16 de maio de 2013



Quinta Literária Internacional - ANE

Palestra do escritor e jornalista português
Sérgio Almeida

com o tema
A nova literatura portuguesa

A realizar-se no dia 16 de maio de 2013 (quinta-feira) às 20:00h

no auditório da ANE - SEPS EQS 707/907 Bloco F – Edifício Escritor Almeida Fischer
(ao lado do Instituto Cervantes) – Brasília – DF
 
Sobre o Sérgio Almeida: nasceu em Angola (Luanda) em 1975. Vive em Portugal, nos arredores do Porto, desde os 4 anos. Licenciado em Comunicação Social, é jornalista desde os 18 anos. Ligado, desde essa altura, à imprensa escrita, tem acumulado também experiências noutros meios, como a rádio e televisão. Paralelamente à sua atividade profissional, é promotor cultural, com a responsabilidade da organização de colóquios e simpósios sobre arte e literatura. ­É autor dos livros Análise Epistemológica da Treta (contos), Armai-vos uns aos outros (novelas), Como ficar louco e gostar disso (poemas), Obdejectos (prosa poética) e O elefante que não sabia voar (infanto-juvenil)

Saiba mais:
 
Onde comprar?:
 
 

13 de maio de 2013



Lingua - Vidas em Português (Victor Lopes, 2004, 
Brasil/Portugal)
"No fundo, não estás a viajar por lugares,
mas sim por pessoas"
Mia Couto - Escritor moçambicano
"Não há uma língua portuguesa, há línguas em português"
José Saramago - Escritor português


O documentário "Língua - Vidas em Português",
de Victor Lopes, é uma viagem através da 
língua portuguesa em uma tentativa de percorrer 
as várias histórias e culturas que ela abrange. 
Filmado em 6 países (Brasil, Moçambique, Índia, 
Portugal, França e Japão), o documentário trata 
a lusofonia sobretudo na fala de personagens 
diversos de 4 continentes. A questão que permeia 
o documentário é descobrir o que faz com que esta 
língua que tantos falamos seja chamada assim, 
"português", uma só. 

"Todo dia duzentas milhões de pessoas levam 
suas vidas em português. Fazem negócios e 
escrevem poemas. Brigam no trânsito, contam 
piadas e declaram amor. Todo dia a língua portuguesa 
renasce em bocas brasileiras, moçambicanas, 
goesas, angolanas, japonesas, cabo-verdianas, 
portuguesas, guineenses. Novas línguas mestiças, 
temperadas por melodias de todos os continentes, 
habitadas por deuses muito mais antigos e que ela 
acolhe como filhos. Língua da qual povos colonizados 
se apropriaram e que devolvem agora, reinventada. 
Língua que novos e velhos imigrantes levam consigo 
para dizer certas coisas que nas outras não cabe."

O documentário está disponível para download no site 




Esta Gente
Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"

EFEMÉRIDES



Salazar e os governos actuais
No final dos anos 30 Salazar mandou afixar nas escolas primárias uma série de
cartazes de propaganda do então chamado Estado Novo, um dos quais ( que a seguir
recordamos de memória com possívais erros nas palavras mas não no conteúdo)
parecia particularmente inútil e deslocado:
“Ninguém ama mais Portugal do que os portugueses.”
Quem, então, senão os portugueses, poderia amar mais Portugal ?
Foi preciso esperar mais de 70 anos para encontrar com o governo de Passos
Coelho alguma razão para a advertência da Salazar.
Com efeito, este governo não só privatizou a grande maioria do capital da EDP, como
considerou conveniente, em Março, vender os 4,1 % que restavam ao Estado português.
Isto significa que desistiu, não unicamente do direito de acesso à sede da EDP em
Lisboa mas, também, do direito de estar presente e emitir a sua opinião nas assembleias
de accionistas em que se definir a estratégia do grupo para a exploração e distribuição
da energia eléctrica em Portugal.
O Governo de Passos Coelho entendeu que, sem a sua presença, outros defenderiam
melhor os interesses do país. É acreditar que outros amam mais Portugal.
Salazar, com a sua visão centralizadora, conservadora e retrógrada, inferiorizou e
empobreceu a população do país mas, também, há que reconhece-lo, tentou, embora
nalguns casos de um modo dramaticamente errado, valorizar o aparelho do Estado
português procurando, quando o pode, assegurar a sua independência.
Ele acreditava, no fundo, num Portugal conservador, com uma população pobre,
humilde, submissa e hierarquizada, mas independente. A expressão mais representativa
do seu tempo era a frase: “Manda quem pode, obedece quem deve”. Ele foi, sem
dúvida, um homem coerente e, à sua maneira, um patriota. Esmagou o Povo Português
mas para, na sua visão, defender e valorizar o Estado Português .
O que mais nos custa agora compreender é a política de um governo que parece,
simultaneamente, empenhado em desmantelar o aparelho do Estado Português e em
esmagar o Povo Português.
A corrupção
E não se venha agora dizer que no tempo de Salazar não havia corrupção. A
diferença está em que era muito hierarquizada e, agora, democratizou-se.
.....................................................................................................................................
Pag. 10 “Jornal República”
Antigamente, um indivíduo que roubasse galinhas era um pilha galinhas. As carteiras,
roubavam-se. Os caixas dos bancos e os pequenos gestores faziam desfalques e os
grandes gestores desvios. Em certa altura, a então Assembleia Nacional, pronunciouse
sobre alcances sobre os fundos do Estado. A palavra até era bonita.
Agora, como o país é mais rico, rouba-se mais. Mas, o mais grave é, talvez, terem
surgido indivíduos com salários legais gigantescos, várias vezes superiores ao do
Presidente da República portuguesa (e mesmo dos Estados Unidos).
E, o que nos parece espantoso é, agora, o Ministro das Finanças aparecer na televisão
a considerar normal que sejam pagas comissões pelos empréstimos negociados por
gestores de empresas públicas. E, depois, admiram-se por eles procurem negociar
mais emprétimos, em vez de procurarem gerir bem as empresasa que não são deles.
Um Papa Sul Americano
O “Jornal República” sentiu que sem dedicar neste número algumas linhas à
evolução da Igreja Católica e, em particular, à eleição do primeiro Papa sul americano,
estaria fechar os olhos para o futuro.
A Igreja Católica é uma instituição de origem eminentemente europeia, altamente
centralizada em Roma, com dois mil anos, que sobreviveu como entidade unificadora
depois da queda do Império Romano do Ocidente.
Esta nota podia ser incluidas na secção “Refundação” que se segue, porque a
evolução da Igreja Católica nas últimas décadas foi, sem dúvida, um notável exemplo
de refundação, ou, pelo menos, de renovamento, que surpreendeu mesmo os que a
olhavam de longe.
Mas pensamos que não há verdadeiras refundações sem referência a raizes antigas.
Por isso, incluimos estas breves linhas nesta secção de “Efemérides” e, dispensando-nos
de repetir o que escreveram os jornais de todo o Mundo sobre a eleição do Papa
Francisco, vamos dizer algo que talvez muito poucos tenham referido.
A eleição no início do Século XXI do primeiro Papa sul americano resulta de uma
opção estratégica tomada há 500 anos pelo Rei Dom João III de Portugal. Na primeira
metade do século XVI Portugal esteve empenhado em manter um domínio marítimo e
procurou cristianizar o Oriente. Mas, em meados do século, já tinha verificado que os
seus recursos eram insuficientes para a tarefa e que na Ásia havia religiões muito
estruturadas capazes, por exemplo, na corte do Imperador Mogal, de dialogar com os
padres jesuitas, mas que não era fácil substituir. Mesmo na Etiópia cristâ os jesuitas
tinham sido expulsos pela reacção do clero local.
Na Europa, as lutas religiosas estavam no urge e a influência do Papa de Roma
tinha sido reduzida a meio continente. O Norte de África o domínio era muçulmano.
Mas no Brasil, que pouco mais era do que uma escala de passagem para a Índia, havia
muito espaço e uma população que acolhia bem a chegada de uma nova religião.
.........................................................................................................................................
“Jornal República” Pag, 11
Dom João III transferiu então para lá o grande empenhamento religioso português no
Oriente. Os Reis de Espanha fizeram depois o mesmo e, hoje, metade dos católicos
estão na América Latina.
Tempos mais recentes
Mas, sem recordar tempos tão antigos, saudemos a evolução recente da Igreja
Católica e, em particular, a sua mensagem de Paz e diálogo com as outras religiões. Mas
nem sempre foi assim. Lembremos que nos “Lusiadas” os muçulmanos são aqueles
“que seguem do arábico a lei maldita” e que a grande glória dos portugueses foi terem
andado “desvastado as terras viciosas da Ásia e da África”.
O salazarismo usou esta ideologia até muito tarde, mas não foi ele que a fundou. O
nosso isolamento em relação ao resto do mundo não era só religioso era, sobretudo
cultural e mesmo histórico. Para os homens da geração dos directores deste jornal, na
altura de fazerem a tropa, o Norte de África só era civilizado porque nele estavam os
franceses e o ingleses que tinham tido o mérito de expulsar os italianos e os alemãis.
Hoje, há escolas islâmicas e mesquitas e centros de outras religiões em Lisboa, e
vemos com agrado igrejas católicas dar apoio ao culto ortodoxo. Mas, há não muito
tempo não era assim. Em 1950, um padre ortodoxo que veio a Lisboa pedir fundos
para igrejas na Turquia fui denunciado à pide que o meteu no Aljube até o expulsar.
Mas como ele era um homem muito grande, para o meter nos “curros”, tinham sido
precisos quatro guardas. Foi um acontecimento que eles ainda contavam anos depois.
Nós viviamos no interior de um “Mundo Português” e só espreitavamos um bocado
para fora pelos olhos dos franceses, ingleses, americanos, ou russos, que alguns
olhavam como modelos e mentores. Mas sentiamos ter alguns méritos.
Orgulhavamo-nos do elogio que Victor Hugo nos tinha feito por termos sido o
primeiro país da Europa a suprimir a pena de morte. Nos nossos documentos de
identidade não havia referência e, salvo em inquéritos estatísticas, nenhum cidadão
português podia ser interrogado sobre a sua raça, ou religião. As praias portuguesas
eram todas públicas. São valores ainda hoje válidos para a Europa.
Nós e a Etiópia
Há talvez duas décadas, dois futebolistas da selecção nacional da Etiópia, então
uma ditadura, fugiram durante um jogo internacional e procuraram asilo político no
estrangeiro. A FIFA interessou-se pelo caso e perguntou a vários paises, entre eles a
Portugal, se os podiam acolher. Mas, um burocrata sem sensibilidade e sem cultura,
nem sequer futebolística, deu um parecer negativo que o Ministério dos Negócios
Estrangeiros depois fez seguir.
Se o parecer tivesse sido outro, estes dois etiúpes estariam provavelmente integrados
na vida portuguesa e poderiam explicar na língua materna ao Sr. Seilaseé, personagem
central da Troika , o que é que significa a expressão “Que se lixe a troika” e porque é
que ela se revelou tão mobilizadora da população portuguesa .
.....................................................................................................................................
Pag,12 “Jornal República”
O “JR” falou no seu 3º número às nossas relações com a Troika e voltaremos ainda a
faze-lo neste número. Queremos, no entanto, dizer aqui que nada nos move contra o Sr.
Seilaseé. Pelo contrário, informações que nos chegaram dizem que ele é uma pessoa
simpática que gosta de comer em pequenos restaurantes e tascas de Lisboa.
Não temos nenhuma intenção de o ir ouvir numa conferência oficial mas, para a
hipótese de um qualquer encontro ocasional com ele, guardamos em carteira duas
perguntas jornalísticas para lhe fazer: São elas:
1ª- Se na Etiópia há produção de vinho e se gosta do vinho tinto português. (Sendo
manifestamente dificil exportar vinho para paises muçulmanos, a pergunta tem
manifesto interesse para o Comércio Externo português. )
2ª – Sendo a Etiópia um pais cristão, é natural que na sua estrutura administrativa
tenha algo que se assemelhe às nossas freguesias. A pergunta ao Sr. Seilaseé é se ele,
para promover o desenvolvimento do seu país, preconiza a redução do número destas
freguesias ou orgãos semelhantes.
A CATÁSTROFE NO BENGLA DESH
Em 24 de Abril ruiu no Bengla Desh uma fábrica causando a morte de 500 dos
seus trabalhadores que nela trabalhavam amontuados 12 horas por dia. Não foi
uma catástrofe natural, mas uma catástrofe no mundo do Trabalho no espaço da
Economia global onde há liberdade de circulação de mercadorias e capitais do
nosso planeta. Mas, tudo se passa como se os operários do Bengla Desh fossem de
outro planeta. A eles ainda não chegou a solidariedade efectiva dos trabalhadores
do mundo em que os sindicatos conseguiram fazer reconhecer há 140 anos, e
depois de muitas lutas, o direito às 8 horas de trabalho diário. E, no entanto, estes
mesmo trabalhadores estão a ser vítimas do que se passa no Bengla Desh porque,
nos seus paises, se argumenta com a necessidade de aumentar os horários de
trabalho para se poder competir .... com o Bengla Desh e outros paises onde não
são respeitados os direitos dos trabalhadores.
Os grandes progressos da Humanidade foram sempre progressos morais.
No seu discurso, sempre optimista, na festa do seu 103º aniversário (referida no
1º número do “Jornal República”) o Dr. Emídio Gerreiro disse que o Século XXI
seria o século da Solidariedade. A tragédia do Bengla Desh mostra, claramente,
que a alternativa é a ganância. O confronto vai ser longo e vai depender das
instituições que mais nele se empenharem. O “JR” atrasou o seu 4º número
impresso para nele incluir este texto e reescrever alguns outros. Quando pensamos
em quais serão as instituições mais capazes de sentir que a solidariedade tem de ser
global no Mundo, pensamos que poderão ser os sindicatos e as Igrejas, instituições
que várias vezes se defrontaram em periodos recentes..
(Ver nota no final da página 16)
.........................................................................................................................................
“Jornal República” Pag, 13

7 de maio de 2013

Hino da Sociedade Lusófona

Lusofonia 15 Lusofonia [Version Douce] [-] World Maria_Teresa.wmaLusofonia 15 Lusofonia [Version Douce] [-] World Maria_Teresa.wma
5922K   Baixar  

6 de maio de 2013


Presenças incontestes de Agostinho da Silva e José Aparecido de Oliveira na CPLP
(Profª Drª Lúcia Helena Alves de Sá, Presidente da Casa Agostinho da Silva)

Na Dia da Língua Portuguesa e da Cultura Lusófona, a CASA AGOSTINHO DA SILVA
crê importante, por todas as razões históricas, fazer uma saudação ao “avó” 
e ao “pai” da CPLP, em respetivo: Agostinho da Silva e José Aparecido de Oliveira.
Será sempre inevitável recorrer a estas duas personalidades evidentemente lusófonas,
no sentido mesmo desta palavra significar o que tinham a ela determinado: 
fraternidade ecumênica que contribua para a maior humanização do resto do mundo.
É mister afirmar que foram eles, em suas áreas de atuações de expressão muito 
humanista, que avivaram relações diplomáticas, sobretudo, as estabelecidas entre os 
povos africanos, as que resultam de afinidades entre nós e, afirmaram, como 
consideravam indispensável e da maior relevância, o fortalecimento 
da CPLP — uma organização internacional única, concebida na 
unidade linguística e, por extensão, nas interinfluências culturais.
Enquanto Agostinho da Silva foi, como bem faz lembrar o 
Embaixador Jerónimo Moscardo, “quem traçou todo o programa da 
nossa política para África e Ásia” desde a fundação do CEAO, 
na Ufa dos anos de 1950, e durante o curto período do governo do 
Presidente Jânio Quadros; Aparecido, sob inspiração agostiniana, 
foi o grande obreiro da constituição da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa,
pois a ele se deve, quando Ministro da Cultura do Governo Sarney, 
a organização de Encontro de Chefes de Estado de todos os países 
de língua portuguesa (ainda sem Timor) no qual foi aprovado, 
em São Luís do Maranhão, em 1989, o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP)
 que antecedeu a CPLP. José Aparecido foi o grande institucionalizador, em 1996, 
da CPLP quando era Embaixador em Lisboa e o Mário Soares era Presidente da República.
Portanto, façamos valer no Dia da Língua Portuguesa e da Cultura Lusófona a convicção
 do professor Agostinho da Silva e do ex-Embaixador José Aparecido de Oliveira de 
que o Brasil, após a consciência e o reconhecimento de suas raízes africanas, seria 
o motor da afirmação do mundo de língua portuguesa, sobretudo, em uma nova 
reconstrução civilizacional.
O ideal de Agostinho e de José Aparecido em grande parte foi concretizado, mas, 
ainda precisa tratar do passaporte lusófono que ajustará e reforçará a CPLP como 
bloco econômico, dando muito maior circulação de pessoas e bens, em benefício 
dos seus povos e de sua afirmação no contexto internacional no qual se 
assentarão cooperações significativas a barrar políticas-financeiras perversas.
Para além de todas as idealizações que Agostinho e Aparecido nos legaram, 
devemos mesmo é colocá-las em ação. O Mundo da Língua Portuguesa e 
Cultura Lusófona faz-se por meio de “pensamento e ação”. 
Nisto está o essencial da força de nossa destinação. 
Urge cumprí-la à maneira da “alma oceânica” agostiniana e nos 
dispormos a “lançar estacas na lua” como fez a sábia inteligência 
amorosa de José Aparecido de Oliveira.

               A Língua Portuguesa no mundo

                     Neste dia 5 de maio, o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura Lusófona
A Língua Portuguesa, ao longo de sua história, é já uma grande 
Língua de comunicação internacional 
e de difusão transcultural do conhecimento, 
como uma das pioneiras do conceito de globalização.