3 de junho de 2015
29 de maio de 2015
22 de maio de 2015
INSCRIÇÕES ABERTAS ATÉ 28 DE MAIO
O Caminho do Sertão promove um mergulho socioambiental e literário no universo de Guimarães Rosa e no cerrado sertanejo dos gerais. Quem participa do projeto percorre parte do caminho realizado por Riobaldo, personagem central do livro Grande Sertão: Veredas, rumo ao Liso do Sussuarão.
Serão 160 km, a pé, pelo Norte e Noroeste de Minas Gerais, passando por comunidades de geraizeiros onde se encontram folias de reis, mestres e mestras de tradição oral. Após reunir 70 caminhantes de todo o país em 2014, a 2ª edição do projeto acontecerá entre os dias 04 e 12 de julho de 2015. Os interessados têm até o dia 28 de maio para realizar inscrição.
11 de maio de 2015
Presidente do CC do IILP fala sobre a expansão do português pelo mundo
Publicado em Maio 5, 2015 por IILP
O português é uma língua que está em
expansão, segundo o presidente do Conselho Científico do Instituto
Internacional da Língua Portuguesa, IILP .
O
moçambicano Raul Calane da Silva fez as declarações no âmbito do 5 de maio, o
dia da Língua Portuguesa e da Cultura. As Nações Unidas e os países lusófonos
desenvolvem laços de cooperação através da Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa, CPLP.
“Podem neste dia trocar o abraço
democrático do idioma da língua portuguesa. Ninguém com a escolha do português
quer desvalorizar os idiomas próprios, nenhum é monolíngue, o português
realmente é uma língua que se enriqueceu com outras línguas do mundo, e hoje
esta cada vez mais a ser muito querida e estudada, isto talvez tenha a ver com
a expansão econômica das antigas colônias portuguesas, mas também tem a ver com
aquilo que é uma nova leitura sobre o que esta acontecer com o português na
estratégia mundial dos idiomas.”
Calane afirma que essa reflexão deve
olhar para o momento que considera oportuno para a expansão do português.
“Porque nestes países que se dizem, o
Japão, a Indonésia, o Senegal estão a estudar português? A Turquia pediu agora
para ser membro observador, por que? Por causa da economia. Quase todos os
países que falam o português ou tem português como língua oficial estão ricos
em hidrocarbonetos, então a linguagem do dinheiro fala mais alto. Eles agora
estão interessados em aprender. Para virem cá fazer o comércio tem que conhecer
o idioma., então vamos aproveitar esta deixa, vamos crescer cada vez mais.”
Fonte:
Rádio ONU
1 de maio de 2015
Dia do Trabalho
Todo o mundo comemora o Dia do Trabalho. Começo por estranhar a alegria geral por ser um dos dias que não vamos ter que trabalhar. Se o objetivo é louvar o trabalho, todos deveriam trabalhar em dobro neste dia. Portanto, a verdadeira comemoração é pelo ócio. Nos portões de entrada dos principais campos de concentração nazistas havia uma frase construída com letras grandes: Arbeit Macht Frei (O Trabalho Liberta). Liberta quem? Nas origens da civilização ocidental judaico-cristã, que se expandiu por todo o planeta, no Velho Testamento, em Genesis, o trabalho surge como um castigo dado por Deus depois que o homem Adão foi expulso do paraíso. No Novo Testamento, no Sermão da Montanha, Jesus, o Cristo, mostra aos homens o exemplo dos lírios: eles não trabalham nem fiam e se vestem melhor do que Salomão. Com esses exemplos o correto seria criar-se um dia internacional para comemorar o ócio. Até mesmo na origem da palavra trabalho está selado o significado de castigo: tripaliu, em latim, denominava um instrumento romano de tortura; trabalhar significava ser torturado no tripaliu. E quem eram os "tripaliudiados", os trabalhadores? Os escravos e os pobres; os que não podiam pagar impostos. Trabalhar significava perder a liberdade. Eles trabalhavam para que os patrícios, os nobres romanos, ficassem com as atividades culturais e políticas, isto é, com o gozo do ócio. Bem. Passados milhares de anos mudou o que? Criaram-se várias versões do tripaliu: fome crônica, moradia de risco, transporte de gado, tortura na saúde, serviço militar e circo (Tv, Shoppings, Estádios de Futebol - Coliseus modernos). Todos embalados no economês da enrolação: concentração de renda, pib, taxa de câmbio. Com o mais sofisticado dos instrumentos modernos de tortura: uma vara amarrada ao pescoço dos "burros" projetada para além da face, na qual pendura-se uma cenoura que eles jamais alcançarão. Neste 1 de maio refaço o bordão de Getúlio. Em lugar de Trabalhadores do Brasil, Otários do Brasil. Se todos os trabalhadores do mundo tivessem, num estalo, consciência disso, no dia 1 de maio fariam uma greve geral mundial de seis meses. O mundo mudava num instante! (por R. P.)
22 de abril de 2015
Educação de Portugal
"Creio, primeiro, que o mundo em nada nos melhora, que nascemos estrelas de ímpar brilho, o que quer dizer, por um lado, que nada na vida vale o que somos, por outro lado que homem algum pode substituir a outro homem. Penso, portanto, que a natureza é bela na medida em que reflecte a nossa beleza, que o amor que temos pelos outros é o amor que temos pelo que neles de nós se reflecte, como o ódio que lhes sintamos é o desagrado por nossas próprias deficiências, e que afinal Deus é grande na medida em que somos grandes nós mesmos: o tempo que vivemos, se for mesquinho, amesquinha o eterno. E penso, quanto à segunda parte, que todo o homem é diferente de mim, e único no Universo; que não sou eu, por conseguinte, que tem de reflectir por ele, não sou eu quem sabe o que é melhor para ele, não sou eu quem tem de lhe traçar o caminho; com ele só tenho o direito, que é ao mesmo tempo um dever: o de o ajudar a ser ele próprio; como o dever essencial que tenho comigo é o de ser o que sou, por muito incómodo que tal seja, e tem sido, para mim mesmo e para os outros."
Agostinho da Silva, Educação de Portugal, in Textos Pedagógicos II, Âncora Editora, pp.90, 91
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18 de março de 2015
Água Escassez e excesso na mesma medida
José Gomes Garcia (ambientalista e poeta)
Quando penso que a unicélula planeta Terra é formada em sua base por 75% de água e apenas 25% de outras matérias, chego a ficar impressionado. Talvez, seja este o motivo de o homem — único ocupante deste habitat capaz de fazer história — não dar a mínima importância a este líquido tão importante a sua vida. Não tenho notícias de outro vivente que tenha saído por aí rabiscando paredes de caverna e legando para a posteridade material capaz de significar alguma trajetória. Viventes, aliás, que desenhavam, inclusive, outros viventes que pretendiam caçar, aprisionar ou, simplesmente, se defender de seus possíveis ataques.
Uma coisa que sempre me impressiona no homem é a sua capacidade de deslocamento, outro fato que o relaciona com sua composição hídrica. Sim, pois pensemos se o caso fosse o contrário, em vez de 75% de líquido apenas os 25%, e os outros 75% fossem de matéria bruta, Este vivente, certamente, não teria transposto a barreira da primeira caverna.
Mas a água sempre abundante por onde passou lhe permitiu andar, nadar, deitar e rolar em sol fértil. Quando penso em água penso, também, nos outros elementos que compõem a atmosfera terrestre e que juntos representam o único pensamento de solidariedade absolutamente inquestionável. Juntos, os quatro elementos são essenciais à vida: Água, Terra, Ar e Fogo.
Que maravilha! Nada nos faltará. Pisando sobre a terra, nadando sobre as águas, respirando o ar, aquecendo-se ao fogo, o homem foi longe. E esse deslocamento é que sempre me chamou a atenção. Mas o homem, mesmo diante de tanta evidência, não parou para observar que a água representa a síntese de sua existência, pois é nela que ele exerce seu maior direito: o direito de ir e vir, portanto, a liberdade garantida em todas as constituições não seria possível se o homem fosse composto por 75% de outra matéria que não a “Santa Água”.
Certa vez, participando de um seminário sobre meio ambiente em que muito se falou da história, da água e sobre o relevo e povos do cerrado, ouvi vários mestres ambientalistas discorrerem suas teses e apresentavam bibliografias pomposas. Eis que um jovem geógrafo (Jaime Campis), não que fosse recém-formado, porém, com um currículo ainda em formação, posso dizer assim. O jovem, em sua fala, foi desconstruindo todas as bibliografias até então salientadas pelos mestres. Então, as pessoas ali presentes foram ficando apreensivas com a postura do rapaz. Até que em dado momento, um dos participantes do seminário tomou a palavra e indagou: “Então, em que devemos nós orientar meu caro rapaz?”
A pergunta foi feita em tom amistoso. O palestrante não se fez de rogado e foi logo respondendo: Guimarães Rosa, caro mestre (disse o rapaz). Guimarães Rosa e Euclides da Cunha. E, por fim, Paulo Bertram!... Hoje, eu incluiria uma goiana. Uma goiana que, na verdade, nem é tão goiana assim. Isso mesmo! Nem é tão goiana assim... Cora Coralina tem um pezinho muito bem calcado nos rincões nordestinos. Basta ler com atenção seu sobrenome para descobrir de quem ela é parente de sangue, Lins do Rego Brêtas, Terras de Engenho, embora seus familiares por parte de mãe sejam goianos do pé rachado. Não se trata de comparar Cora a outro autor. Isto seria uma ingenuidade. Porém, sua obra e sua biografia não deixam dúvidas. Cora conta por onde é o caminho das pedras; diz onde a onça vai beber água. Isto de um ângulo muito peculiar, pois se trata do ponto de onde os bandeirantes rumaram para o norte em busca dos cristais e do metal.
Cora não se esquece dos povos. Os primeiros ocupantes do tabuleiro, berço das águas. Isso sem jamais se esquecer da origem do pai. Sou cangaceira (disse a poeta de Goyaz). Quando me remeto à Cora, refiro-me novamente ao deslocamento, o tempo que uma missiva levava para ir e vir da capital de Goyaz a capital federal, sendo levada pelos mesmos meios de transportes usados na época. O lombo do burro! Depois, por via náutica pelo Rio Grande onde logo surgiria o povoado de Barreiras no Estado da Bahia, dando início a tão famosa rota do sal.
Quando aquele jovem Geógrafo encerra sua fala, homenageando Paulo Bertram, ele nos remete a um fato pouco comentado para além da psicologia. Refiro-me ao mito da caverna cujo tempo já imemorial ultrapassa nossas existências. E me indago se hoje estamos no tempo da caverna e, quiçá, seja esta caverna nem a de Platão nem a de Saramago.
(Texto proferido em Planaltina-DF, Setembro de 2014, em evento promovido pelo Instituto Cerratense)
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