29 de fevereiro de 2012

Seminário Internacional: O Percurso dos quilombos: de África para o Brasil e o regresso às origens


Confira a programação:

Lisboa, 7 de Março de 2012
Fundação Calouste Gulbenkian, Auditório 3
www.quilomboscontemporaneos.org


09:00 Recepção dos Participantes

09:30 Sessão de Abertura
Paulo Telles de Freitas, Administrador do Instituto Marquês de Valle FlôrEmílio Rui Vilar, Presidente da Fundação Calouste GulbenkianAugusto Manuel Correia, Presidente do Instituto Português de Apoio ao DesenvolvimentoDomingos Simões Pereira, Secretário Executivo da CPLP

10:30 Quilombos: raízes e identidades
Enquadramento histórico e reflexão teórica: as raízes africanas na construção da identidade
Carlos Alves Moura, Coordenador Geral do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra da FundaçãoCultural Palmares, Ministério da Cultura, BrasilGlória Moura, Professora na Universidade de BrasíliaMaria Tereza Nunes Trabulsi, Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão

11:30 Pausa

11:45 Dos Quilombos do Maranhão às tabancas da Guiné-Bissau
Paralelismos: as tradições em Cabo Verde, na Guiné Bissau e no Brasil
Verónica Gomes, Investigadora Social
Mário Moniz, Secretário Executivo da Plataforma das ONG’s de Cabo VerdeIsabel Ribeiro, Coordenadora de programas da ONG Acção para o Desenvolvimento, Guiné-BissauAna Emília Santos, Quilombola do Quilombo Matões dos Moreiras, Maranhão, Brasil

13:15 Almoço livre

14:30 Quilombos Contemporâneos: a afirmação de uma identidade
A realidade Quilombola no séc. XXI: a vida em comunidade, lutas e direitos. A importância da valorização, divulgação e afirmação da
cultura Quilombola
Valderlene Silva, Associação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão
Maria José Palhano, Francisco Carlos Silva, Maria Antónia Santos e Jaqueline Belfort, Quilombolas do Maranhão, Brasil

16:00 Pausa

16:15 Kilombos: o Documentário
Apresentação do Documentário e debate
Moderação Fernando Ramos, Professor na Universidade de Aveiro
Miguel Silva, Coordenador do Programa Educação Global, Centro Norte-Sul do Conselho da Europa
Maria do Carmo Piçarra, Investigadora Universidade Nova de LisboaLuís Melo, Director de Imagem
Paulo Nuno Vicente, Realizador
Francisco Carlos Silva, Quilombola do Quilombo de São Benedito dos Pretos,Maranhão, Brasil

18:00 Momento Cultural 



27 de fevereiro de 2012


A flor de maracujá,
o por do sol, o parreiral,
Emanuel Medeiros Vieira
e outras imagens




Guaraciaba-SC. Fotos: Celso Martins

Emanuel prepara um
novo livro de contos

O escritor Emanuel Medeiros Vieira passou todo o período de Carnaval “revisando as provas do meu novo livro de contos”, escreve. “Lendo, relendo. Sem parar. Ou eu terminava com a revisão ou ela terminava comigo.... Ufa! Terminei! Terás uma surpresa”, acrescenta.
No momento Emanuel se encontra em Brasília, onde residiu por quase três décadas, devendo retornar a Salvador-BA nos próximos dias. Confira seu último texto:


G A M B I A R R A

Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

(...) “Vivendo sempre no obstruído, no precário, no inerte, no disforme, no incerto, no rígido, no aterrorizador, no inóspito, no nu, no enfermiço, no vacilante, no desguarnecido, no nu, no enfermiço, no vacilante, no desguarnecido, no inóspito, no lúdico”. (...)
(Enrique Vila-Matas, “Dublinesca”)

Brasil: gambiarra infinita –
atravessando o tempo e as caravelas,
os Inss, cartórios, jeitos, jeitinhos, golpes, democracias formais –
segue, gambiarra, até a consumação dos tempos,
vem geração, vai geração – estás sempre aí –
arrumando fios na clandestinidade ou às claras,
a gente sabe quem paga a conta
tudo inconcluso
navegar é preciso
gambiarra de simulacros – como se uma peste surgisse no porto de Santos
e acordasse feliz no Brasil inteiro,
com seus carnavais, feriados, e com o seu esquecimento,
e o pó chegará para todos – celebridades vãs, engenhocas eletrônicas, vestidos caros, futilidade, enganação, truques mentais.
Tudo seria recomeçado depois de uma bomba nuclear,
uma flor pequena, um velho de boina, um menino, uma regata – e o mar.
Segue o teu destino, gambiarra – segue em paz,
aguentaremos o teu fedor – sempre.
(Como temos suportado até agora com a nossa “alegria”, nosso samba, nossos mandões tão idiotas e tão presunçosos, nossos velhacos sempre iguais – paródias de si mesmos.)
Mas relembro: um menino, um velho, uma regata – e o mar.

(Brasília, fevereiro de 2011)

*





*





*

A G R E G A R

POEMA DE EMANUEL MEDEIROS VIEIRA*


“Não Matarás”: não basta.

Teu mandamento será este: farás tudo para que o outro viva.

É vero sim o que quero:

não me importa o estoque de teu capital, Brasil,

mas tua capacidade de: amar

lavrar

aspirar

compreender.

Esse estatuto de miséria não é o nosso,

e a tecnologia da última geração não me sacia:

meu coração navegador quer mais.

A Ética – cuspida, debochada, no reino do simulacro,

Virou produto supérfluo porque não tem valor contábil.

Tempo dessacralizado e sem utopia:

a esperança é um cavalo cansado?

A aventura acabou no mundo?

Seremos apenas meros grãos de areia na imensa praia global?

Habitantes de um mundo virtual neste mercado sem cara?

Soará pomposo, eu sei:

não deixemos que nos amputem a alma

(e que acolhamos o outro).

Ser gente: não mera massa abúlica, informe, com os olhos colados

no retângulo luminoso de todas as noites.

O tempo é apenas dos alpinistas sociais?

Sou bom porque apareço, não apareço porque sou bom.

Na internet a solidão é planetária.,

mas do abismo – fragmento – irrompe um menino eterno,

e sentes o cheiro de uma manhã fundadora.

(A Morada do Ser é mais importante que o poder/glória.)

E o poema resiste,

singra a eternidade,

despista a morte,

seu estatuto não é mercantil.

Já não esqueces o essencial:

Na estrada de pó e de esperança, acolhes o outro.


*Este texto obteve o Primeiro Lugar no Concurso Nacional de Poemas, promovido pela Associação de Cultura Luso-Brasileira, de Juiz de Fora, Minas Gerais, sendo contemplado com a Medalha de Ouro “Jacy Thomaz Ribeiro.” O tema do concurso foi “Solidariedade: Por um Mundo Melhor.”
*


26 de fevereiro de 2012

A Revista Identidades — uma realização da Casa Agostinho da Silva (CAS) — tem por objetivo a divulgação da obra do professor George Agostinho Baptista da Silva, promovendo o seu pensamento, bem como a divulgação dos Povos de Língua Portuguesa e a valorização da cultura lusófona/lusofilia entre culturas avizinhadas pelo mesmo idioma.






20 de fevereiro de 2012

Ceará dá o arranque para o Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal

"O Vice Consul de Portugal no Ceará, Francisco Brandão, mais uma
vez demonstra seu dinamismo e dá o pontapé de saída para se tornar
realidade a decisão de ambos os Governos de iniciar em 7 de setembro
de 2012, de forma simultânea, as realizações que integrem o Ano de
Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal, que se estenderão até 10
de junho de 2013, emprestando assim o simbolismo das datas nacionais
de ambos os países lusófonos, para ditar a responsabilidade não só dos
Governos mas das sociedades civis em garantir um conteúdo com a
importância necessária para não se esgotar na sua concretização e sim
projetar um novo patamar das relações luso.brasileiras, cuja muito mais
dilatada abrangência política e económica, para alem da fundamental
coesão em termos históricos e culturais, será absolutamente determinante
para o futuro de Portugal" (Amândio Silva)

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Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal - Artigo

(Texto publicado pela Embaixada de Portugal - Brasília em 14/02/2012)



Por sugestão do Vice-Cônsul de Portugal em Fortaleza, Francisco Brandão, o jornal O POVO irá publicar todos os meses, até 7 de setembro deste ano, data do início do Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal, um novo artigo sobre o relacionamento entre os dois países.

Com a devida vénia, publicamos aqui, na íntegra, o primeiro dos artigos dessa série.

"De forma inédita, Portugal e o Brasil acordaram realizar simultaneamente o ano do Brasil em Portugal e ano de Portugal no Brasil , com início no dia nacional do Brasil, 7 de Setembro de 2012, e encerramento na data nacional de Portugal , dez de junho de 2013.

Trata-se de um convite para que ambas as nações se reinventem nas suas relações que nunca foram tão intensas e difusas já que surgem em todas as áreas e de forma espontânea.

Que pode cada um de nós fazer nesse ano? Estão as entidades de cada país, Governos centrais, estaduais, municípios, universidades, escolas, associações empresariais, artistas e meios de comunicação social convidados a refletir e a promover ações de aproximação entre as nossas duas nações.

Não serão apenas eventos de grande porte mas podem ser ações pontuais e locais que aproximem a cultura e economia dos nossos países e revelem o melhor de cada um de nós em “inovação e modernidade“.

Os projetos devem ser apresentados do lado português ao nosso Comissariado Geral que este mês iniciou atividades para seleção e chancela. Portugueses e Brasileiros hoje são parceiros e cultivam “cumplicidade” e constatam ser mutuamente vantajoso.

Esse é o principal motor, o estatuto de parceiros. O Ceará acumulou uma comunidade portuguesa muito articulada e experiente que pode potenciar essas ligações, um associativismo com curriculum de realizações lusófonas, nomeadamente a dinâmica Câmara de Comércio e a histórica Beneficente Portuguesa, universidades com experiência de intercâmbio, municípios com presença portuguesa e acordos de cooperação, um governo estadual parceiro de diversas iniciativas e de empresas portuguesas, a FIEC, o SEBRAE, Artistas e Ongs.

Portugal e o Brasil, nações livres e democráticas, sem imposição de paradigmas ideológicos históricos já que têm sólidos fundamentos de nação, escrevem todos os dias novas páginas de cooperação.

Localmente, o Vice-Consulado, com jurisdição no Ceará e Piauí, que tem como funções promover relações econômicas sociais e culturais, procurará acompanhar e articular as atividades de aproximação que estiverem ao seu alcance; mas seria de grande satisfação ver despontar espontaneamente e em todas as áreas iniciativas de que nos transcendam de aproximação entre Portugal e o Brasil nomeadamente no Estado do Ceará e Piauí e, por outro lado, assistir a realizações de promoção do Ceará e Piauí em Portugal durante esse período."


Francisco Neto Brandão - Vice-Cônsul
francisco.brandao@mne.pt
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Leia também: 

Eduardo Galeano: "O Direito ao Delírio"


17 de fevereiro de 2012

ATO DE REPULSA


(texto enviado por e-mail)


Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata !




Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.




Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda uma Região Militar ou uma grande fração do Exército.




Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro do que ganha um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional.  (É uma vergonha...!!)




Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos,  mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas.




O SUS paga a um médico, por uma cirurgia cardíaca com abertura de peito, a importância de R$ 70,00, equivalente ao que uma diarista cobra para fazer a faxina num apartamento de dois quartos.



PRECISAMOS URGENTEMENTE DE UM CHOQUE DE MORALIDADE NOS TRÊS PODERES DA UNIÃO,  ESTADOS E MUNICÍPIOS, ACABANDO COM OS OPORTUNISMOS E CABIDES DE EMPREGO.

OS RESULTADOS NÃO JUSTIFICAM O ATUAL NÚMERO DE SENADORES, DEPUTADOS FEDERAIS, ESTADUAIS E VEREADORES.

TEMOS QUE DAR FIM A ESSES "CURRAIS" ELEITORAIS, QUE TRANSFORMARAM O BRASIL NUMA OLIGARQUIA SEM ESCRÚPULOS, ONDE OS NEGÓCIOS PÚBLICOS SÃO GERIDOS PELA “BRASILIENSE COSA NOSTRA”.

O PAÍS DO FUTURO JAMAIS CHEGARÁ A SER, SEM QUE HAJA RESPONSABILIDADE SOCIAL COM OS  GASTOS PÚBLICOS.

JÁ PERDEMOS A CAPACIDADE DE NOS INDIGNAR.
PORÉM, O PIOR É ACEITARMOS ESSAS COISAS, COMO SE TIVESSE QUE SER ASSIM MESMO,  OU QUE NADA TEM MAIS JEITO. VALE A PENA TENTAR. PARTICIPE DESTE ATO DE REPULSA.

15 de fevereiro de 2012

... sobre Agostinho da Silva


"Ao fim e ao cabo, a agostiniana idéia de Deus associa-se ao Espírito Santo. [...]. Se, ao longo da sua vida, se cruza com o cristianismo, com o catolicismo, com o taoismo, com o budismo-zen, com o candomblé, o certo é que a religiosidade antiga é o alicerce das lucubrações acerca de Deus."


"[...] o que mais importa, numa análise essencial sobre Agostinho da Silva,
é a reflexão acerca da harmonia entre o seu pensamento e a sua acção,
que, em última análise,
cremos estar na senda da multiplicidade universal."

PINHO, Romana V. O essencial sobre Agostinho da Silva. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2006, p. 57 e p. 84.).