14 de fevereiro de 2016

COLÓQUIO INTERNACIONAL

 
Agostinho da Silva:
Pensador Universal
do Tempo Presente


16 e 17 de Fevereiro 2016


Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Anfiteatro III


Entrada livre



Org: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa

Apoios: 

Associação Agostinho da Silva
Círculo do Entre-Ser
FLUL
FCT
                                                                                    
PROGRAMA
                                                                                       www.coloquioagostinhodasilva.wordpress.com
Iº DIA – 16 DE FEVEREIRO
09h30 – Abertura do Colóquio, por Paulo Borges e Miguel Real
09h45 – Sessão 1 (Espiritualidade e Religião I) Moderação: Fabrizio Boscaglia
09h45 – Luís Santos, O pensamento ecuménico de Agostinho da Silva
10h05 – Manuele Masini, A Idade do Espírito: uma leitura de Agostinho da Silva à luz de Gioacchino da Fiore
10h25 – Annabela Rita, “No espelho d’água da vida” (evocação)
10h45 Debate
11h15 – Intervalo
11h30 – Sessão 2 (Do Passado ao Futuro) Moderação: Paulo Borges
11h30 – Adelina Andrês, A Humanidade de Agostinho, um Presente que Passado e Futuro oferecem para desfrutar
11h50 – Carlos Carranca, Agostinho – um ponto de vista
12h10 – José Eduardo Reis, Agostinho da Silva e a tomada de consciência do alimento: convergências com posições doutrinais de Amílcar de Sousa, presidente da Sociedade Vegetariana do Porto do primeiro quartel do século XX, e com a dimensão ética dos “food studies”
12h30 – João Rodil, Cumprir Agostinho
12h50 – Debate
13h20 – Almoço livre
14h45 – Sessão 3 (Educação e Criatividade) Moderação: Giancarlo de Aguiar
14h45 – Amândio Silva, Agostinho e a Universidade
15h05 – Maurícia Teles, Liberdade, Amor e Criatividade em Agostinho da Silva
15h25 – Risoleta P. Pedro, O fingimento poético em Agostinho da Silva – máscara, ficção e verosimilhança
15h45 – Maria Eduarda Faria Rosa, Análise da novela “Macaco-Prego”
16h05 – Debate
16h35 – Intervalo
16h50 – Sessão 4 (Espiritualidade e Religião II) Moderação: Dirk-Michael Hennrich
16h50 – Fabrizio Boscaglia, Agostinho da Silva e o Islão
17h10 – Pedro Martins, Agostinho da Silva, o marrano do Divino
17h30 – Paulo Borges, Espírito Santo, Zen e o novo paradigma da consciência em Agostinho da Silva
17h50 – Debate
18h20 – Intervalo
18h35 – José Adelino Maltez, Agostinho. Da aldeia à república universal (Moderação: Paulo Borges)
19h05 – Encerramento do Iº dia
 IIº DIA – 17 DE FEVEREIRO
9h30 – Sessão 5 (Filosofia e Pensamento I) Moderação: Dirk-Michael Hennrich
9h30 – Carlos Silva [lido por Paulo Borges], Efeméride do pensar (e não Agostinho da Silva efémero) – Uma cisma cartesiana
9h50 – Sofia A. Carvalho, O terrível mistério de Diotima: considerações sobre ascese e imaginação em Agostinho da Silva e Friedrich Hölderlin
10h10 – Maria Celeste Natário e Maria Luísa Malato, Conversa com Diotima: Do Estrangeiro em Agostinho ao Estrangeiro em Albert Camus
10h30 – Rui Lopo e Felipe Delfim Santos, Agostinho da Silva e Delfim Santos: uma correspondência cultural e filosófica
10h50 – Debate
11h20 – Intervalo
11h35 – Sessão 6 (Espiritualidade e Religião III) Moderação: Giancarlo de Aguiar
11h35 – Pedro Teixeira da Mota, Agostinho da Silva e a Tradição Espiritual Portuguesa
11h55 – José Manuel Anacleto, Agostinho da Silva e a liberdade radical
12h15 – Manuel Gandra, A Terceira Revelação
12h35 – Debate
13h05 – Almoço livre
14h30 – Sessão 7 (Lusofonia e Brasil) Moderação: Fabrizio Boscaglia
14h30 – Giancarlo de Aguiar, A Cultura Indígena do Brasil nos ensaios de Agostinho da Silva
14h50 – Dirk-Michael Hennrich, Reflexão à margem da ‘Teoria do Brasil’ : Um meio século depois
15h10 – Renato Epifânio, Em diálogo com Agostinho da Silva: repensar a Lusofonia no século XXI
15h30 – Debate
16h00 – Intervalo
16h15 – Sessão 8 (Filosofia e Pensamento II) Moderação: Paulo Borges
16h15 – Pedro Vistas, “Antes teor que teorema”: do amor pela sabedoria à Sabedoria do Amor
16h35 – Miguel Real, Agostinho da Silva e o Providencialismo Português do Século XX
16h55 – António Braz Teixeira, Para uma visão de conjunto do pensamento filosófico de Agostinho da Silva
17h15 – Debate
17h45 – Intervalo
18h00 – Miguel Real, Apresentação do livro Agostinho da Silva. Uma Antologia (org. Paulo Borges), 2ª edição (Moderação: Fabrizio Boscaglia)
18h20 – Conferência de Encerramento: Eduardo Lourenço, Filosofia e Profetismo (Moderação: Paulo Borges) [por confirmar]

 

IV Ciclo de Tertúlias Em torno de Agostinho da Silva 
na Casa Bocage, Setúbal

 

19 de Março, sábado, 16.00h 
 

Palestra e Apresentação da obra
Agostinho da Silva: Filosofia e Espiritualidade, Educação e Pedagogia, por

                                                                                                   Luís Carlos dos Santos
O livro será apresentado por Paulo Borges



9 de Abril, sábado,16.00h


Palestra: "Os Agostinhos da Silva", por Rui Lopo
 

"Da Filosofia Lusófona à Importância das Diásporas para a Lusofonia": apresentação dos números 16 e 17 da NOVA ÁGUIA: Revista de Cultura para o século XXI, por Renato Epifânio

 

Pela voz de George Agostinho Baptista da Silva

  

                                              Me fiz gente se é que sou
                                              em Barca d'Alva do Douro
                                              para cima tudo celta
                                              para baixo tudo mouro

 

                                              o pior é que Alentejo
                                              e Algarve tendo nas veias
                                              como vou eu libertar-me
                                              de tão apertadas teias


                                              decerto não escapava
                                              se fosse intelectual
                                              como esses que tem havido
                                              mais simples que Portugal 


                                              quem não for um mais o outro
                                              mesmo que em contradição
                                              será vencido da vida
                                              lhe desfeito o coração

                                              menos nadar que boiar
                                              é que é a sabedoria
                                              deixe a vida demonstrar
                                              que é a verdadeira guia

                                              e que é só ela quem sabe
                                              o bom rumo da nação
                                              e o porto a que vai chegar
                                              quer ela queira quer não.                                          
                                                                                           Uns Poemas de Agostinho, Ulmeiro, 1989

6 de fevereiro de 2016

"El País"

Havia em Galiza, em Ponte Vedra, um jornal diário chamado "El País" (1932-36) e era republicano...



Enviado por Isabel Rei

13 de janeiro de 2016

“No nada”, por Lúcia Helena Alves de Sá

oleoentaboa



Sentado no centro do mundo está Deus com cara de cão em desencanto com o ser-do-homem que se faz boludo, diábolo da pedra do reino e de avalovaras sem tons e veredas
Lúcia Helena Alves de Sá Com o compasso e a rosa, espia o ventre da terra, risca o céu um furor de relâmpagos. O regresso ao princípio negador de o Nada existencial (do qual o Tudo existencial aflora e vige) vigora na contemporaneidade a mover-se no nada, em caos absoluto. Não há mais gênios nem mesmo os marginais que possam transgredir e superar a tudo o que há de negativo no mundo. Perdeu-se a racionalidade (razão) e o homem de hoje atingiu apenas a intelectualidade (intelecto). Estamos na diáspora de nós mesmos, destituídos de Autos: o espaço do Sagrado e de Chronos em que se exercitam as noúres (em grego, espírito ou verbo).
Perdidos, partidos e até olvidados da co-presença da consciência de Deus — aquele primeiro pensamento que pensa e que só se manifesta em vivência ética social — não exaltamos a nossa subjetividade na qual o sujeito íntimo, que é Aquele que nos provê, expirou: é nada. Estamos no nada, o que mais afronta a dignidade humana, pois somos apenas objetos abjetos, enquanto deveríamos ser uma racionalidade entre outras tantas que têm vida própria e uma aspiração de transcendência, somos tão somente a porção mais vil do caos ao absurdo de um drama humano de tal forma que não há visão a partir de lugar nenhum para uma admissão em que o homem deixe que brote de si tudo quanto é de possibilidade divina ao mesmo tempo em que não perca nada da sua humanidade, do Espírito Livre, Santo, estado em que o homem adquire a consciência crística que já deveria estar a governar vidas de crentes e ateus de todos os povos.
O que nos deveria interessar não é senão a edificação de nós mesmos: a catábase que exbrange sentimento, conhecimento e experiência em comum com o “outro”, tendo com ele proximidade de tal forma que expresse o fenômeno do duplo na medida em que se torna um “ator” por meio do qual o “outro” se manifesta. Na condição de ator, o sujeito pertence ao mundo do evocado, sendo capaz de observar e criticar o “eu” e de exercer influência sobre ele.
Se i-dentidade e di-ferença compõem a vizinhança da mesmidade poético-filosófica do novo mundo que queremos instaurar, cada um de nós tem de dizer o Ser poeta que somos e como poetas nomearmos o Sagrado perdido. Temos de ser autores de uma nova linguagem que mostre o Ser em sua relação com o mundo e, por conseguinte, estabeleça a possibilidade de articulação de sentidos seja com o mítico, o poético, o filosófico, até mesmo com a existência mesma de o Nada que é o Tudo. A bem da verdade, tal linguagem constitui-se em um afluxo do dizer sempre em jogo cuja essência é a ação de fundamentar, concentrar Deus (o Da Seinno homem) para a experiência humana, para a ek-sistência.
Eis a nossa catábase a destituir o diabólico da diáspora de o Nada, pois que o fazer do homem é vislumbrar a di-ferença ontológica entre o Ser e o ente, di-ferença que comunga uma unidade interioridade/exterioridade em estado de nascimento, de contínua recriação e retificação. Uma dialética do possível que busca a coerência de (co)presença especificada sob o signo da complementariedade que se dispõe na continuidade da conciliação dos contrários. Quer dizer, toda atitude humana tem de se apropriar da linguagem que expressa a experiência do acontecimento que instaura, no desígnio do dizer, a ressonância de que Deus é o único sentido oculto das coisas e do homem que têm existências por que Ele é. A significação delas é Deus.
A linguagem humana e as atitudes do homem no espaço que o cerca estabelecem, assim, a intimidade do universo relacional existente entre Deus, as coisas e o homem, celebrando aconjunção dos contrários projetados no curso dinâmico do “é” de Deus que, parecendo igual, nunca se imita a si mesmo. Esta determinação de que Deus “é” só se torna compreensível devido à língua portuguesa, a única capaz de bem distinguir a di-ferença ontológica entre ser eestar. O verbo ser, indicativo de perenidade e infinitude, pertence eternamente a Deus. Tudo o mais aí está em duração finita. A língua portuguesa permite que seja dito que a essência/substância de Deus é a sua eternidade. Se Deus é eterno, então, a Sua áurea — Graça— está nos eventos reais, na concretude finita da vida infinitamente do mínimo minimorum de uma partícula à complexidade dos seres humanos.
O dizer de uma nova linguagem está envolto pelo encantamento das presentidades várias e divergentes que é o poema-Deus-poeta. Compreende não um real aparente, porém, uma realidade existente ou de uma aparência que fosse aparição da realidade, mas não a aparência a que à realidade se opõe. Deus aparece em uma interdependência dialética ma(i)s viva que àquela que se assenta longe da normalidade que reifica o homem e que se expressa avessa ao mundo despotencializado, construído e dominado pela lógica do pensamento calculador ou pensares costumeiros. Nossa nova linguagem é eivada e indicativa do inexprimível da própria coisa evocada. Assim sendo, deve tender a mostrar a realização daalethopoíesis do ethos de Deus e de Deus no homem que jamais é redutível a uma formalização reiterável visto que é transbordante de transdescendências e aparências.
Deus, força inquebrantável cujo Espírito que é Santo coordena e dá ek-sistentia ao universo e ao ser do homem, só adquire conteúdo teórico na aproximação excessivamente intelectualizada ou na proximidade lúdica de uma razão que sonha o Inominável sendo tempo algum e todos os tempos. Mesmo exaurindo todas as possibilidades racionais, esquadrinhando imagens e enovelando palavras, Deus sempre escapa à compreensão definitiva. É uma instantaneidade eterna.
Em torno do significado de Deus se estabeleceram atribuições genéricas que só adquiriram entendimento quando expressas sob particularidades filosóficas. Logo, pôde ser captado como sendo o princípio que possibilita a existência do mundo e do ser de todo ente, bem como a fonte de tudo o que há de excelente no mundo, sobretudo, o que diz respeito ao mundo do homem. Entretanto, essas qualificações distinguiram entre si outras concepções específicas de Deus. Ou seja, quando posto em referência ao mundo, Ele é a causa de sua existência; em relação com a ordem moral, é o bem; pensado em relação a si mesmo, é Ele aGraça — centro abstrato, ponto fixo de energia que é, em simultâneo, ideal/pensado e real/existente — está primeiramente senão no pessoal e continuamente em todo o universo. Importa dizer que isto trata da realização autêntica da alethopoíesis, ou seja, uma propensão para alargar os horizontes da compreensão do ser e, por via de consequência, da elucidação do Incognoscível e, por via de consequência, da percepção do mundo.
É na conversabilidade segura com as pessoas, na vivência prática, ativa, observadora de costumes e de gente, em torno da concretude real das coisas, que a Graça se manifesta, pois ela é o cuidado ético da dimensão ontológica e espiritual do homem, mas também, antropológica na medida em que zela pelo ser social, pelo hábito da cooperação e da tolerância, pela derrubada de atos humilhantes e preconceituosos, gerando a convivência em vez de isolamento de caverna. A Graça somente se faz sentida se nos dispusermos a agir sob uma ética pessoal e social de saber orar, amar e servir. Orar que tem sentido não apenas reflexivo, mas, sobretudo, é um agir pragmático de maneira que se demonstre simplicidade nas atitudes e desprezo pelo prestígio social. Saber amar é respeitar o próximo, não cerceando a liberdade alheia; as relações do amor partilhado indiferentemente a todos os indivíduos conformam o ecumenismo em que todos os credos, crenças, metafísicas e místicas estejam juntas de modo a amenizar ao máximo a barbaria da violência das incompreensões. Saber servir impõe aos homens um processo concreto de sociabilidade cooperante e libertadora.
Por um lado, a partir do entendimento de que a Graça nos habita, todos os outros pensares fluirão naturalmente como: (1) a acepção do “ser” do homem como aquele que está no mundo, habitando-o, porque é ser-da-terra e dele partindo as diferentes experiências; como sendo, a um só tempo, compreendido entre o ser fatal e livre; como sendo aquele que reconhece em si mesmo potencialidades que o torne transformado, porém, sendo fiel a si próprio; e como o que aceita os dinamismos da vida em seus compassos contrários, mas complementares; (2) a felicidade não está no desejo de consumir ou no ato de ter coisas, dominar pessoas ou possuir bichos, visto que ela é interior ao ser; (3) a esperança da humanidade reinstaura-se no Espírito Santo, pois não é encontradiço e não é inacessível; (4) a criança reformará as estruturas corrompidas da polis. Por outro, a compreensão da Graça em nós promoverá a justeza de ações que ocorrerão de modo correspondente à promoção da solidariedade comunitária na experiência da realidade da vida cotidiana, o que inclui (A) os princípios de liberdade, equidade e os paradoxos da igualdade propalados no culto à realeza do Espírito; (B) o fazer da pedagogia conversável sob os pilares da lucidez e da ludicidade; (C) o reconhecimento de valores materiais que deem a todas as gentes trabalho, moradia e saúde, enfim, dignidade para o bem viver; (D) o redimensionamento dos processos técnicos elaborados para a maior produção de alimentos ou outros bens de consumo basilares.
É fato que os pobres estão ainda mais miseráveis, carecem da quantia mínima de capital para sobreviver e, portanto, precisam de um pacto humanitário dos países ricos que realmente efetive um esforço combinado para acabar com a fome, a miséria e migrações em massa, porque são a pobreza e a guerra os maiores fatores de risco de nossa contemporaneidade que oblitera a liberdade dos homens como a iliteracia, a violência, o terrorismo, o crime organizado e a corrupção; a concentração da riqueza sob o controle de uma minoria presa ao luxo e ao supérfluo; e o desequilíbrio ecológico. Tudo são mostras do descompasso econômico do mercado global e da insustentabilidade do modelo capitalista cada vez menos democrático, de totalitarismos e de fundamentalismos religiosos. Estamos neste no nada da existência e da convivenciabilidade fraterna.
Será inevitável que uma nova economia surja, criando outro habitus social e situações políticas completamente novas. Quiçá seja a reforma econômica da sociedade o sistema de cooperativas e dele se afaste todo tipo de subordinação a qualquer de seus membros cooperados que implica o servir cujo significado concreto, efetivo, está nos atos de solidariedade, participação e doação. O desenvolvimento técnico e o aperfeiçoamento dos instrumentos de produção devem ser feitos em benefício de maior bem estar do homem que, pelo seu aspecto externo, significa ter maior conforto, mas pelo seu aspecto interno, maior aperfeiçoamento pessoal. Isso tudo se torna uma esperança justificada para as gentes dos povos menos favorecidas, vítimas involuntárias da injustiça de homens.
A vida deixou de ser gratuita; há escravos e funcionários que sustentam o capitalismo de concorrência que, por desgraça de nada fazermos, passou para o capitalismo de opressão em que os homens, já afirmara Agostinho da Silva, são considerados como feitos para produzir dinheiro, o qual serve, por sua vez, para produzir dinheiro para produzir todas as mazelas e caricaturas humanas. Nem tempo há para pensar em rosalías. Isto é o nosso triste fadário: sem universo animado em cujo presente o passado deveria ser renovado. Estamos na diáspora da poesia que permite que todo poeta percorra tempo e espaço e esteja livre para projetar-se ao futuro.
A diáspora de nós mesmos está na perda de uma espécie de estado de perfeita liberdade e inocência partilhada de felicidade; de vida ordenada por uma comunhão entre a natureza e o homem. Isto é o “no nada”: a corrupção dos costumes e a existência que deixou de ser beatífica para ser encoberta pela vulgaridade do cotidiano institucionalizado. Assim me parece que toda e qualquer imagem poética e uma ideia filosófica — nos espelhos de palavras — não são mais projeções de um mesmo projeto humano quanto à impreterível concretização de uma nova governança mundial, haja vista que é necessário que todos os homens se sintam não apenas irmãos, mas que se sintam unos uns com os outros.
Neste “no nada” em que nos inserimos, a cultura está decadente e difusa, não sabe definir suas linhas de rumo: liberdade, comunitarismo econômico, justiça e paz. Essa falta de rumo se estende a toda sociedade atual que está em vias de um colapso econômico-financeiro que atingirá, evidentemente, os mais necessitados. Em uma capacidade diagnóstica de perceber que em todos os quadrantes toda gente de diferentes povos vive em nevoeiros, sob os enganos do imenso “império” da nova globalização, é inconteste que está ocorrendo a perda da humanidade espiritualizada (império perdido). Quando isso acontece, perde-se, de maneira inevitável, histórias de vida (passado esquecido). Desventuradamente, privamo-nos de futuro que se torna, então, inconcebido. Todo futuro depende e reclama de saberes, memória, crenças, símbolos, valores, mitos indispensáveis às nossas aprendizagens na vida, nas experiências sociais e à constituição de um mundo sempre em renovação.
Creio que o tempo é marcado por um gesto profético no qual a verdade revela-se na História. Uma História que não valoriza o futuro (por não haver nada concreto que o defina) e nem passado (por não ser glorioso). Talvez, por isso, o futuro nunca seja concebido para libertar o homem das pressões físicas e prisões mentais a não ser por uma das revoluções fundamentais da humanidade: a conectividade da teia da vida dentro da ciência do real: a Ecologia sob o âmbito da Física Quântica e da Teologia. Seria, então, imaginável que todas as gentes pudessem reconhecer a sua pertença à vida, demandando liames de confraternização para refundar vínculos sociais. Nesse sentido, Agostinho da Silva traz uma mensagem política ou de uma política de vida, logo, revolucionada e atenta a mudanças de paradigmas. Contudo, há um desinteresse de outras tantas gentes de entender que a vida tem seus jeitos para revelar planos a cumprir, visto que foram moldadas no e para “o nada”: época mecanizada que exerce poder sobre o homem, fundamentalmente, poder decisivo sobre o habitus de toda gente ao mesmo tempo em que o niilismo está presente, uma maneira de renegar as verdades morais e as hierarquias de valores. Deus está morto, logo, matamos Deus em nós. Matamo-nos. Somos destituídos, em simultâneo, do Dasein (ser do ente/o ser-aí) e do Da-sein (o ser-lá/Ser).
Estou a apontar para o problema filosófico da dissolução da i-dentidade e fragmentação ou dissolução do ser. Um ser sem passado, sem presente, que é representado por gentes envolvidas pelo niilismo, certo aniquilamento, espírito destrutivo de si e do mundo. Estão desenraizadas da vida e de vida, deslumbradas pela ilusão da transmissão cultural em que tudo é frenética e exteriormente oferecido acriticamente e quando há críticas, morrem cidadãos. Não se pode mais reconhecer nessa gente um indivíduo-sujeito. É toda gente homogeneizada pelos gostos e vícios dos consumos modernos, bem como esquecida de suas tradições, tornadas névoas, pois deixou desaparecer de si a sua natureza de Home complex, desencorajados de planos a cumprir. Constato ser isso um apelo à precisão de uma mudança ontológica para mudar a face da ecúmena: a vida de toda gente só será bem vivida se não se furtar à experiência alguma e tendo como experiência máxima a apreciação da vontade de todos os homens de todo o mundo para ser uma humanidade fraterna e viva. Isto é que vai decidir que tudo se renovará pela própria ação, particular e conjunta, de todas as gentes capazes de recriações animadas que enriqueçam o nosso patrimônio cultural com o qual podemos atingir algo sempre (de) novo: a comunhão do saber, o humanismo, o cuidado com o ser. É crucial tentar superar as estreitezas na qual nos cercamos a fim de que se estenda o amor socialmente enlaçado à humanidade inteira.
Vai assim o mundo dos homens entre branco e azul, verde e vermelho, na cruz dos braços, erguidas, morte ou infância saltam do tronco igual promessa e perdão. Deparo-me — enquanto a nave largada na nudez de o Nada, pois há revoltas de impérios e toda a ideia de Império por fazer — que passamos a ser sistematicamente fragmentados em nossa unidade, tornando-nos peças adaptáveis a todo tipo de modismos e sofisticações que podem até mesmo levar à insensibilidade diante das misérias: a do saber, a do servir, a do amar ou a do pensar, a do agir, a do ser sendo-no-mundo. É fato notório que são tantos os problemas e são tão perigosos os avanços que o homem fez, nesses últimos séculos, que quase não entende o que lhe está acontecendo e a vida vai tornando-se uma espécie de conflito de condutas e vocações existenciais que, em uma não menos evidente situação, decorre sob os hábitos do cosmopolitismo. A potência da mundialização da cultura de massa está, por exemplo, expressa nos modos de ser (opacos) e na moda (fútil) que regem comportamentos, apelam à imitação e às incitações publicitárias, muito próprias da lógica produção-consumo que desagrega e desvaloriza valores e adapta os que já estão adaptados e adapta os adaptáveis à economia-tecnológica.
Todo tipo de gente está entregue à única justificação da vida presente, desfrutar das realizações imediatas, da homogeneidade de costumes, descuidada em zelar por um novo Espírito do Tempo. O que me entristece o pensamento é saber que esses tempos modernos são de “aculturação” do homem, oriunda do poder industrial e do progresso da Técnica. Por isso, há apatia sociológica, uma substituição de uma aparente liberdade recuperada pela alienação e subjugação a um materialismo consumista e desumanizado. Sob um viés racional e intelectualmente de sentido político, devemos nos remeter a uma perspectiva ecossociológica que reivindica a não submissão à tirania ou a ditadores porque qualquer tipo de sujeição impede os cidadãos de pensar e ter iniciativa.
Lamenta-se o cerceamento da liberdade nos regimes de tirania que cultivam o obscurantismo e a pauperização de forças reivindicativas. A tirania opera uma equívoca beligerância que ofusca as relações sociais, suprime a riqueza ao povo e provoca a marginalidade das classes trabalhadoras e das minorias. Aos tiranos (em especial) falta o entendimento do que é a “coisa pública” que exige disciplina e coordenação social. Os tiranos, além de suprimirem a liberdade, parecem esquecidos de que devem gerir um bem comum e que ao povo deve ser respeitado o direito de pagamento em dia certo para prover suas necessidades que daria para isto ou aquilo, o que sobrasse, guardado. Diante dessa estupidez dos tiranos (corruptos de almas corruptíveis), a única solução é mesmo a revolução, mas esta feita pelo povo. A política não é o poder despótico, como o dos tiranos sobre os outros, mas deve ser um exercício de amor, de cuidar coletivamente da “coisa pública”.
Entretanto, começamos a ver que já há gente a problematizar a subserviência do povo aos “tiranos”, pois o jeito na circunstância é mesmo a revolução que não é culpa dos revolucionários, mas dos regimes e seus atos de violência que instigam manifestações de repúdio. A revolução deve ser feita em um processo coletivo que necessita da cooperação de todos (os povos) para dar cabo do medo, das armas, das repressões, das migrações, dos preconceitos, da fome e da miséria. Não basta eliminar aqueles que têm o poder político, mas, sim, abarcar a compreensão de que o problema está em como fazer uma nova sociedade e entender a complexidade imbricada nos problemas contemporâneos a fim de que se dissipem os antagonismos entre a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Fartei-me das vaidades dos tiranos.
Não digo nada mais a não ser “o Nada que é o Tudo” que a todos nos falta e uma crítica ao gosto ou juízo estético no habitus cotidiano de uma “gente” produzida artificiosamente e presa a uma época de reprodutibilidade técnica que obscurece o assentimento de que o destino dos homens é ser sempre mais que humano. Dito de outro modo, de destino humano dotado de simplicidade, humildade e de uma ética que encontre na ação cultural e na educativa o caminho mais ajustado a atividades politicamente aptas à transformação do homem em todas as suas possibilidades pessoais, intelectuais e racionais.

15 de agosto de 2015

A língua portuguesa e o século XXI

Convoquemos a todos para a montagem de um estratégia planetária para a língua portuguesa.

O século XXI começou desafiando a todos nós falantes da língua portuguesa. Está a nos exigir um protagonismo de grandes proporções. Hoje, há uma expressiva presença de nosso idioma em todos os continentes, presença que não para de crescer e tomar maiores dimensões planetárias.
Compomos um universo de falantes que supera o de línguas muito mais tradicionais no mundo da cultura e dos negócios. Somos mais falados do que o italiano e o alemão. O francês nos supera apenas quanto ao número de falantes não nativos. Juntos, estamos entre as cinco maiores economias do planeta.
A nossa língua está a nos exigir uma afirmação global, a nos cobrar uma responsabilidade para com ela. Impressiona-me que não tenhamos uma política comum a todos os países que falam o português. Quem há de negar que precisamos definir uma grande estratégia cultural de presença no mundo que abranja todo o nosso território linguístico?
Quem há de subestimar a importância da língua? É grande a sua dimensão social, política, econômica e geopolítica. Ela é muito mais que uma ferramenta de comunicação. Nela, não estão armazenados apenas conhecimentos e informações. A língua é a cultura que ela produz. É ela quem nos dá os sentidos. É o universo desenhado por ela que nos referencia e nos singulariza. A língua gera coesão, nos fortalece no mundo globalizado, “é a casa onde a gente mora”. Nela, se deposita know how, tecnologia. Língua também é economia.
Não subestimemos o assunto. Ele é sério. Estamos diante de uma questão de afirmação da qual não podemos nos furtar. Por meio de nossa cultura podemos afirmar uma visão de mundo, um modo de vida, projetos de civilização fundados em estratégias generosas e abrangentes. Estou convencido de que podemos ser portadores de uma mensagem planetária singular.
No mundo globalizado em que vivemos, nunca houve tantas trocas de ideias, de discurso, de palavras, entre todos os falantes de língua portuguesa - nunca houve tanto conhecimento e reconhecimento mútuo.
O português de Portugal, o português que emerge nos países africanos e a língua que é falada no Brasil formam um só idioma. Não tenho dúvidas que uma ortografia comum, como parte de uma maior interação cultural, nos dará a grandeza e dimensão que nossos artistas e escritores projetam.
É claro que precisamos de uma ortografia uniformizada. É insensato não crer na necessidade de um acordo ortográfico. Possíveis erros de condução não diminuem sua importância, e o que representa para o fortalecimento da língua no contexto global. A diversidade e a riqueza de um português que floresce em vários cantos do planeta, e que a enriquece, sem uma escrita comum podem vir a comprometer a sua unidade.
Precisamos dar novos passos para a consolidação de uma comunidade de língua portuguesa, compartilhar nosso universo cultural num grau e proporção ainda não experimentado. Precisamos fortalecer ações de colaboração e integração mútua rumo a uma maior projeção global.
Convoquemos a todos para a montagem de um estratégia planetária para a língua portuguesa. Convoquemos aqueles que com ela criam, tendo-a como matéria prima, aqueles que a mantém viva, que a recriam diariamente e que expressam seus falares.
Convoquemos os poetas, os escritores, os artistas, os jornalistas, os cronistas, os tradutores, os editores, os professores, os filólogos, os intelectuais, os sociolinguistas, os midialivristras, os críticos literários e, também, os normatizadores. Precisamos de todos, inclusive dos estados nacionais.
Pensemos a língua em suas várias dimensões. Consolidemos um universo cultural comum, não apenas em suas expressões literárias e poéticas, mas também na música, no teatro, no cinema, no pensamento; e em suas inserções na internet, no rádio, no jornalismo, na TV, etc. etc. Pensemos globalmente.
Não podemos, enfim, simplificar o assunto, reduzindo-o a uma questão puramente técnica. Não podemos desconectar a uniformização da ortografia de um contexto cultural mais amplo que diga respeito toda a comunidade lusófona.
Sociólogo, ministro de estado da cultura do Brasil

10 de agosto de 2015

Nova era ecológica

A era económica de controlo do capital, criação de escassez e domínio das patentes chega a seu fim. Tudo quanto se torne propriedade, mesmo a intelectual, remata criando controlo dum pequeno grupo sobre um determinado bem comum.
Vários autores, em diversas áreas, por todo o mundo, têm visionado o fim desta era capitalista (vencedor da guerra fria e, pelo tanto, fim já da tentativa socialista) e chegada duma nova era, que não sabem muito bem definir. Podemos intuir mas não definir.
O economista britânico Paul Maison fala de pós-capitalismo. Manu Saaida fez uma comparativa com o modelo económico da série Star Trek, num mundo sem salários, sem moeda… Onde o prestígio pelo aprendizado seja a base de incentivação humana. Muitos outros economistas falam abertamente da impossibilidade de avanço tecnológico (com a consequente destruição de emprego) sem a inserção duma renda social básica (argumentando, entre outras coisas, que em aqueles países como Índia ou Brasil onde esta renda foi incrementada o emprego de qualidade subiu, o gasto em sanidade e educação baixou; incrementando-se ainda o acesso à formação).
O modelo atual económico que tende a concentração da renda e a criação dum capitalismo neofeudal baseado na absorção do património coletivo por uma elite financeira (que por sua vez utiliza este acervo para criar renda, obrigando a sociedade a um continuo pagamento pelos serviços) não parece ser compatível com uma futura sociedade tecnotrónica. As novas tecnologias aceleram o acesso livre à informação e travar esse aceso significa travar o desenvolvimento das mesmas.
Maison analisa, num recente artigo publicado em The Guardian, a existente contradição latejante entre a quantidade de produtos de informação acessíveis de graça e o atual sistema de monopólio, bancos, lóbis e governos que tentam privatizar e manter os benefícios comerciais em mãos duma pequena elite. Esta contradição aumenta por um lado a necessidade, que artificialmente têm as elites de criar escassez para controlar a riqueza, e por outro a necessidade que tem o sistema de expansão tecnológica de criar abundância informativa: compartilhá-la e aproveitar com maior facilidade a rede de interrelações pessoais em uma escala mundial
Novas sociedades terão, pois, de ser criadas em torno à abundância, alicerçando o fator humano como central e tirando-lhe a centralidade à economia. Nós iríamos muito mais longe: o planeta e a variante ecológica como centralidade.
Por outro lado, muitos são os analistas que se tem debruçado sobre o espinhoso tema do pico do petróleo e a descoberta de novas tecnologias (mais adequadas para uma eficaz solução dos problemas da humanidade). Muitos condizem na abordagem destas novas tecnologias (incluídas as fotovoltaicas) terem um custo muito baixo e uma fabricação relativamente acessível (em determinados casos) às comunidades de base. O que num futuro pode mesmo derivar em alteração da capacidade das transnacionais para assegurar o seu controle. Aliás, tendo em conta que as novas tecnologias da informação precisam da comunidade em rede; a autogestão de recursos terá de abrir-se passo, pouco a pouco, como alternativa real (não fictícia) ao poder neofeudal das rendas.
Uma nova experiência humana surge, pouco a pouco, mais adaptada à sua vez a verdade natural da teia da vida: o homem abandona pouco a pouco o ser ególatra freudiano e luxurioso, que ansiava domínio e poder para realizar seus caprichos; em face dum novo ser humano que tem necessidade de viver ativamente sua experiência em grupo. Obrigando-se, por esta inércia, a uma educação dentro dum entorno mais participativo (mais recetivo as necessidades mais amplas da comunidade, onde está inserido).
A ecologia cobra aqui seu maior significado, por que as novas tecnologias põem de relevo a necessidade comum de compartilharem o planeta. O ser tem com elas mais capacidade de descoberta e compreensão da riquíssima teia da vida. Essa mesma teia da vida impõe também como paradigma o trabalho em rede.
Estas tecnologias com as que trabalham, por exemplo, o brasileiro Norbeto Keppe (na sua Nova Física da Metafísica Desinvertida , a Magnetónica ou desenvolvimento do Motor Keppe) caminham a esse encontro entre o novo ser humano (renascido das dinâmicas de guerra-confronto) e o conceito de abundância natural multiplicando-se (entendendo abundância natural renovável, como respeito e aprendizado das técnicas que permitem à natureza a criação da extensa teia da vida).
A auto-organização deve avançar pois na dicotomia de ultrapassar o velho paradigma esquerda–direita, próprio do período decadente de guerra-confronto (necessário na anterior experiência humana criada desde que o homo sapiens gravou, com lume. a visão interior de dominador como único meio para garantir a sobrevivência).
As novas tecnologias, avançando em todas as áreas do saber (a raiz da abertura da física quântica), prazerão a humanidade capacidades, ate o de agora, referenciadas como ficção. A robótica pode contribuir extraordinariamente para liberar as pessoas das suas responsabilidades laborais – centrando-as nas ruas responsabilidades de crescimento pessoal e coletivo.
Mas antes de chegar a essa esperança futura, devemos ainda trilhar muito caminho de medo, sofrimento, precariedade. A existência já de milhões de pessoas com condições laborais precarizadas é um exemplo das múltiplas provações que teremos que ultrapassar. Mas, como diz o ditado romeno: o caminho também está feito de pedras.
A mais urgente, pungente, das atividades a dia de hoje passa pelo pacifismo integral. Impedir a possível nova Grande Guerra é nossa primordial prioridade. A realidade do Meio Oriente (onde a faixa de fricção pela hegemonia entre Rússia China e o Império Ocidental se fez mais evidente) compagina dentro do seu seio múltiplos atores secundários com interesses encontrados (Turquia, Irão, Israel e Arábia Saudita); não permitindo uma solução integral que não dizime os anelos dalgum protagonista.
Sem um poderoso movimento pacifista mundial (agora mesmo em decomposição) não será possível travar as animosidades belicosas, que põem em risco toda a humanidade (dado a possibilidade real dum envolvimento atómico). Isto tem de ser neste momento a nossa prioridade máxima: começar a articular o movimento pacifista; e a Galiza não deve ser uma exceção.
Esse pacifismo tem de começar pela ausência de violência em todos os seus matizes. Para isso é precisa a pacificação do indivíduo, as suas guerras internas e contradições, por meio da introspeção e observação continua. Atingindo níveis de reprogramação através do exercício a ética ativa, a prática ecológica e compreensão do próximo. Um grande trabalho necessário para toda a humanidade, se quisermos passar desta etapa velha de Império da Guerra, em ruína.
Pacifismo integral ativo, também requer de ação em todos os campos reivindicativos e lutas sociais em procura duma sociedade mais justa (sem nenhum tipo de recurso à violência). Trabalhando em favor da autogestão e auto-organização. Trabalhando pela cooperação ética.
Devemos ser cientes que não poderemos criar a futura sociedade libertária (sem amos nem servos) se não formos capazes de evoluir na psique; de modo a tornar-nos, como dizia Gandhi, a mudança que queremos ver no mundo.
Essa evolução da psique deve ter paciência para aguardar pela maduração coletiva (entendendo que haverá ainda muitas pessoas que trilhem o caminho ególatra da ganância, violência, desrespeito…). Não devemos permitir que interrompam a nossa maduração, mas também não podemos olhá-las com arrogância ou desprezo, pois em esse caso nós estaremos em retrocesso.
Devemos entender que sempre há distintos níveis evolutivos (a natureza nos oferece exemplos vários disso)… E ao igual que nós ainda precisamos muito avançar, outros podem precisar ainda muita experiência extrema de sofrimento antes de chegar, dentro de seu coração, a enxergar a luz do amor fraterno.
A nova etapa será de Confraternização (como muitas vezes temos falado). Mas antes teremos de aprender a abandonar o caminho inútil da imposição pela força: guerra–destruição.
Por Artur Alonso Novelhe