
20005 (Brasil)
Direção:
Sérgio Bianchi
Atores:
Ana Carbatti, Cláudia Mello, Myriam Pires, Leona Cavalli
Duração:
104 min
Gênero:
Drama
Status:
Arquivado
Sinopse
Uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social, que forma uma solidariedade de fachada. No século XVII, um capitão-do-mato captura um escrava fugitiva que está grávida. Após entregá-la ao seu dono e receber sua recompensa, a escrava aborta o filho que espera. Nos dias atuais, uma ONG implanta o projeto Informática na Periferia em uma comunidade carente. Arminda, que trabalha no projeto, descobre que os computadores comprados foram superfaturados e, por causa disto, precisa agora ser eliminada. Candinho, um jovem desempregado cuja esposa está grávida, torna-se matador de aluguel para conseguir dinheiro para sobreviver.
Trailer do Filme
A CAS, também, recomenda a leitura do conto "Pai contra mãe", de Machado de Assis, que serviu de base para o roteiro do filme de Sérgio Bianchi.
26 de novembro de 2011
Índios no Brasil: Quem são eles?
Ao contar a história do Brasil, muitas vezes o índio é tratado como um ser que parou no passado. Além disso, relacionado a atraso, preguiça e selvageria. Este episódio apresenta quem são e como vivem os indígenas no Brasil atual, tomando como foco a relação deles com os outros brasileiros.
Pessoas dos grupos étnicos Krenak, MG; Kaxinawá, AC; Ashaninka, AC; Yanomami, RR; Pankararu, PE e Kaingang, SC, conversam sobre o assunto.
Parte I
Parte II
NOS DUZENTOS ANOS DE DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES
António Braz Teixeira
NOS DUZENTOS ANOS DE DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES
Em 13 de Agosto passado, cumpriram-se duzentos anos sobre o nascimento, no Rio de Janeiro, de Domingos Gonçalves de Magalhães (1811-1882), figura maior da literatura, da cultura e do pensamento brasileiros, que, no novel Império, veio a desempenhar um papel idêntico ao que, entre nós, coube a Almeida Garrett. Como o autor das Viagens, o escritor fluminense foi o primeiro e mais activo responsável pela introdução do romantismo na cultura brasileira, quer como poeta quer como dramaturgo, fundando a sua obra de criação literária numa renovadora e pessoal reflexão filosófica, de sinal espiritualista, numa linha especulativa em larga medida afim das de Amorim Viana e Cunha Seixas.
Discípulo de Francisco de Mont’Alverne (1784-1858), monge franciscano cujo pensamento reflectia ainda concepções sensistas de que, no Brasil, o mais significativo representante fora Silvestre Pinheiro Ferreira (1769-1846), Gonçalves de Magalhães, concluído a curso de Medicina, na Escola recém-criada da sua cidade natal, passou alguns anos em França, completando a sua formação, onde contactou com o eclectismo espiritualista de Victor Cousin e Théodore Jouffroy, que, num primeiro momento, parece tê-lo seduzido, e onde, em 1836, com M. Araújo Porto-Alegre e F.S. Torres Homem, fundou a “revista brasiliense” Niterói, de “ciência, letras e artes”, movidos os três pelo “amor ao país” e pelo “desejo de ser útil aos seus concidadãos”, com vista a que estes se acostumassem “a reflectir sobre os objectos do bem comum, e da glória da sua pátria” e neles se desenvolvesse “o amor e a simpatia geral para tudo o que é justo, santo, belo e útil”. Daí que nela se dedicasse especial atenção tanto à economia política, “tão necessária ao bem material, progresso e riqueza das nações”, como às ciências, à literatura nacional e às artes “que vivificam a inteligência, animam a indústria, e enchem de glória e de orgulho os povos que as cultivam”, como se esclarecia na abertura do primeiro dos seus dois números.
Em cada um deles publicou o jovem intelectual fluminense textos que davam conta das suas preocupações: o Ensaio sobre a história da literatura no Brasil (no nº 1) e os estudo Filosofia da Religião, sua relação com a moral e sua missão social (no nº 2). Enquanto o primeiro revela o interesse do moço escritor na criação e na consolidação de uma literatura nacional brasileira, distinta da portuguesa, de que fizera parte, o segundo aponta já para o profundo anseio religioso que virá a caracterizar o seu pensamento filosófico.
No mesmo ano do aparecimento de Niterói, mas agora nos Rio de Janeiro, Gonçalves de Magalhães dá à estampa a colectânea lírica que marca o início do romantismo literário brasileiro, o volume Suspiros poéticos e saudades (1836). Um decénio após a publicação de Camões (1825), também no Brasil o movimento romântico se iniciou sob o signo da saudade e revelando uma vivência do sentimento saudoso próxima da garrettiana.
Escrito, em grande parte, em Paris, como o poema do vate lusitano, e reflectindo, como ele, a experiência do exílio (se bem que voluntário, no caso do lírico brasileiro), o sentimento saudoso é ali apreendido por Gonçalves de Magalhães como “melancólica dor” e “tirano da ausência”, que “retrata em fugitiva sombra (…) a imagem do passado”.
Convergindo com Garrett (e com D. Francisco Manuel de Melo) no reconhecimento do carácter contraditório e ambivalente da saudade, do mesmo passo que a designa por “aflição dura e terna”, dirá:
“Mau grado o teu pungir, como és suave!
Como a rosa de espinhos guarnecida
Agrilhoa e apraz co’o doce aroma
Tu feres e mitigas com lembranças”
para vir a concluir, rendido à mesma saudade:
“Pois que em minha alma habitas (…)
Saudade, serei teu… Saudade, és minha”
Dois anos depois e convergindo de novo com o nosso grande romântico, no intuito de criar um dramaturgia nacional, Magalhães vê subir à cena a tragédia em cinco actos, em verso,António José de Almeida ou o poeta e a Inquisição, no mesmo ano em que, em Portugal, é representado, pela primeira vez, Um auto de Gil Vicente. Se, entre nós, Garrett se inspirava na figura do fundador do teatro português, no Brasil, o jovem dramaturgo procura no “Judeu” essa mesma inspiração fundadora.
É a mesma preocupação de reivindicar a autonomia cultural do Brasil relativamente a Portugal que se encontra na raiz da tentativa de epopeia nacional que é o poema épico, em dez cantos, A confederação dos Tamoios (1856), dedicado ao Imperador D. Pedro II, a cujas expensas foi publicado.
Se parece hoje inegável que a poesia lírica de Gonçalves de Magalhães não alcança a qualidade ou a altura da de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu ou Fagundes Varela, e se, como dramaturgo, as suas duas tragédias se situam abaixo de obras como Leonor de Mendonça (1846), de Gonçalves Dias, ou Macário (1851), de Álvares de Azevedo, já como pensador a sua obra ocupa um lugar cimeiro no conjunto da reflexão brasileira de Oitocentos, ao lado das de Silvestre Pinheiro Ferreira, Tobias Barreto (1839-1889) e Farias Brito (1862-1917), marcando, de certo modo, a autonomia especulativa do Brasil e conferindo ao movimento romântico uma dimensão que o português não logrou atingir. Daí que, quando a partir de meados dos anos 60 do século XIX, as novas correntes e doutrinas positivistas, monistas, evolucionistas e cientificistas começam a encontrar eco nas duas culturas de língua portuguesa, seja diverso o alvo das críticas dos respectivos sequazes: enquanto, em Portugal, a denominada “Questão Coimbrã” se limita ao puro plano literário, em torno da figura e da obra de Castilho, no Brasil, a chamada “Escola do Recife” coloca no centro do debate o espiritualismo e o pensamento filosófico de Gonçalves de Magalhães, de modo especial a obraFactos do espírito humano, em que o especulativo fluminense procedeu a uma demorada refutação do sensismo e ao delineamento de uma filosofia do Espírito, de acentuado pendor ético e religioso, que claramente se distingue do eclectismo a que aderira, embora com reservas, durante o seu período parisiense, mas de que começou a afastar-se, decididamente, a partir de meados da década de 40, como o revela o ensaio A origem da palavra (1844).
Entendendo a Filosofia como actividade da razão que busca a verdade, advertia, contudo, o filósofo brasileiro que está é realidade divina e não humana, pelo que se a razão é uma força activa e livre, o seu centro de gravidade não pode deixar de ser a verdade que existe em Deus, nem a Filosofia deixar de ser a ciência universal que trata do espírito humano e das suas relações com Deus e com o Universo. Deste modo, para Gonçalves de Magalhães, sem prejuízo da sua autonomia como actividade espiritual de busca da verdade, a Filosofia encontraria a sua fonte na religião, assim como o mistério seria, a um tempo, o fundo do homem e a forma da verdade.
Notava o filósofo que não resultava daqui qualquer conflito ou oposição entre razão e fé, pois que, sendo a Filosofia a ciência de todas as coisas em relação ao sujeito que pensa e à causa que as produz (Deus), e dirigindo-se a revelação divina à razão que a converte em fé, nenhum conflito pode existir entre as verdades da razão e as da fé, havendo, pelo contrário, uma íntima relação entre uma e outra. Também o conhecimento científico, para o especulativo brasileiro, não seria mero produto da vista ou do tacto, nem se reduziria à observação e à experiência, sendo sempre, e necessariamente, produto da razão humana, elevando-se à Razão Divina. Deste modo, Religião, Filosofia e Ciência, porque tinham uma raiz comum nas leis universais da razão – mas de uma razão aberta tanto ao mistério e à revelação como à sensação e à imaginação – encontravam o seu último fundamento e garantia na Razão Divina, constituíam actividades do espírito entre as quais havia aquela perfeita e complementar harmonia que decorre da essencial unidade do mesmo espírito.
In NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, nº 8, 2º Sementre de 2011.
25 de novembro de 2011
Repassando por dever de cidadania
Áreas protegidas em perigo
O líder do Partido Verde, deputado Sarney Filho (MA) divulgou a seguinte nota em nome da bancada federal.
“Está em curso no Congresso Nacional uma campanha para impedir a criação de novas áreas protegidas. O ataque se dá sobre Unidades de Conservação, terras indígenas e terras quilombolas. São onze Propostas de Emenda Constitucional (PECs) determinando que a criação e conservação dessas unidades deve ser por Projeto de Lei, submetidas, portanto, ao Congresso Nacional. A PEC 215/00, a qual foram apensadas as outras dez PECs, estão na pauta da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJC), prontas para ser votadas.
Não se trata aqui de dar autonomia ao Poder Legislativo, como sugere o texto. As aparências enganam. O objetivo é impedir ou dificultar a criação de novas UC, territórios indígenas ou de quilombolas. Os autores destas PECs sabem que, remetidas para esta Casa, é possível vetar, inviabilizar, remendar ou impedir que elas sejam criadas.
O elevado número de PECs com objetivos similares demonstra que temos aqui uma ação orquestrada. Mas quem estaria interessado em impedir a criação de novas Unidades de Conservação? Aqueles setores da economia interessados na riqueza de fauna, flora ou de minérios dessas áreas protegidas.
O Partido Verde entende que o Executivo possui o ambiente técnico necessário para definir e criar áreas protegidas, e que não cabe levar essa questão ao Congresso. A PEC, inclusive, fere cláusulas pétreas da Constituição e, também por isso, deve ser rejeitada na CCJC.
A criação de Unidades de Conservação atende aos anseios da sociedade que quer um Estado preocupado com as gerações presentes e futuras.
Por este motivo denunciamos essa Campanha à sociedade e nos manifestamos contra a aprovação da PEC 215/00. Finalmente, alertamos: se esta PEC for aprovada nunca mais será criada Unidade de Conservação, ou demarcada terra indígena ou quilombola, neste país”.
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Câmara dos Deputados
Bancada do Partido Verde
Mara Cristina MoscosoBancada do Partido Verde
maramoscoso@gmail.com
Fórum de ONGs Ambientalistas do DF
http://informe-ambiental.
Mensagem enviada por Yara Magalhães do Instituto Caliandra e Membro fundadora da Casa Agostinho da Silva
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Unidade de Conservação
Sabedoria
Agostinho da Silva desempenha um papel preponderante no avanço para uma Nova Civilização no nosso Planeta. Ninguém permanece indiferente às suas ideias; podem-se aceitar ou rejeitar porque os conhecimentos que transportam causam perturbações profundas em nós e, como nas escolas estamos habituados a responder, nunca a perguntar, nem todas as pessoas gostam dessa revolução interior que sentimos quando entramos em contacto com algo de bom, de belo e de verdadeiro que faz parte da essência do ser humano.
Os sábios trazem a paz, o bom humor, a alegria e a fé na vida. É importante reconhecer as pessoas sábias, seguir-Ihes os passos e nortearmos as nossas vidas pelas suas. Elas abrem-nos o caminho.
Quando entramos em sintonia com um único aspecto da obra de Agostinho da Silva, temos a consciência clara da distância que nos separa e do amor que nos une.
Como homem, ele teve inúmeras fragilidades. Como um ser transcendente deixou-nos um hino de louvor à Vida.
Trecho recolhido de "Agostinho da Silva - Um Pensador para o Século XXI", de autoria da Psicóloga Alcione Scarpin, inserido na obra IN MEMORIAM de AGOSTINHO DA SILVA. Organização Renato Epifânio, Romana Valente Pinho e Amon Pinho Davi. Portugal: Zéfiro, 2006, p. 25.
Imagem: google.
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