9 de junho de 2012

A posição do governo de Moçambique relativa à adopção do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa


O Conselho de Ministros de Moçambique ratificou na quinta-feira o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, disse hoje o ministro moçambicano dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Baloi.
A posição do governo de Moçambique relativa à adopção do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa tem em conta a presidência da CPLP, que assumirá a partir de Julho, durante a cimeira da comunidade lusófona, que se realizará em Maputo.
Falando aos jornalistas, o chefe da diplomacia moçambicana justificou a demora de adesão de Moçambique ao Acordo Ortográfico com a tentativa de o país «clarificar e ganhar a dimensão total das implicações de natureza não só financeira como também organizativa».
«Nós falamos a língua portuguesa mas com algumas características muitas próprias. Temos um grande peso das línguas nacionais. Como é que isso interage com este acordo ortográfico? E depois, é a questão da sua ampla divulgação. Está aqui imenso trabalho a fazer entre a ratificação e a plena entrada em vigor», disse Oldemiro Baloi.
O titular da pasta dos Negócios Estrangeiros de Moçambique lembrou que o país tem agora «um período da chamada derrogação», que recusou dizer qual, «ou seja, o tempo que Moçambique necessita para ajustar todos os instrumentos necessários para que o acordo seja efectivo».
No último ano, o ministro moçambicano da Educação, Zeferino Martins, estimou que a implementação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em Moçambique terá um «custo mínimo» de 80 milhões de euros.

Lusa/SOL

6 de junho de 2012

Guiné Bissau

A imprensa tem milhares de assuntinhos para distrair a nossa atenção do que é verdadeiramente importante, essencial. Além disso, a Guiné Bissau é um pequeno país. E fica na África. E a quase totalidade da população é negra.
     Se nós, brasileiros, não tivermos melhores razões para nos solidarizarmos com a Guiné Bissau e o seu povo, lembremos que, há quase 50 anos, militares também pretensamente salvadores (não se sabe de quê) serviram-nos um golpe que todos sabemos ao que, a quem e durante quanto tempo serviu. 
     Defender e exigir o restabelecimento do violentamente interrompido processo eleitoral na Guiné Bissau não nos pode deixar "assobiando para o lado".
                                                                   Jaime Conde

FESTA CAMÕES cantando as Marias do Porto


projeto ai Maria

DIA 10. UMA FESTA À PALA...
         Chega de festejos aborrecidos de dia 10 de Junho, mais do que homenagear, convidamos todos a ser Camões por um dia, boémios, encantadores e claro, cheios de charme para com as nossas lindas Marias. Não percam esta festa... à pala!
+ INFO. AQUI
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DIA 10. As musas vão despir Camões
E se as musas de Luís de Camões fossem tripeiras? No dia 10 de Junho, a Associação 10pt - Criação Lusófona no âmbito do projeto ai Maria vai levar o poeta à rua para cantar as Marias do Porto, num evento de poesia, música e gastronomia lusófonas. Vamos enaltecer as mulheres e a cidade, que é a diva inspiradora. Partimos da pena de Camões, antropólogo moderno, Poeta maior, português do mundo, e que “em várias flamas variamente ardia”. Camões possuía um dom único para cantar a mulher… não só a portuguesa, como também a africana, a indiana, a chinesa, … imortalizando os humores e a beleza feminina, desde os “cabelos d’ouro trançado” até à ”pretidão de amor”, que o próprio Camões vivenciou com seu ‘saber experimentado’.
Vamos fazer do espaço da 10pt  uma ilha dos Amores, uma espécie de Olimpo camoniano, na celebração do seu 2º aniversário. É poesia, é dança, é música, é boémia, , na rua de São Dionísio, 17, perto do Jardim São Lázaro, no Porto.
                          
         DIA 10 às 00h. INAUGURAÇÃO D’ ”o Muro dos Amores”
O evento arranca à meia-noite de dia 10 na estação do metro do Bolhão, junto à Exposição de Fotografia ai Maria. Convidamos os portuenses a declarar o seu amor às suas maravilhosas mulheres ( ou às 25 Marias expostas nas paredes), com mensagens, desenhos, fotos, rabiscos, poesia, colagens, num mural apropriado para o evento). A inauguração terá a estreia da performance de poesia, drama e música “ardo Maria, ai”

29 de maio de 2012

Quadras de Agostinho da Silva


É o mundo que nos coube
perpétua ronda de amor
do criado ao incriado
por sua vez criador.

Mais longe estás se houve início
mais perto se o tempo finda
e a rosa que em ti abriu
é em mim botão ainda.

Mais que a teu Deus sê fiel
ao que tu sejas de Fé
talvez o Deus que te crias
oculte o Deus que Deus é.

Mais que tudo quero ter
pé bem firme em leve dança
com todo o saber de adulto
todo o brincar de criança.


biblioteca digital


Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que
está prestes a ser desactivada por falta de acessos. Imaginem um lugar
onde você pode gratuitamente:
·Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;
·Escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
·Ler poesia de Fernando Pessoa
·Ler obras de Machado de Assis ou a Divina Comédia;
·Ter acesso às melhores historias infantis e vídeos da TV ESCOLA
·E muito mais...
Esse lugar existe!
O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, bastando acessar o
site: www.dominiopublico.gov.br
Só de literatura portuguesa são 732 obras!
Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desactivar o projecto
por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar
reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e
conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da
cultura e do gosto pela leitura.
Divulgue para o máximo de pessoas e, sobretudo, consulte!

25 de maio de 2012

Poder criado na Guiné

Desta vez não faço qualquer comentário, a fim de não poderem acusar ou sequer insinuar de que sou neo colonialista...
JPR


Governo de transição já está formado
Poder criado na Guiné pelo golpe procura reconhecimento
24.05.2012 - 20:49 Por João Manuel Rocha (in "Público" de 24-5-2012)

Executivo de transição tem vários membros próximos de Kumba Ialá. Prioridade é explicar “o que se passou” à comunidade internacional.
A nomeação, esta semana, de um Governo em Bissau é mais um passo na tentativa de normalização seguida pelos autores do golpe de Estado de Abril. A prioridade do designado executivo de transição — em que predominam figuras próximas do ex-Presidente Kumba Ialá — é “explicar à comunidade internacional o que se passou e convencê-la para que haja ajudas”, anunciou Faustino Imbali, indicado para a pasta dos Negócios Estrangeiros.
Depois de — por acordo entre os golpistas e a CEDEAO (Comunidade Económica de Estados da África Ocidental) — ter sido nomeado um Presidente, Serifo Nhamadjo, e um primeiro-ministro, Rui Barros, foi esta semana anunciada a equipa ministerial para uma fase de transição de um ano.
Faustino Imbali chefiou um governo de Kumba Ialá, Presidente de 2000 a 2003 e líder da principal força da oposição, o PRS (Partido da Renovação Social). Na pasta do Interior surge outro membro do partido, Suka Ntchama. “É quase tudo gente de Kumba. Ele é a cabeça pensante”, comentou ao PÚBLICO Xavier Figueiredo, director do boletim África Monitor, segundo o qual o ex-chefe de Estado vetou o nome proposto pela Nigéria para a chefia do executivo: Paulo Gomes, antigo quadro do Banco Mundial, próximo de Nhamadjo.
Para a Presidência do Conselho de Ministros foi escolhido Fernando Vaz, rosto dos partidos que apoiam o golpe. O executivo de transição integra dois militares, Celestino Carvalho, membro do comando golpista, na Defesa; e Musa Diata, na secretaria de Estado dos ex-combatentes.
A necessidade de reconhecimento e auxílio internacional foi assumida pelo designado poder de transição. “Acho que um dos objectivos, para não dizer o principal objectivo deste Governo, é explicar à comunidade internacional o que se passou e convencê-la para que haja ajudas”, disse Faustino Imbali, citado pela Lusa. “A comunidade internacional não dispõe de todas as informações”, acrescentou.
A falta de ajuda externa é um problema sério para um país muito dependente, quase parado desde o golpe de 12 de Abril, que afastou o Presidente interino, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Gomes Júnior — líder do principal partido, o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde). O corte para metade dos subsídios dos titulares de cargos públicos foi uma das primeiras medidas anunciadas por Nhamadjo, um dissidente do PAIGC.
“Vão ter muita dificuldade em ser reconhecidos”, considera Xavier Figueiredo, que vê na designação de um governo uma “etapa muito transitória”, destinada a permitir ao poder golpista fazer mais à frente “concessões mas não integralmente”. “O isolamento vai-se acentuar, porque sem ajudas é difícil resolver os problemas da governação”, prognostica. Um cenário, admite, seria a obtenção de ajudas directas do narcotráfico, mas isso criaria “problemas graves de reputação” aos actuais detentores do poder em Bissau.
Para o director do África Monitor, a resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada na semana passada inclui um dado que pode revelar-se importante na busca de uma solução: retira à CEDEAO o exclusivo na condução do processo e apela ao secretário-geral, Ban Ki-Moon, para que harmonize as posições daquela instituição — que já foi acusada de favorecer os golpistas — com as da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), da União Europeia e da União Africana. “Parece-me que vai haver uma alteração no modelo de acompanhamento”, afirma. A organização lusófona reclama o regresso de Pereira e Júnior ao poder.

22 de maio de 2012

A futuridade do Espírito Santo

“Valioso para mim é a noção de que o que importa não é tanto educar, mas evitar que os seres humanos se deseduquem. Cada pessoa que nasce deve ser orientada para não desanimar com o mundo que encontra à volta. Porque cada um de nós é um ente extraordinário, com lugar no céu das idéias...
Seremos capazes de nos desenvolver, de reencontrar o que em nós é extraordinário e transformaremos o mundo.”

"Há muita gente que julga que a cultura é falar francês, dançar bem, ouvir música e ter visitado exposições de pintura. Isso talvez fosse a cultura de outras épocas, mas hoje não. Hoje temos que tomar cultura no sentido geral, mais próximo e no mais concreto da vida. Cultura, no fundo, é a maneira de ser de cada um. Exatamente como todos nascemos, com tais características, e o que acontece depois na vida é que se vai destruindo muitas dessas características e como eu costumo dizer, quase todas as pessoas morrem sem nunca ter vivido... viveram uma vida emprestada, viveram a vida dos outros.

Assim como nós fisicamente, nos cinco bilhões de pessoas, não há dois iguais por fora, no feitio do nariz ou na cor dos olhos, da mesma maneira não há duas pessoas iguais por dentro. As pessoas todas são diferentes. De maneira que a vida certa (do universo) do mundo inteiro seria que cada um pudesse viver a sua vida e cada um dos outros pudesse ter esse espetáculo extraordinário de ver pessoas diferentes à sua volta e não como tantas vezes acontece, sobretudo em pessoas que gostam de mandar nos países, achar que deve ser tudo igual, e quando aparece alguém diferente se ofendem, acham que está fugindo das regras, saindo da vida que deve ter.

Os meninos devem ser estimulados a desenhar ou a redigir aquilo por que têm interesse, contar a sua história, seja em imagens, no desenho ou pintura, seja redigindo em verso por exemplo. Escolas em que os meninos sejam incitados a fazer poesia e que descobram que afinal, os poetas não são seres extraordinários. Não. Eles foram apenas os que tiveram mais sorte que os outros. Encontraram circunstâncias na vida, na casa em que se criaram, nas escolas em que andaram, na vida material que tiveram que lhes permitiu conservarem-se poetas, ao passo que outros que também nasceram poetas... Porque não existem só poetas de verso. A idéia de que a pessoa tem de se dizer poeta porque faz verso, não é verdade. Poeta é aquele que cria na vida alguma coisa que na vida não existia. Não existia aquele poema, ele criou, pronto, é poeta. Mas pode ser uma música que ele compôs, um bailado por exemplo. Pode ser qualquer experiência de Química ou de Física que não se tenha feito. Qualquer avanço da Matemática, por exemplo, que conseguem.

Em Portugal existe um painel no Museu das Janelas Verdes, uma pintura do sec. XV que representa o dia em que se celebrava o Espírito Santo. E o dia em que se celebra o Espírito Santo era o dia em que o povo português dizia aquilo que queria. Sabem o que ele queria nesse dia? Que todas as crianças fossem de tal modo livres e desenvolvidas que pudessem dirigir o mundo pela sua inteligência, pela sua imaginação, não propriamente por saberem aritmética ou ortografia, mas por serem eles próprios, porque eram os pequenos, as crianças que deviam dar ao mundo e aos homens, o exemplo do que devia ser a vida. E em segundo lugar eles diziam que a vida devia ser gratuita, que ninguém tinha que pagar para viver e que trabalhar para viver. Que tendo a vida sido dada de graça, era inteiramente absurdo, passar o resto da vida a ganhá-la. E eles então achavam que a vida um dia há de ser de graça para toda a gente.

E ainda uma coisa extremamente importante. Iam à cadeia da terra e abriam as portas para que todos os presos saíssem, para que ninguém mais passasse a vida amuralhado e encerrado entre grades; que viesse para a vida e na vida se retemperasse e na vida renascesse para ser aquilo que devia ser. Era uma anistia talvez. Um sinal de que um dia o crime desaparecerá do mundo..."

Texto adaptado da conferência Namorando o Amanhã, realizada em maio de 1989
na Cooperativa de Animação Cultural de Alhos Vedros - Portugal.

Agostinho da Silva, professor, escritor, poeta e filósofo. Nasceu no Porto em 1906 e fez a passagem em Lisboa, 1994. Possui uma obra extensa em Educação e Cultura Portuguesa e Brasileira. Viveu 25 anos no Brasil, de 1944 a 1969 e aqui deixou muitos discípulos e amigos. Ajudou a criar quatro universidades: na Paraíba, Santa Catarina, Bahia e Brasília onde fundou o CBEP Centro Brasileiro de Estudos Portugueses, muito atuante até 1968 quando a UnB foi invadida pelos militares. Construiu ao longo de sua vida uma obra luminosa e revolucionária de luta pela educação e a cultura.

http://www.agostinhodasilva.pt/