111.º ano do nascimento de George Agostinho Baptista da Silva
16 de fevereiro de 2017
Evocando um Mestre, por Maurícia Teles da Silva
111.º ano do nascimento de George Agostinho Baptista da Silva
até à linha de caminho de ferro, e em prédio que decoravam, na cimalha, figuras da Fábrica das Devesas.[...]
Senhor do Bonfim desta freguesia.
(do lat. - sede da alma, da inteligência, da sensibilidade; espírito; bom senso).
situaria para lá da dimensão humana.
a capacidade de aprender.
enquanto mensageiros do Inexaurível.
verdadeiro oferecendo o que de melhor apreendeu da vida – a Sabedoria.
4 de janeiro de 2017
Saudar de Novo
por Maurícia Teles da Silva
Que o abrir do novo ano nos conceda a visão em frente, para lá do horizonte, e
os necessários momentos de reflexão sobre o antigo, em que passado e futuro
são este tempo que vamos construindo. Deste modo, mirando o agora enquanto
semente do devir, surgiram-me as quadras de Mestre Agostinho, compartilhemos:
O mais simples alicerce
traz logo a casa traçada
se eu quiser chegar a Deus
começarei por ser nada.
Aperfeiçoa-te ao máximo
em tempo que nada valha
pondo toda a tua pressa
no que de tempo é migalha.
(Agostinho da Silva, Quadras Inéditas, Ulmeiro, 1990)
Pensando a liberdade e para fraternizar, que não se perca o mote...
“Livre de ordenar verso
ao servidor Agostinho”[1]
Espírito em seu amplexo
para traçar o caminho.
Ousemos acreditar
que o vero é possível
ainda que não visível
é o mister de Criar.
[1] A. S., in Carta datada de 8/3/93, Ode breve a Mestre Sócrates
Assim, agradecemos: ao Professor João Ferreira que nos renovou a memória do
convívio com Agostinho da Silva em Brasília; à nossa associada, pintora
Anabela Vieira, pelo singelo retrato de profundo e longínquo olhar criando
aquele lugar que afinal poderá não ser utópico. Felicitamos
Alexandra Vieira responsável pela Livraria Arquivo, em Leiria,
e a autora Patrícia Martins que não esqueceu as crianças
na oportunidade de lhes dar a conhecer:
“Deu-me o Nome LIBERDADE o avô Agostinho da Silva”, com adoráveis ilustrações.
Assim, prosseguimos solidários com todos aqueles que acreditam
na possibilidade de uma Vida mais fraterna
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Maurícia Telles,
Quadras agostinianas
25 de dezembro de 2016
Agostinho da Silva e a Galiza
A visão agostiniana da Galiza emerge no âmbito da sua reflexão
sobre Portugal, sobre o seu sentido histórico. Desenvolveu
Agostinho da Silva essa reflexão em diversas obras, desde
logo, na sua Reflexão à Margem da Literatura Portuguesa,
obra publicada no Brasil, em 1957. Nessa obra, logo no
primeiro capítulo, Portugal e Galiza aparecem a par,
“como dois noivos que a vida separou”. Separação que
Agostinho lamenta, por Portugal sobretudo, dado que,
como nos diz, se ela não tivesse ocorrido, “talvez o ouro da
Índia e Brasil tivesse dado maior proveito e se não tivesse, em plena época de afluxo de riquezas,
de fazer aportar ao Tejo frotas de cereal e pão”.
Separado da Galiza, Portugal perdeu pois, à luz desta visão, as suas raízes mais profundas,
o seu Norte. Eis, dir-se-ia, o “pecado original” da formação de Portugal e das futuras
Descobertas. Nesta visão da História, não é, contudo, essa separação, essa cisão, um
horizonte inultrapassável. Eis o que o próprio Agostinho da Silva, de resto, nos havia já
antecipado no seguimento da passagem da sua Reflexão à
Margem da Literatura Portuguesa que há pouco transcrevemos, essa
em que lamentava a nossa separação, a nossa cisão, com a Galiza – como aí escreveu:
“Mas tempo vem atrás de tempo; se há ‘talvez’ para o passado da História, há ‘talvez’
igualmente para o futuro da História; pode ser que um dia a reintegração da Península
em si mesma, na sua liberdade essencial, se faça através da reunião de Portugal e da Galiza.
Dos dois noivos que a vida separou.”.
Talvez que, contudo, sob uma perspectiva outra, essa separação, essa cisão, tenha sido
historicamente necessária. Eis o que, pelo menos, o que o autor de
Reflexão à Margem da Literatura Portuguesa sugere numa outra sua obra
– Um Fernando Pessoa, publicada dois anos depois, em 1959 –, quando aí
desenvolve uma visão triádica de Portugal, à luz da qual “o primeiro Portugal foi
– nas suas palavras – o Portugal da velha unidade galaico-portuguesa, o Portugal
lírico e guerreiro das antigas de amigo e das velhas trovas do cancioneiro popular;
nele estiveram – como acrescenta ainda – as raízes mais profundas da nacionalidade
e nele sempre residiram as inabaláveis bases daquele religioso amor da liberdade
que caracteriza Portugal como grei política”.
Para que Portugal pudesse barcar, talvez que, contudo, tivesse que se cindir da sua arca...
Eis, com efeito, o que, no seguimento desta passagem, Agostinho da Silva implícita
senão mesmo expressamente defende ao afirmar que esse “Portugal da velha
unidade galaico-portuguesa” era “demasiado rígido para as aventuras da miscigenação,
da tessitura económica e do nomadismo que não reconheceria limites”. A ser assim,
essa cisão foi, pois, genesíaca – dado que dela resultou toda a demanda das
Descobertas! Poderia, como expressamente salvaguarda o próprio Agostinho da Silva,
no segundo capítulo da sua Reflexão à Margem da Literatura Portuguesa,
não ter sido assim – nas suas palavras: “O Português podia ter resistido ao
apelo do longe, Portugal podia ter-se recusado à acção.”. Contudo, como se
questiona ainda o próprio Agostinho da Silva: “…se Portugal não tivesse
embarcado, quem teria embarcado?”.
Renato Epifânio
9 de dezembro de 2016
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8 de dezembro de 2016
ADVENTO É O TEMPO DA CAMINHADA PARA A GRUTA DO CORAÇÃO
O Presépio é o Protótipo da Ipseidade (Eu) e de toda a Vida
Por António Justo
Advento quer dizer chegada, é o tempo de espera
e de esperança. Liturgicamente, o tempo de espera é
o tempo grávido que vai até ao dar à luz: o natal
acontece hoje e sempre na gruta do coração,
onde se dá a revelação d’Aquele que é, que era e
que vem (Ap 1, 4-8). Ele não foi nascer no templo
nem no parlamento, nasceu e nasce numa gruta da
terra ainda virgem e aberta a tudo e todos, onde se
pode encontrar pobre e rico, crente e céptico, toda a
pessoa de boa vontade, aberta e disposta a deixar-se
surpreender para dar oportunidade à criatividade.
A caminhada de Maria e José para Belém é o
símbolo da caminhada histórica e mística da vida de
cada um; é a caminhada para nós mesmos, a ida
ao encontro do nosso centro e ao mesmo tempo o
início e a meta de nós mesmos e do universo.
José e Maria sabiam para onde ir, tinham um objectivo:
Belém e dar à luz Jesus nas suas vidas e para o mundo.
O Advento é uma caminhada, um percurso com altos e
baixos, com ventos e acalmias. Séneca dizia:
“Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe
para onde ir”. Todos nós andamos na barca da
fragilidade e da insegurança mas, das velas da
nossa vontade, depende o aproveitamento do
vento para a levar ao trajecto do que fica e não passa.
Na gruta de Belém, longe do bulício da cidade, o
divino infante nasceu na companhia dos animais e
da família, onde razão e coração se encontram
unidos, onde não há oligarquia nem tirania.
Hoje o presépio de Belém simboliza também a gruta
do nosso coração. Se descermos os degraus da
caverna do nosso interior, chegaremos ao íntimo do
coração onde borbulha a água viva, tudo o que é divino
e ultrapassa o tempo; nessa gruta, no limiar do nosso
espírito, brota a vida e brilha a luz, o Deus menino. Vale
a pena tentar; a vida é uma tentação contínua, toda ela
tricotada de bem e mal numa espiral ascendente! O
que fica e mais nos caracteriza é o caminho feito e o
aroma do amor que o cobre.
Para se nascer e acordar para a vida não é suficiente
ficar-se pela superfície seguindo caminhos já feitos;
é preciso arrotear o próprio para vivermos e não sermos
vividos. Para isso é preciso entrar-se numa gruta, lá
onde se encontra o tesouro enterrado. Esse tesouro é
o nosso eu no nós, a nossa ipseidade que participa da
natureza divina, um mistério que envolve matéria e
espírito, que une a “realidade” ao sonho, o todo e o
particular numa relação de complementaridade. Aí
poderemos ressurgir na criança que ao ser acariciada
provoca em nós uma nova consciência e uma mudança
na vida. O presépio é o protótipo da vida e da Ipseidade
(eu integral), é a fonte do eu a brotar do nós.
Natal é a matriz (padrão) da vida individual, comunitária e
cósmica e Advento é o tempo histórico e místico da sua
realização. Jesus Cristo é o protótipo da realização
pessoal, comunitária e cósmica equacionada na fórmula trinitária.
António da Cunha Duarte Justo
Teólogo
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protótipo da ipseidade
11 de novembro de 2016
Assunto: O que falta no texto? (GENIAL)
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Caríssimos:
O povo soberano decidiu. Devemos respeitar a vontade democrática dos americanos.
Não teve nunca a minha simpatia, face às suas atitudes belicosas, racistas e provocatórias.
Mas confesso que também nunca simpatizei com o "cinzentismo" de Hillary Clinton.
Mas, principalmente, também espero que os políticos europeus em geral e os portugueses em
Donald Trump ganhou as eleições americanas, contra quase tudo e contra quase todos.
O povo soberano decidiu. Devemos respeitar a vontade democrática dos americanos.
Não teve nunca a minha simpatia, face às suas atitudes belicosas, racistas e provocatórias.
Mas confesso que também nunca simpatizei com o "cinzentismo" de Hillary Clinton.
Espero que as relações entre Portugal e os EUA continuem e a Paz no Mundo seja mantida.
Mas, principalmente, também espero que os políticos europeus em geral e os portugueses em
particular aprendam que manter os seus privilégios e nada fazer pelo povo pode "abrir as portas" a um
qualquer populista...
A ver vamos.
Cordialmente,
Jorge da Paz Rodrigues
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