2 de outubro de 2012



aprova outorga de oito títulos de Professor Emérito
Além das homenagens, os conselheiros 
aprovaram o Projeto Político-pedagógico 
do curso de bacharelado 
em Gestão Ambiental, da Faculdade de Planaltina
Cristiano Torres - Da Secretaria de Comunicação da UnB


A 397ª Reunião Ordinária do Conselho Universitário, que aconteceu na tarde desta sexta-feira,
28 de setembro, no auditório da Reitoria, aprovou a outorga de oito títulos de Professor
Emérito. Receberão a homenagem Carlos Eduardo Tosta, José Carlos Coutinho,
Roberto Armando de Aguiar, Cristovam Buarque, Milton Ribeiro, 
Antônio Raimundo Teixeira, Potyara Amazoneida Pereira Pereira
e Flávio Rabelo Versiani. Os conselheiros também aprovaram a
concessão do título de Mérito Universitário para
o servidor Teodoro Freire, o Mestre Teodoro do Bumba-Meu-Boi
Além disso, votaram a aprovação do Projeto Político-pedagógico 
do curso de bacharelado em Gestão Ambiental, da Faculdade de Planaltina (FUP).
O pedido de outorga de título de professor emérito para 
o docente Carlos Eduardo Tosta foi relatado pelo 
professor Tomas de Aquino Guimarães, da Faculdade de Economia,
 Administração, Contabilidade e Ciência da Informação e Documentação (FACE), 
com parecer favorável. O pedido foi aprovado por unanimidade.
Graduado em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 
em 1968, Carlos Eduardo Tosta tem especialização em Alergia
e Imunologia Clínica pela mesma universidade, mestrado em
Medicina Tropical pela Universidade Federal do Rio de Janeiro,
doutorado e pós-doutorado em Imunologia pela Universidade de Londres,
título obtido em 1981. Professor titular de Imunologia da UnB desde 1989,
é pesquisador, conferencista, orientador, consultor, escritor e médico.
A professora Maria Imaculada Muniz, da Faculdade de Medicina, 
reforçou a importância da concessão do título de Professor Emérito
para Carlos Eduardo Tosta, pela dedicação com que atuou na UnB.
 “O professor Tosta é responsável pela formação de várias gerações
de estudantes e também de professores nesta Universidade, além
da dedicação ao aprimoramento do curso, pela sua atuação na Pós-Graduação”.
Decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB e presidente do Consuni, em exercício,
Isaac Roitman fez questão de destacar a relevância do trabalho
de Carlos Eduardo Tosta no que ele chamou de
 “renascimento da UnB, naquele período crítico vivido em 1968”, destacou.
A professora Nair Heloísa Bicalho de Souza relatou os
pedidos de outorga de título de professor emérito
para os docentes Roberto Armando de Aguiar e José Carlos de Córdova Coutinho.
Ambos os pareceres foram favoráveis, bem como os pedidos aprovados pelo plenário. 
Roberto Armando de Aguiar, jurista e professor, possui doutorado
em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,
é professor aposentado da UnB e 
membro do corpo editorial da Editora Universidade de Brasília.
Foi reitor pro tempore da Universidade de Brasília,
de treze de abril a vinte de novembro de 2008,
atuou como gestor público nas área de Segurança e possui 14 livros publicados.
A relatora fez questão de destacar a trajetória do homenageado
e a importância de sua atuação como acadêmico e gestor público.
 “Além da importante função de conduzir a universidade, com coragem
e dedicação, naquele período tão delicado que foi vivido pela Universidade
depois do afastamento do professor Timothy Mulholland, em 2008”, lembrou.
José Carlos Córdova Coutinho é arquiteto pela
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
e chegou à UnB em 1968. Tem pós-graduação lato sensu
em Planejamento Urbano pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal 
e pela Universidade de Edimburgo.
Aprovado por unanimidade, o pedido para
José Carlos Coutinho foi seguido de homenagens emocionadas de colegas 
que conviveram com ele. O professor Mario Diniz de Araújo fez questão
de destacar o importante papel na reconstrução da
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e da UnB, em 1968. 
“Foi fundamental a atuação equilibrada na resistência democrática
e a postura íntegra e comprometida com que ele defendeu
a liberdade e repudiou as práticas autoritárias”, disse.
O professor também lembrou o exemplo de conduta
acadêmica ética do arquiteto, ao que foi seguido pela
professora Cristina Célia Brandão, representante do CEPE, que destacou sua emoção
 por causa da homenagem. A professora Nair Heloísa Bicalho de Souza
lembrou também a participação de José Carlos Coutinho no 
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
 “Coutinho foi e continua a ser um dos maiores defensores de Brasília”, ressaltou. 
Já o professor Cláudio Queiroz ressaltou que o futuro Professor Emérito 
é um dos mais influentes, tendo formado metade dos professores e gerações
de estudantes da UnB.

Doutor em Economia pela Université Paris 1 Pantheon-Sorbonne,
Cristovam Buarque é engenheiro mecânico, economista, professor e político.
É senador do Distrito Federal, pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT).
O relatório do professor Antonio César Pinho Brasil Júnior, favorável, 
foi aprovado por unanimidade.
Os professores fizeram questão de destacar a importante contribuição
de Cristovam Buarque como reitor da UnB no período da redemocratização (1985-1989)
e sua contribuição para a criação do
Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) 
e do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS). 
O professor de Comunicação Wagner Rizzo foi o relator dos pedido outorga dos títulos
de Professor Emérito para o artista plástico Milton Ribeiro
e de Mérito Acadêmico para o servidor Teodoro Freire, 
o Mestre Teodoro do Bumba-Meu-Boi. Com parecer favorável, 
os dois pedidos foram aprovados por unanimidade e elogiados, de forma emocionada, 
por diversos professores.
A trajetória de Milton Ribeiro na UnB começou em 1967, quando ele deixou
 o Rio de Janeiro, a convite do professor e artista plástico Fernando Barreto,
para ajudar na consolidação do antigo Instituto Central de Artes (ICA).
A ditadura afastou Milton Ribeiro do campus por quase 20 anos.
O retorno ocorreu somente com a redemocratização de 1985.  
Já o servidor Teodoro Freire foi precursor das danças e cantigas
do Bumba-Meu-Boi e do tambor de crioula, e fundador do
Centro de Tradições Populares de Brasília. 
Ajudou a consolidar espaços de difusão artística que o fizeram ser reconhecido
como patrono das tradições populares, além de um grande operário da construção
de uma identidade cultural no Distrito Federal.
Foi na cidade satélite a 25 km do centro de Brasília que Seu Teodoro instalou, em 1963,
a Sociedade Brasiliense de Folclore que acabou, anos mais tarde, se convertendo no 
Centro de Cultura Popular, com mais de 70 artistas populares do DF. Por quase 30 anos,
desde a sua fundação, em 1962, trabalhou como servidor da UnB. No ambiente acadêmico,
pôde atrair colegas, professores, alunos e apoiadores da cultura popular,
fortalecendo laços na disseminação e preservação das tradições artísticas
formadoras do país e da então recém-inaugurada capital da República.
Ele faleceu em 15 de janeiro deste ano.
Além destes, também foram aprovadas a entrega de títulos de Professor Emérito
para os professores Antônio Raimundo Lima da Cruz Teixeira,
Potyara Amazoneida Pereira Pereira e Flávio Rabelo Versiani.
Antônio Raimundo Lima da Cruz Teixeira possui graduação
em Medicina pela Universidade Federal da Bahia, em 1967,
e doutorado em Patologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, em 1981,
com diversos estudos científicos em instituições internacionais. 
Sua atividade de pesquisa científica está concentrada na patogênese da Doença de Chagas.
Já Potyara Amazoneida Pereira Pereira possui graduação em Serviço Social, em 1965,
e em Direito, em 1974. É mestre e doutora em Sociologia pela Universidade de Brasília
e pós-doutora em Política Social pela Manchester University, no Reino Unido, em 1992.
Foi professora na Universidade Federal do Pará e na UnB 
e lidera o Grupo de Estudos Político-sociais (Politiza).
Possui experiência em Serviço Social e Políticas Públicas,
principalmente em política social, necessidades humanas, questão social e direitos de cidadania.
Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Minas Gerais, em 1963, 
Flávio Rabelo Versiani é doutor em Economia pela Vanderbilt University, dos EUA,
em 1971, e fez estágios pós-doutorais 
na Yale University, nos EUA, e na University of London, na Inglaterra.
Sua área principal de pesquisa e História Econômica,
atuando principalmente nos temas processo de industrialização e economia escravista.
GESTÃO AMBIENTAL - Antes dos títulos de Professor Emérito, 
o Consuni aprovou o Projeto Político-pedagógico do curso de bacharelado
em Gestão Ambiental, da Faculdade de Planaltina (FUP).
A pedido do diretor da FUP, professor Marcelo Bizerril, e com a aprovação dos conselheiros,
foi realizada uma inversão de pauta para permitir a discussão do tema no início da reunião.
O professor alegou que a demora na aprovação já provocava
problemas na tramitação da colação de grau da primeira turma do curso.
A professora Maria Ângela Feitosa, suplente do Instituto de Psicologia,
criticou os longos intervalos entre as etapas do processo para a
aprovação do projeto do curso de Gestão Ambiental.
 “É fundamental que todas as etapas sejam cumpridas da maneira satisfatória,
mas acho importante observar que a demora não pode prejudicar o fluxo
necessário para o bom andamento administrativo da Universidade”, disse.
Já a professora Lilian Marly de Paula observou que a qualidade das
contribuições e das várias visões apresentadas ao longo da tramitação
são benéficas e garantem qualidade ao trabalho realizado na UnB.

29 de setembro de 2012

PRIMAVERA IV



Foto de Fábio Borges

Quando chega a primavera
Com seus jardins encantados
Exalando seu perfume
Num ambiente sagrado.

Pela manhã nossos pássaros
Demonstrando seu valor
Formam uma sinfonia
Cantando um hino ao amor.

Primavera é a estação
Muito bela e colorida
Estação que nos da paz
Estação que nos da vida.
(Vivaldo Terres)
 



26 de setembro de 2012

A ciência em Portugal



Nos últimos anos da monarquia, Portugal apresentava ao mundo sérias lacunas no domínio da educação. Com efeito, o país era listado nesta área como um dos mais atrasados da Europa. Foi essa situação que a Primeira República procurou mudar com a introdução de uma educação pública e universal. Para os republicanos, o valor da ciência e do desenvolvimento científico era central para o Estado, algo que decorria da importância da filosofia positivista para o ideário republicano. Contudo, as dificuldades financeiras, a bancarrota de 1911, a instabilidade governativa, criada pelo “Rotativismo democrático” e a Primeira Grande Guerra, impediram o prosseguimento desse desígnio. Nos anos que antecederam o Estado Novo, a situação da Ciência e da Investigação Científica era pouco diferente do fim da monarquia. A situação não se alterou de forma significativa com o Estado Novo. Em 1930, o analfabetismo era de 60% entre os maiores de 7 anos. Cinquenta anos depois, já no ocaso do regime, o valor descera para 26% em um ganho notável, mas, ainda, deixava o país atrás da maioria em qualquer comparação internacional.

Algumas considerações sobre a cplp


Aproxima-se a realização do I Forum da Sociedade Civil da CPLP nos últimos dias de Setembro, no Palácio do Planalto, em Brasília. Oportunidade para avaliar qual o grau de envolvimento de representantes da sociedade civil dos vários países membros na vivência dos problemas que interessam ser partilhados tanto nos diagnósticos como nas soluções.

Parece consensual que os governos, propriamente ditos, e seus organismos oficiais já atingiram um nível razoável de cooperação, tendo em vista algumas tomadas de posição comum de caráter político e a regularidade das reuniões técnicas que juntam Ministros das mais variadas áreas de intervenção na vida nacional, com alguns resultados interessantes. Mas é, também, consensual que a CPLP  não é uma realidade nas conversas dos cidadãos portugueses, brasileiros, africanos ou timorenses a não ser numa muito esmagadora minoria e, mesmo assim, se algum motivo circunstancial do conhecimento público justifique a atenção por poucos minutos que sejam, porém sempre com distanciamento, sem ainda os considerar como seus, no sentido de consciência comunitária.




Assenso da fé:O português como língua oficial nos quatro continentes



No Sermão de Santo Antônio, também conhecido como “Sermão de Santo Antônio aos peixes”, pregado na cidade de São Luís do Maranhão, no ano de 1654, o Padre Vieira escreve uma alegoria — um tipo de metáfora — por meio da qual compara uma realidade de caráter abstrato com uma expressão concreta, visível, a fim de atingir uma percepção plástica do objeto, uma personificação daquilo que não é pessoa. Neste Sermão, Vieira louva que “ao menos têm os peixes duas boas qualidades de ouvintes: ouvem e não falam.”2  — eis uma das alegorias, se não a principal, do Sermão citado.

Em continuação diz Vieira: 

Oh grande louvor verdadeiramente para os peixes, e grande afronta e confusão para os homens! Os homens perseguindo a António3, querendo-o lançar da terra, e ainda do mundo, se pudessem, porque lhes repreendia seus vícios, porque lhes não queria falar à vontade, e condescender com seus erros, e no mesmo tempo os peixes em inumerável concurso acudindo à sua voz, atentos, e suspensos às suas palavras, escutando com silêncio, e com sinais de admiração e assenso (como se tivessem entendimento) o que não entendiam. Quem olhasse neste passo para o mar e para a terra, e visse na terra os homens tão furiosos e obstinados, e no mar os peixes tão quietos e tão devotos, que havia de dizer? Poderia cuidar que os peixes irracionais se tinham convertido em homens, e os homens não em peixes, mas em feras. Aos homens deu Deus uso de razão, e não aos peixes; mas neste caso os homens tinham a razão sem o uso, e os peixes o uso sem razão.
pg.: 32
leia direto na revista online identidades:

25 de setembro de 2012

CPLP: o futuro constrói-se hoje


A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é um tema demasiado sério e complexo para ser abordado de forma leviana e oportunista, como, infelizmente, se viu ao longo da dezena e meia de anos da sua existência... Julgo que se não fossem alguns “carolas” e idealistas que teimam, persistem e se batem galhardamente pela sua existência, hoje, certamente, pouco restaria.

Mas o que ainda resta, convenhamos, é algo decepcionante. Como se sentiria o Prof. Agostinho da Silva e o embaixador brasileiro Aparecido de Oliveira, “pai” da CPLP, se fossem vivos? Com certeza bem tristes… Mas ainda estamos a tempo de a reconstruir!

Não gostaria de entrar em rota de colisão sobre esta matéria seja com quem for. Desde logo por ter a ideia de que a CPLP se pode incluir num futuro e pujante desenvolvimento político, económico, social e cultural dos povos dos oito países que falam a Língua Portuguesa e não só, ou, como também se diz, da Lusofonia.

pg.: 28



Agostinho da Silva: prefigurador da Comunidade Lusófona



Agostinho da Silva é, na nossa perspectiva, o grande teórico da “via lusófona”. Em muitos textos seus, pelo menos desde os anos 50, Agostinho da Silva antecipou, com efeito, a criação de uma verdadeira comunidade lusófona. De tal modo que, mesmo depois de falecer, Agostinho da Silva tem sido recordado por isso. Eis, desde logo, o que aconteceu quando se instituiu a CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, conforme registramos na nossa obra Perspectivas sobre Agostinho da Silva:

No dia 17 de Julho desse ano, criar-se-á finalmente a CPLP, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, facto que será noticiado, com destaque, na generalidade dos jornais. Na maior parte deles, realça-se igualmente o contributo de Agostinho da Silva para essa criação, por via do seu pensamento e acção. Eis, nomeadamente, o que acontece na edição desse dia do Diário de Notícias – como se pode ler no texto de abertura da notícia: “A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, hoje instituída em Lisboa, foi premonitoriamente enunciada por Agostinho da Silva em 1956 como ‘modelo de vida’ assente ‘em tudo aquilo que (Portugal) heroicamente fez surgir do nada ou na América ou na África ou na Ásia’.”. Depois, aparece a foto de Agostinho, ladeado pelas fotos de Jaime Gama e José Aparecido de Oliveira, com a seguinte legenda: “Pioneiros da CPLP: Agostinho da Silva (enunciação original), Jaime Gama (primeiro texto diplomático único dos Sete na língua comum) e Aparecido de Oliveira (formalização política da proposta)1.

Sabemos que este projecto está ainda aquém, muito aquém, do sonho de Agostinho da Silva. A CPLP não é ainda uma verdadeira comunidade lusófona. Mas nem por isso — já quinze anos após a sua criação — a CPLP deixou de ser um projecto em que Portugal deve apostar enquanto desígnio estratégico. De resto, se há inevitabilidades históricas, a criação da CPLP foi, decerto, a nosso ver, uma delas. Se os países se unem, desde logo, por afinidades linguísticas e culturais, nada de mais natural que os Países de Língua Portuguesa se unissem num projecto comum: para defesa da língua, desde logo, e, gradualmente, para cooperarem aos mais diversos níveis. Se estranheza pode haver quanto à criação da CPLP, decorrerá somente do facto de ter nascido tão tarde. 
pg.: 24