16 de março de 2012

SEM TRUQUES



Poema de Emanuel Medeiros Vieira

Texturas, formas e viventes
Fotos de Celso Martins



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SEM TRUQUES1

SEM TRUQUES

Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

Para meus irmãos

“Deus Meu! Em que século – ou em que mundo – me fizestes nascer!”
(São Policarpo – Bispo de Esmirna, mártir e discípulo de São João Evangelista)
Ouvindo “Quem Sabe” (Carlos Gomes), com Francisco Petrônio e Dilermando Reis.

O século nasceu velho.
Sem truques – só magia –
aprendi a me despedir de tudo
– colecionador de funerais –
Eternizarei (palavra esculpida na pedra) quero eternizar o canto de um pássaro que agora (para sempre?) escuto?
É para isso que aqui estou.

Dor crônica no pescoço?
É porque você foi enforcado em outra encarnação – garantem alguns.

Exaltação, melancolia, espera – o Nada –, o Tempo queimando,
a Palavra tentando driblar a Dessacralização desta vida.
(Mercantis tempos.)

“Está te faltando humor” – berra um diabinho interior.

Mas a vela continua acesa.

Perdeu importância a literatura?
Ela já não sintoniza as consciências.
E há livros demais:
hierarquizar é preciso.

Na TV, a hiper-realidade é tão perfeita
que toda experiência real parece sem graça.
Tudo é simulacro?
Não as Parcas.
Somos tão frágeis?
Somos tão fortes?
Ou não somos?
Poucos de nós não nasceram para o rebanho.
Envelhecemos, passamos, vai-se a carne – e O Espírito sopra onde quer.
A vida foi mais que nada.

(Brasília, março de 2012)

5 de março de 2012

Será proibido pensar?



Stanislaw Ponte Preta escreveu o FEBEAPÁ, satirizando o Brasil de cabo a rabo na época do regime militar.  Comprei diversas vezes, porque a turma pedia emprestado e não devolvia (ah, mas tenho amigos que devolvem livros, não é incrível?).  Jamais tive a menor dificuldade em encontrálos.  Qualquer livraria tinha aos montes.  Recebi um e-mail idiota de um patrulheiro não menos que babava ódio contra o livro do coronel Ulstra, na base do “é mentira!  É mentira! É mentira!”, mas sem qualquer consistência para rebater as informações.  Embora todo mundo tenha o direito natural de expressar sua opinião, eu não dou crédito a patrulhas sem conteúdo.  Não dou bola para slogans repetidos à exaustão, já disse um sem número de vezes.  Mas fiquei curioso e quis comprar o livro... mas que é de?  Rapaz, como está difícil de achar!
Agora, recebo este artigo de meu mano José Maurício.  E leio que a corja de preconceituosos que ocupa cargos no poder – vou repetir: a corja de preconceituosos que ocupa cargos no poder – pretende usar o Ministério Público Federal para amordaçar editoras que publiquem o dicionário Houaiss!!
Não dá para acreditar!
Comecei minha vida em cima dos Elementos de Bibiologia, do Antonio Houaiss.  Boa parte das dúvidas que tive, ao longo de minha carreira – e foram muitas – foram tiradas pela Enciclopédia Mirador.  Ela ainda está lá, na minha estante, desde a década de 1970.  Não preciso repetir quem foi Houaiss.  O José Maurício já deu uma boa informação.
E é esse Antônio Houaiss que esse bando de imbecis quer censurar?  Leiam para ver o descalabro. 
Vou parar por aqui.  Está difícil escrever sem dizer palavrão e eu ainda me considero um homem razoavelmente educado. 
“É proibido censurar”, vocês lembram da música?  Ah, mas só de um lado.  Quando a gente chega no poder, pode tudo.  A ralé tem que pensar em bloco para que a ignorância dos que chegaram ao poder não fique tão patente. 
Bando de boçais inconsequentes!
Vamos ver se essa estupidez ainda encontra defensores entre homens inteligentes.  Estamos chegando ao É proibido discordar.  Daqui a pouco vem o É proibido pensar
Nessas horas, lamento não ser coronel para assinar o tal manifesto.  Falta de caráter tem limite.
JG
 
 
 

“Um livro no banco dos réus”
                                                                   José Maurício Guimarães

Antônio Houaiss é o nome de um dos maiores filólogos brasileiros, tendo sido também destacado escritor, crítico literário, tradutor, diplomata e Ministro da Cultura. Nasceu em 1915 e viveu até 1999, dedicando sua existência à cultura brasileira e à vida intelectual. Cedo se deixou cativar pelo latim e pelos clássicos gregos. Aos dezesseis anos já lecionava português, atividade que exerceu durante toda sua vida. Houaiss ocupou cargos importantes como membro da Academia das Ciências de Lisboa e presidente da Academia Brasileira de Letras. Era conhecido como o "maior estudioso das palavras da língua portuguesa nos tempos modernos". Houaiss aliava o rol de méritos e talentos à modéstia, definindo-se como um mero “estudiosozinho da Língua Portuguesa”. Escreveu dezenove livros (sendo que na Academia Brasileira de Letras existem acadêmicos que não escreveram nenhum...) e elaborou as duas enciclopédias das mais importantes realizadas no Brasil: a Delta-Larousse e a Mirador Internacional. Publicou dois dicionários bilíngues inglês-português e organizou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras. Entre seus maiores feitos literários está a de tradução do complexo romance Ulisses de James Joyce. Foi em 1986 que Houaiss iniciou seu mais ambicioso projeto: o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa que só foi concluído após a sua morte e pelo empenho de Mauro Villar.
O INSTITUTO ANTÔNIO HOUAISS foi criado primeiro no Brasil e a seguir em Portugal, para divulgar a cultura da língua portuguesa em ambos os países. A obra de Houaiss é tão extensa e importante que só uma equipe permanente de especialistas seria capaz de cuidar dela. O Instituto aplica os recursos advindos das obras e de parcerias com empresas na contínua revisão e atualização de suas publicações. Obras principais do Instituto: “Dicionário Houaiss na Nova Ortografia”, “Gramática Houaiss”, “Dicionário Houaiss de Sinônimos e Antônimos”, “Escrevendo pela Nova ortografia”, “Mini Houaiss”, “Meu Primeiro Dicionário Houaiss”, “Dicionário Houaiss da MPB”, “Dicionário Houaiss em CDROM”, “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa”. Desculpem-me o trocadilho – mas se Antônio Houaiss estivesse vivo diria um solene UAI!? diante da ação agora proposta pelo Ministério Público Federal contra editoras que publicam  dicionário Houaiss. O colunista da Folha, Hélio Schawrtsman considerou despropositada a ação que pede a retirada de circulação do dicionário Houaiss, porque a obra contém 'expressões pejorativas e preconceituosas'. E essa caça federal ao dicionário teve seu berço em Uberlândia, em minha jurisconsulta Minas Gerais de tantos Carlos Drummond de Andrade, tantas Adélia Prado, Affonso Romano de Sant'Anna, Alphonsus de Guimaraens, Antônio Augusto de Lima Júnior, Autran Dourado, Bernardo Guimarães, Ciro dos Anjos, Cláudio Manuel da Costa, Darcy Ribeiro, Eduardo Frieiro, Fernando Sabino, Guimarães Rosa, Lúcia Machado de Almeida, Manuel Inácio da Silva Alvarenga, Mário Palmério, Murilo Rubião, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos, Murilo Mendes, Pedro Nava, Godofredo Rangel, Roberto Drummond, Henriqueta Lisboa, Rubem Fonseca, sem falar nos Zuenires, Zélios, Ziraldos, Stellas, Nelsons , Josés e Zés e Marias, Horácios , Giocondas, Gilbertos , Geraldos , Dilermandos , Coelho (que não paulos), Celsos , Cecílios, Benitos, Beatrizes, Bartolomeus, Antônios , Annas e Anas, Aníbals, Andrés , Alexandres e Agostinhos... uffff
A ação solicita a imediata retirada de circulação, suspensão de tiragem, venda e distribuição das edições do dicionário. Eu tenho um exemplar e tratei de escondê-lo debaixo da cama, assim como fazia na época de estudante, com os livros marxista-leninistas. O comunicado do Instituto Antônio Houaiss diz, em nota oficial, entre outras coisas, terem recebido em maio de 2010, uma recomendação da Procuradoria da República do estado de Minas Gerais a respeito de significados atribuídos pelo Dicionário a determinada expressão. O Instituto esclarece: o texto publicado em 2001 (1ª edição) não teria novas reimpressões, tendo sido alteradas a definição em questão, assim como todas as palavras ligadas ao tema; que estavam, por isso mesmo, preparando uma 2ª edição que ficou pronta no final de 2011, não havendo como imprimi-la e publicá-la até agora. O Instituto Antônio Houaiss esclarece (para os que não sabem) que os dicionários “não criam termos na língua; eles apenas refletem, como espelhos, as ocorrências com que se deparam, não os usando, portanto, com intenção de atacar, ferir ou menosprezar pessoas ou grupos”; e que tais verbetes vêm, modernamente, sempre acompanhados de uma observação sobre o fato de que tal acepção é pejorativa, registrando o que ocorreu ou ocorre na língua falada e escrita, tanto no padrão culto como no informal, pois dicionários não inventam palavras nem acepções. E exemplifica, com ótimo argumento, que não se pode eliminar dos dicionários as palavras guerra, tortura, violência, pedofilia supondo, com isso, impedir que tais atos aconteçam. É como fazem os dicionários modernos em todo o mundo, afirma o Instituto.
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29 de fevereiro de 2012

Seminário Internacional: O Percurso dos quilombos: de África para o Brasil e o regresso às origens


Confira a programação:

Lisboa, 7 de Março de 2012
Fundação Calouste Gulbenkian, Auditório 3
www.quilomboscontemporaneos.org


09:00 Recepção dos Participantes

09:30 Sessão de Abertura
Paulo Telles de Freitas, Administrador do Instituto Marquês de Valle FlôrEmílio Rui Vilar, Presidente da Fundação Calouste GulbenkianAugusto Manuel Correia, Presidente do Instituto Português de Apoio ao DesenvolvimentoDomingos Simões Pereira, Secretário Executivo da CPLP

10:30 Quilombos: raízes e identidades
Enquadramento histórico e reflexão teórica: as raízes africanas na construção da identidade
Carlos Alves Moura, Coordenador Geral do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra da FundaçãoCultural Palmares, Ministério da Cultura, BrasilGlória Moura, Professora na Universidade de BrasíliaMaria Tereza Nunes Trabulsi, Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão

11:30 Pausa

11:45 Dos Quilombos do Maranhão às tabancas da Guiné-Bissau
Paralelismos: as tradições em Cabo Verde, na Guiné Bissau e no Brasil
Verónica Gomes, Investigadora Social
Mário Moniz, Secretário Executivo da Plataforma das ONG’s de Cabo VerdeIsabel Ribeiro, Coordenadora de programas da ONG Acção para o Desenvolvimento, Guiné-BissauAna Emília Santos, Quilombola do Quilombo Matões dos Moreiras, Maranhão, Brasil

13:15 Almoço livre

14:30 Quilombos Contemporâneos: a afirmação de uma identidade
A realidade Quilombola no séc. XXI: a vida em comunidade, lutas e direitos. A importância da valorização, divulgação e afirmação da
cultura Quilombola
Valderlene Silva, Associação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão
Maria José Palhano, Francisco Carlos Silva, Maria Antónia Santos e Jaqueline Belfort, Quilombolas do Maranhão, Brasil

16:00 Pausa

16:15 Kilombos: o Documentário
Apresentação do Documentário e debate
Moderação Fernando Ramos, Professor na Universidade de Aveiro
Miguel Silva, Coordenador do Programa Educação Global, Centro Norte-Sul do Conselho da Europa
Maria do Carmo Piçarra, Investigadora Universidade Nova de LisboaLuís Melo, Director de Imagem
Paulo Nuno Vicente, Realizador
Francisco Carlos Silva, Quilombola do Quilombo de São Benedito dos Pretos,Maranhão, Brasil

18:00 Momento Cultural 



27 de fevereiro de 2012


A flor de maracujá,
o por do sol, o parreiral,
Emanuel Medeiros Vieira
e outras imagens




Guaraciaba-SC. Fotos: Celso Martins

Emanuel prepara um
novo livro de contos

O escritor Emanuel Medeiros Vieira passou todo o período de Carnaval “revisando as provas do meu novo livro de contos”, escreve. “Lendo, relendo. Sem parar. Ou eu terminava com a revisão ou ela terminava comigo.... Ufa! Terminei! Terás uma surpresa”, acrescenta.
No momento Emanuel se encontra em Brasília, onde residiu por quase três décadas, devendo retornar a Salvador-BA nos próximos dias. Confira seu último texto:


G A M B I A R R A

Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

(...) “Vivendo sempre no obstruído, no precário, no inerte, no disforme, no incerto, no rígido, no aterrorizador, no inóspito, no nu, no enfermiço, no vacilante, no desguarnecido, no nu, no enfermiço, no vacilante, no desguarnecido, no inóspito, no lúdico”. (...)
(Enrique Vila-Matas, “Dublinesca”)

Brasil: gambiarra infinita –
atravessando o tempo e as caravelas,
os Inss, cartórios, jeitos, jeitinhos, golpes, democracias formais –
segue, gambiarra, até a consumação dos tempos,
vem geração, vai geração – estás sempre aí –
arrumando fios na clandestinidade ou às claras,
a gente sabe quem paga a conta
tudo inconcluso
navegar é preciso
gambiarra de simulacros – como se uma peste surgisse no porto de Santos
e acordasse feliz no Brasil inteiro,
com seus carnavais, feriados, e com o seu esquecimento,
e o pó chegará para todos – celebridades vãs, engenhocas eletrônicas, vestidos caros, futilidade, enganação, truques mentais.
Tudo seria recomeçado depois de uma bomba nuclear,
uma flor pequena, um velho de boina, um menino, uma regata – e o mar.
Segue o teu destino, gambiarra – segue em paz,
aguentaremos o teu fedor – sempre.
(Como temos suportado até agora com a nossa “alegria”, nosso samba, nossos mandões tão idiotas e tão presunçosos, nossos velhacos sempre iguais – paródias de si mesmos.)
Mas relembro: um menino, um velho, uma regata – e o mar.

(Brasília, fevereiro de 2011)

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A G R E G A R

POEMA DE EMANUEL MEDEIROS VIEIRA*


“Não Matarás”: não basta.

Teu mandamento será este: farás tudo para que o outro viva.

É vero sim o que quero:

não me importa o estoque de teu capital, Brasil,

mas tua capacidade de: amar

lavrar

aspirar

compreender.

Esse estatuto de miséria não é o nosso,

e a tecnologia da última geração não me sacia:

meu coração navegador quer mais.

A Ética – cuspida, debochada, no reino do simulacro,

Virou produto supérfluo porque não tem valor contábil.

Tempo dessacralizado e sem utopia:

a esperança é um cavalo cansado?

A aventura acabou no mundo?

Seremos apenas meros grãos de areia na imensa praia global?

Habitantes de um mundo virtual neste mercado sem cara?

Soará pomposo, eu sei:

não deixemos que nos amputem a alma

(e que acolhamos o outro).

Ser gente: não mera massa abúlica, informe, com os olhos colados

no retângulo luminoso de todas as noites.

O tempo é apenas dos alpinistas sociais?

Sou bom porque apareço, não apareço porque sou bom.

Na internet a solidão é planetária.,

mas do abismo – fragmento – irrompe um menino eterno,

e sentes o cheiro de uma manhã fundadora.

(A Morada do Ser é mais importante que o poder/glória.)

E o poema resiste,

singra a eternidade,

despista a morte,

seu estatuto não é mercantil.

Já não esqueces o essencial:

Na estrada de pó e de esperança, acolhes o outro.


*Este texto obteve o Primeiro Lugar no Concurso Nacional de Poemas, promovido pela Associação de Cultura Luso-Brasileira, de Juiz de Fora, Minas Gerais, sendo contemplado com a Medalha de Ouro “Jacy Thomaz Ribeiro.” O tema do concurso foi “Solidariedade: Por um Mundo Melhor.”
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26 de fevereiro de 2012

A Revista Identidades — uma realização da Casa Agostinho da Silva (CAS) — tem por objetivo a divulgação da obra do professor George Agostinho Baptista da Silva, promovendo o seu pensamento, bem como a divulgação dos Povos de Língua Portuguesa e a valorização da cultura lusófona/lusofilia entre culturas avizinhadas pelo mesmo idioma.






20 de fevereiro de 2012

Ceará dá o arranque para o Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal

"O Vice Consul de Portugal no Ceará, Francisco Brandão, mais uma
vez demonstra seu dinamismo e dá o pontapé de saída para se tornar
realidade a decisão de ambos os Governos de iniciar em 7 de setembro
de 2012, de forma simultânea, as realizações que integrem o Ano de
Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal, que se estenderão até 10
de junho de 2013, emprestando assim o simbolismo das datas nacionais
de ambos os países lusófonos, para ditar a responsabilidade não só dos
Governos mas das sociedades civis em garantir um conteúdo com a
importância necessária para não se esgotar na sua concretização e sim
projetar um novo patamar das relações luso.brasileiras, cuja muito mais
dilatada abrangência política e económica, para alem da fundamental
coesão em termos históricos e culturais, será absolutamente determinante
para o futuro de Portugal" (Amândio Silva)

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Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal - Artigo

(Texto publicado pela Embaixada de Portugal - Brasília em 14/02/2012)



Por sugestão do Vice-Cônsul de Portugal em Fortaleza, Francisco Brandão, o jornal O POVO irá publicar todos os meses, até 7 de setembro deste ano, data do início do Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal, um novo artigo sobre o relacionamento entre os dois países.

Com a devida vénia, publicamos aqui, na íntegra, o primeiro dos artigos dessa série.

"De forma inédita, Portugal e o Brasil acordaram realizar simultaneamente o ano do Brasil em Portugal e ano de Portugal no Brasil , com início no dia nacional do Brasil, 7 de Setembro de 2012, e encerramento na data nacional de Portugal , dez de junho de 2013.

Trata-se de um convite para que ambas as nações se reinventem nas suas relações que nunca foram tão intensas e difusas já que surgem em todas as áreas e de forma espontânea.

Que pode cada um de nós fazer nesse ano? Estão as entidades de cada país, Governos centrais, estaduais, municípios, universidades, escolas, associações empresariais, artistas e meios de comunicação social convidados a refletir e a promover ações de aproximação entre as nossas duas nações.

Não serão apenas eventos de grande porte mas podem ser ações pontuais e locais que aproximem a cultura e economia dos nossos países e revelem o melhor de cada um de nós em “inovação e modernidade“.

Os projetos devem ser apresentados do lado português ao nosso Comissariado Geral que este mês iniciou atividades para seleção e chancela. Portugueses e Brasileiros hoje são parceiros e cultivam “cumplicidade” e constatam ser mutuamente vantajoso.

Esse é o principal motor, o estatuto de parceiros. O Ceará acumulou uma comunidade portuguesa muito articulada e experiente que pode potenciar essas ligações, um associativismo com curriculum de realizações lusófonas, nomeadamente a dinâmica Câmara de Comércio e a histórica Beneficente Portuguesa, universidades com experiência de intercâmbio, municípios com presença portuguesa e acordos de cooperação, um governo estadual parceiro de diversas iniciativas e de empresas portuguesas, a FIEC, o SEBRAE, Artistas e Ongs.

Portugal e o Brasil, nações livres e democráticas, sem imposição de paradigmas ideológicos históricos já que têm sólidos fundamentos de nação, escrevem todos os dias novas páginas de cooperação.

Localmente, o Vice-Consulado, com jurisdição no Ceará e Piauí, que tem como funções promover relações econômicas sociais e culturais, procurará acompanhar e articular as atividades de aproximação que estiverem ao seu alcance; mas seria de grande satisfação ver despontar espontaneamente e em todas as áreas iniciativas de que nos transcendam de aproximação entre Portugal e o Brasil nomeadamente no Estado do Ceará e Piauí e, por outro lado, assistir a realizações de promoção do Ceará e Piauí em Portugal durante esse período."


Francisco Neto Brandão - Vice-Cônsul
francisco.brandao@mne.pt
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Leia também: 

Eduardo Galeano: "O Direito ao Delírio"