16 de setembro de 2014
O que é o poder?
Nada. Mas é esse nada que muita gente quer, porque sem ele se sentem nada. E, como querem o nada, ainda mais nada se tornam. Aspirando a um glorioso nada sacrificam as suas vidas e destroem tudo em que tocam, a começar pelo próprio carácter. Tornam-se um miserável nada. (Paulo Borges)
Poder!?
O único poder que temos é o de estar Aqui-Agora.
Plenamente. Em amorosa conexão com tudo o que vive.
Mais nenhum existe. Mais nenhum é necessário.
(Paulo Borges)
23 de agosto de 2014
Ir à Índia sem abandonar Portugal
“Mas é preciso querer nitidamente não fazer nada, não é abandonar-se
ao não fazer nada, é não querer fazer nada mesmo!
Ter a profissão de não querer fazer nada. (...)
Temos que pensar numa economia, numa sociedade,
em que qualquer tipo seja reformado à nascença.
E saiba imediatamente, se puder entender, que quem
não faz nada morre depressa. E que, portanto, procure
naquilo que é, naquilo que sente do mundo, o que é que
gostaria de fazer. As duas leis devem ser: «Não trabalhe nunca;
por favor esteja sempre ocupado».”
Agostinho da Silva, Ir à Índia sem abandonar Portugal, 1994
[uma conversa de Gil de Carvalho e Manuel Hermínio Monteiro, 1987]
[uma conversa de Gil de Carvalho e Manuel Hermínio Monteiro, 1987]
6 de agosto de 2014
1º Concurso de Poesia do Encontro do Bonito-GO de Culturas Populares
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5 de agosto de 2014
"Só existe governo exterior a nós porque temos preguiça de nos governarmos a nós mesmos".
Agostinho da Silva, Pensamento à solta, 1999
31 de julho de 2014
A NOVA DITADURA: O REGIME DA CLEPTOCRACIA
O caso do Banco Espírito Santo tem o mérito de pôr completamente a nu o regime que vigora em Portugal. É exatamente igual ao que se apoderou de todo o mundo. A atual versão da democracia chama-se ‘cleptocracia’.
A generalidade dos cidadãos tem perfeita consciência e suficiente conhecimento disso, mas está conformada à situação. Prima pela indiferença e pela falta de uma reação que acabe com a vergonha.
Estamos mais mortos do que no tempo do Estado Novo. Naquela era estávamos vivos, a tal ponto que obrigávamos os sacripantas a cuidar das aparências. Agora eles não têm essa necessidade. O mal dá-se ao luxo de se apresentar às escâncaras e de se rir, com gargalhadas estridentes e a bandeiras despregadas, na nossa cara. Ou seja, hoje, os cidadãos consentem que o mal ande por aí com total transparência, à vista de quem não se recusar a vê-lo.
Vivemos numa ditadura, repito, numa ditadura, que não se rala absolutamente nada por exibir disfarces esfarrapados de democracia. É como se nos tivéssemos habituado a uma comida envenenada, que não mata de uma vez, mas vai-nos matando silenciosa e sorrateiramente por dentro, na nossa dignidade e identidade.
Já o disse noutras ocasiões, os intelectuais e os académicos são corresponsáveis pela cleptocracia reinante. São coniventes com esta imundície que lhes chega ao pescoço, sem denotarem repelência pelo ar fétido que exala da cloaca em que tudo isto se tornou.
Afinal, nas Business Schools, Faculdades, Escolas e Institutos de economia, de gestão, de marketing e afins ensina-se o quê? A estabelecer negócios sérios ou artimanhas, métodos e procedimentos para incentivar a ‘criar’ negócios e ‘empreendedores’ sujos, desprovidos de escrúpulos e de inibições cívicas? E nas Faculdades de Direito, ensina-se a respeitar a legalidade e a ética ou forjam-se figurões, competências e habilidades para as driblar?
E aos comentadores e jornalistas, não lhes causa qualquer inquietude o facto de se prestarem a desempenhar o ‘papel’ de aldrabões e trampolineiros? Com que então o Banco de Portugal tem cumprido bem - e até de modo exemplar! - a função de regulador e disciplinador do sistema bancário? Está-se mesmo a ver, não está?! Como classificar um léxico e uma terminologia (e os seus utentes) que, em vez de esclarecer, servem para instalar a mistificação e confundir o cidadão?
Alguém, com um mínimo de inteligência, acredita que se pode ser Presidente do Banco de Portugal ou da CMVM - Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, sem estar mais ou menos integrado no sistema bancário e no setor financeiro? Poderá chegar a qualquer um dos cargos uma criatura que enfrente a desconfiança ou a oposição dessas confrarias? Sim ou não?
Regular e disciplinar o sistema bancário e o mercado financeiro será ir, de vez em quando, à Assembleia da República, fazer declarações, aparentemente condenatórias, mas não impeditivas da prática contumaz de fraudes, umas atrás das outras?
Que nome podemos dar a esta democracia do ‘faz de conta’ se não o de cleptocracia, consentida e oleada, de cima a baixo, pelos diferentes poderes? Aplica-se ou não a eles esta passagem - Se gritar: pega ladrão, não fica um, meu irmão!) - de uma conhecida canção brasileira?
Sentem os portugueses repugnância e revolta contra este roubo organizado? Não, não dão sinais que apontem nessa direção. Deixaram-se anestesiar, pouco a pouco, para irem morrendo lentamente sem o mínimo sintoma de dor moral. Não têm desculpa, nem podem esperar compreensão ou perdão. Vão legar aos vindouros uma memória de desdoiro e condenação.
Jorge Bento
29.07.2014
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Agostinho da Silva, Ir à Índia sem abandonar Portugal, 1994
[uma conversa de Gil de Carvalho e Manuel Hermínio Monteiro, 1987]](https://scontent-a-mia.xx.fbcdn.net/hphotos-xaf1/v/t1.0-9/10606480_672621656146903_6249692349677406495_n.jpg?oh=b8b5e03ea93b5fae17eb3ccc9cbc0220&oe=5479E56B)
