14 de março de 2014

dia internacional da poesia



Não sou negro

Nem branco

Sou alma

Meu corpo bailarino

Vaga lembrança

Nas troças da história
 
Negro dança

No Transe em que me encontro

Solano Luz me acalma

Só assim seguro o tranco


(autor Jose Garcia Caianno)

1 de março de 2014





“As Biografias de Agostinho da Silva” por António Cândido Franco

Agostinho da Silva mereceu até agora consistentes estudos culturais e filosóficos, 
como aqueles que se devem a Romana Valente Pinho, Helena Briosa, Miguel Real, 
Amon Pinho, Paulo Borges, Artur Manso, João Maria de Freitas Branco, a que se 
podem e devem acrescentar as investigações de Renato Epifânio, Rui Lopo, 
Ricardo Ventura e outras que aqui me escapam, todas por certo valiosas, 
entre livros publicados e trabalhos académicos.
Está ainda porém por fazer a grande biografia que Agostinho da Silva merece. 
Houve até agora sinopses biográficas de valor, como aquelas que nos deram 
Artur Manso, Romana Valente Pinho e Helena Briosa, mas uma biografia 
em sentido pleno, como escrita inteira da vida, concentrando em exclusivo a 
atenção de quem escreve, nunca foi até agora, tanto quanto sei, tentada.
Não deixa a situação de ser surpreendente, quer porque Agostinho foi ele 
próprio um cultor primoroso do género desenvolvido por Plutarco, dando 
a lume dezenas de biografias, o que podia desde logo ter estimulado nos seus 
estudiosos a vontade de o brindar com um trabalho no género, quer porque 
viveu uma vida aventurosa de oitenta e oito anos, distribuída por inúmeros lugares 
e repleta de episódios cheios de sainete, que chegam para fazer dessa vida, 
estou em crer, a mais rica e colorida que encontramos entre os grandes 
escritores portugueses do século XX.
É possível que uma tal falha, no meio de razões doutra ordem, mais do 
interesse imediato dos investigadores, se deva em boa medida à longa 
ausência de Agostinho da Silva no Brasil, num período que cobre mais 
dum quarto de século e que desde logo se constituiu como um sério 
obstáculo à reconstituição de parte importante da sua vida, levando 
primeiro ao desânimo e depois à desistência de todo aquele que 
chegou a conceber para esta vida um tal projecto de escrita.
Agostinho é um gigante, que não se pode medir com o palmo comum. 
Até nisto de biografias, este homem é anormal. Se até hoje não 
há biografia digna dele, de futuro haverá muitas, até porque Agostinho, 
ao modo dos seus gatos, não teve apenas uma vida mas várias. 
Quantas biografias neste homem! Sucedem-se em número infinito! 
Ele próprio disse algures, a propósito da sua vida: Quanta biografia 
possível por aí fora. E quando eu me pergunto qual foi a minha 
biografia até hoje, eu não sei. Não tive biografia nenhuma, tendo tido várias. 
Venham elas; chegou o momento de passar do desânimo ao entusiasmo.

9 de fevereiro de 2014

A bem dos Povos de Língua Portuguesa, a Casa Agostinho da Silva (CAS) tem o prazer de convidá-lo (a) a participar do 3º exemplar da Revista

             IDENTIDADES

 Os Povos de Língua Portuguesa. Uma nova perspectiva para o século XXI.



O assunto para este número é “Arte e Cultura nos povos de Língua portuguesa”. Pretendemos adesão de todos os quadrantes, sobretudo, dos falantes de língua portuguesa de África, Timor Leste e Galiza (Galícia), tantas vezes preteridos.
Reiteramos esta chamada aos poetas, filósofos, artistas, professores, acadêmicos, estudantes, membros de instituições ou associações culturais, enfim, a todos que estejam, de algum modo, envolvidos com a história e a cultura lusófonas.

Desde já, esclarecemos que nossa iniciativa visa fazer valer propostas que foram iniciadas pelo professor Agostinho da Silva pelos muitos lugares por onde deixou fincado seu ideal pedagógico, humanista e de vida conversável. Assim sendo, o mote da Revista IDENTIDADES será o seguinte pensamento desse professor translusófono: “O que é verdadeiramente tradicional é a invenção do futuro.”
O texto (ensaio ou artigo, poesia, crônica ou conto, histórico-cultural, eventualmente de tipo jornalístico) a ser enviado deverá ter até 3 (três) páginas, estar na fonte Times New Roman, tamanho 12. Caso o texto tenha ilustração, deve ser enviado arquivo em formado *.jpeg, citando referência da imagem com resolução acima de 1000 pixéis. Prazo para entrega de material textual e fotográfico é 20 de março de 2014 para os seguintes emails:alethoar@gmail.com 
Cordialmente,
                                              Lúcia Helena Sá
                                        Presidente da Casa Agostinho da Silva -CAS


Revista IDentidades nº 2 - Abril de 2013 - Calaméo

3 de fevereiro de 2014



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A bem dos Povos de Língua Portuguesa, a Casa Agostinho da Silva (CAS) tem o prazer de convidá-lo (a) a participar do 3º exemplar da Revista
             IDENTIDADES
 Os Povos de Língua Portuguesa. Uma nova perspetiva para o século XXI.

O assunto para este número é “Arte e Cultura nos povos de Língua Portuguesa”. Pretendemos adesão de todos os quadrantes, sobretudo, dos falantes de língua portuguesa de África, Timor Leste e Galiza, tantas vezes preteridos.
Reiteramos esta chamada aos poetas, filósofos, artistas, professores, acadêmicos, estudantes, instituições e associações culturais, enfim, a todos que estejam, de algum modo, envolvidos com a história e a cultura de língua portuguesa.
Desde já, esclarecemos que nossa iniciativa visa fazer valer propostasque foram iniciadas pelo professor Agostinho da Silva pelos muitos lugares por onde deixou fincado seu ideal pedagógico, humanista e de vida conversável. Assim sendo, o mote da Revista IDENTIDADES é, em sua via editorial, o seguinte pensamento desse professor translusófono: “O que é verdadeiramente tradicional é a invenção do futuro.”
O texto (ensaio ou artigo, poesia, crônica ou conto, histórico-cultural, eventualmente de tipo jornalístico) a ser enviado deverá ter até 3 (três) páginas, estar na fonte Times New Roman, tamanho 12. Caso o texto tenha ilustração, deve ser enviado arquivo em formado *.jpeg, citando referência da imagem com resolução acima de 1000 pixéis. Prazo para entrega de material textual e fotográfico é: 20 de março de 2014 para os emails alethoar@gmail.com       ou       casagostinhodasilva@gmil.com
Cordialmente,
                                              Lúcia Helena Sá
                     Presidente da Casa Agostinho da Silva - CAS

2 de janeiro de 2014

Para iniciar 2014 com o cavaleiro Agostinho da Silva

Agostinho e o seu Mistério
Veni Creator Spiritus

Ao contrário daqueles artistas e pensadores cuja vida nega a obra, com Agostinho da Silva dá-se o oposto: a obra só pode ser plenamente compreendida se estiver iluminada pela totalidade da existência. Sua vida confirma e transcende sua obra. A poesia, diria melhor, a utopia que orienta tanto sua ação quanto seu pensamento está solidamente ancorada numa Ética infalível, que pode ser encontrada até nos momentos mais prosaicos da sua vida. A ética, para o cavaleiro Agostinho, era a excalibur com que combatia na sua saga em busca do seu santo graal.
Por ser o símbolo a linguagem que transcende a dualidade verbal, não é possível falar de Agostinho, sendo a unidade que ele é, a não ser em termos simbólicos, a não ser que aceitemos que ao final de sua mensagem ele encanta-se, isto é, transforma-se num símbolo.
Para entendermos este símbolo em que Agostinho se transforma, precisamos daquelas cinco qualidades fundamentais de que fala o Pessoa, sem as quais será inútil interpretá-lo.
Um símbolo é formado por muitos outros símbolos. Agostinho é uma coleção de símbolos a serem interpretados isoladamente, pois cada um tem seu significado, e em conjunto, pois ao unirem-se formam um símbolo único, com significado distinto.
Pensador, filósofo, poeta, político, professor, guia, profeta. Quantos símbolos, quantas faces, quantas existências simultâneas se expressam para formar Agostinho da Silva. Alguma é a dominante? Não. Não é possível compreender a unidade que tal diversidade compõe deixando qualquer delas de lado.
"A verdade não pode estar em faltar ainda alguma coisa".
Por tudo isso, interessa-me em Agostinho o irredutível, o inclassificável, o misterioso.
Agostinho, porém, não tem mistérios!
Bem, este é o seu Mistério! Proponho-me, não a decifrá-lo - correria o risco de ser devorado, como assisti a tantos o serem ao tentar - mas a vivê-lo.
O Espírito Santo - Shekinah é o selo, a cifra, o signo, a chave. Uma chave, não para entender, mas para viver o Agostinho. Trata-se de viver e não de morrer o Agostinho.
Poderemos crucificá-lo no espaço-tempo dos bustos e das biografias ilustres de letras e imagens perecíveis. Ou com ele ascender, transcender, nas asas da sua obra e da sua vida existencial: imortal sempre que vivenciada por nós.
14.05.2005
Véspera de Pentecostes
Texto de Roberto Pinho*


*Brasileiro, baiano, trabalhou e conviveu com o Professor Agostinho da Silva ao longo de dez anos, na Bahia, em Brasília e em Portugal. Participou da instalação e em projetos do Centro de Estudos Afro-Orientais, do Centro Brasileiro de Estudos Portugueses, do Museu Atlântico Sul, da Casa Reitor Edgard Santos e outros, mas, sobretudo, durante todos esses anos, no Brasil e em Portugal, e até a morte do Professor Agostinho da Silva, manteve, com o mesmo, uma relação, ao estilo tradicional, mestre-discípulo, que determinou em grande parte sua formação e seus interesses existenciais.


Texto recolhido da obra IN MEMORIAM de AGOSTINHO DA SILVA (Portugal: Zéfiro, 2006, p. 403-404).



Foto: Lúcia Helena Sá (2006, no Centro de Cultura Popular de Sobradinho)

1 de janeiro de 2014

Amar aos outros não é senão um interesse que vem de uma profunda simpatia, porque o

 amor é criação de beleza, logo, uma obra de arte da qual temos de zelar permanentemente

. Esse cuidado inclui que se deixem cada pessoa tratar-se de ser a sua maneira sem sofrer

 espécie alguma de sanção. Quer dizer que amar é alargar a todos a nossa simpatia e quanto

 mais simpáticos formos com todos seremos mais livres na vida se virmos nos efeitos de

 nossa existência defeitos nas qualidades e qualidades nos defeitos. Desse modo melhor

 poderemos abarcar que o amor e o saber amar pertencem a uma específica aprendizagem

 de a Graça, cercada por um ilimitado poder de o Espírito de Deus apenas limitado pelos

 limites que são nossos. 

FELIZ 2014.