26 de março de 2017
17 de março de 2017
Serás mais livre
na vida se vires
em seus efeitos defeitos
nas qualidades nos defeitos.
Não repita coisa alguma
do futuro é o renovo
se faz anos os desfaça
e a tudo nasça de novo.
Agostinho da Silva, Quadras Inéditas. Ulmeiro, 1990
na vida se vires
em seus efeitos defeitos
nas qualidades nos defeitos.
Não repita coisa alguma
do futuro é o renovo
se faz anos os desfaça
e a tudo nasça de novo.
Agostinho da Silva, Quadras Inéditas. Ulmeiro, 1990
15 de março de 2017
Porque a areia dos tempos tudo varre e as memórias desaparecem, que fiquem as palavras.
Embora não datadas, poder-se-á romanticamente assumir a eventualidade de terem sido
escritas no dia de hoje. De Agostinho da Silva,
ODE BREVE AO EINSTEIN
Só Causa das causas sabe
causa de causa sem causa
e por isso a matemática
em seu não ser se dá pausa.
Se não se conhece a máquina
nem se lhe mexe em rodinha
pois quem sabe se era dela
força que a máquina tinha.
Portanto digo com Gandhi
quem decide que decida
e nem vou tomar morfina
que a dor faz parte da vida.
Agostinho da Silva
Albert Einstein George Agostinho Baptista da Silva
(14 de Março, 1879 – 18 de Abril, 1955) (13 de Fevereiro, 1906 – 3 de Abril, 1994)
16 de fevereiro de 2017
Evocando um Mestre, por Maurícia Teles da Silva
111.º ano do nascimento de George Agostinho Baptista da Silva
E de súbito, em 06, Porto em lugar de Barca d’Alva, o Porto de Campanhã e Bonfim, exactamente
na Barão de Nova Cintra (Rua ou Travessa) notada pelo Parque que, do lado do rio, desce
até à linha de caminho de ferro, e em prédio que decoravam, na cimalha, figuras da Fábrica das Devesas.[...]
Agostinho da Silva, Caderno de Lembranças. Ed.Zéfiro e AAS, 2006, p.26
George Agostinho Baptista da Silva nasceu a 13 de Fevereiro de 1906,
na freguesia do Bonfim, Porto, tendo a família residência na Travessa Barão
de Nova Cintra. Foi baptizado a seis de Maio do mesmo ano, na Igreja do
Senhor do Bonfim desta freguesia.
Quando alguém suplanta a dimensão do invulgar, o senso comum ora tende
para a idolatria, ou, ao invés, tenta reduzir a um plano de vulgaridade,
como se o diferente carecesse de qualificação. O erro está sempre no
julgamento que se faz. Se se prescindisse da lente que deturpa, teríamos
a visão do Ser pleno, o que se torna assaz difícil, pois, enquanto humanos
vemos com os órgãos dos sentidos, mas sobretudo com os olhos da
Consciência de onde não se pode retirar o coração / Cor
(do lat. - sede da alma, da inteligência, da sensibilidade; espírito; bom senso).
Muitas vezes existe a propensão para considerar um Mestre como
alguém a quem não se permite errar, imagem da perfeição, que se
situaria para lá da dimensão humana.
“E não me chamem de mestre, sou apenas aprendiz”- dizia-nos
Agostinho da Silva, assim, só pode ensinar quem de facto preserva
a capacidade de aprender.
Aprender com os desacertos, os próprios e os dos outros,
transformando-os num novo patamar de conhecimento.
De níveis supra-humanos só os santos poderão responder,
enquanto mensageiros do Inexaurível.
O que conheci em Agostinho da Silva foi o pleno carácter
que atende ao seu próximo, respeitando a liberdade de cada um,
procurando ajudar pela palavra, ou dedicando-se na medida
em que a generosidade lhe ordenasse, franciscano o vi
verdadeiro oferecendo o que de melhor apreendeu da vida – a Sabedoria.
E porque entendemos que no humano co-existem o mundano
e o divino, a Vida/Obra constituiu-se para Agostinho, como
aprendizagem que permitiu superar a voragem do mundo.
Tal fez-se através da coragem que enfrentou provações,
que superou obstáculos, umas vezes agrilhoado nas
teias, de outras ultrapassando o banal, alcançando laivos de
génio, mas sempre persistindo confiante nas qualidades do
Homem que sempre via propenso à Bondade –
A “estrela de ímpar brilho” que afinal soube ser.
4 de janeiro de 2017
Saudar de Novo
por Maurícia Teles da Silva
Que o abrir do novo ano nos conceda a visão em frente, para lá do horizonte, e
os necessários momentos de reflexão sobre o antigo, em que passado e futuro
são este tempo que vamos construindo. Deste modo, mirando o agora enquanto
semente do devir, surgiram-me as quadras de Mestre Agostinho, compartilhemos:
O mais simples alicerce
traz logo a casa traçada
se eu quiser chegar a Deus
começarei por ser nada.
Aperfeiçoa-te ao máximo
em tempo que nada valha
pondo toda a tua pressa
no que de tempo é migalha.
(Agostinho da Silva, Quadras Inéditas, Ulmeiro, 1990)
Pensando a liberdade e para fraternizar, que não se perca o mote...
“Livre de ordenar verso
ao servidor Agostinho”[1]
Espírito em seu amplexo
para traçar o caminho.
Ousemos acreditar
que o vero é possível
ainda que não visível
é o mister de Criar.
[1] A. S., in Carta datada de 8/3/93, Ode breve a Mestre Sócrates
Assim, agradecemos: ao Professor João Ferreira que nos renovou a memória do
convívio com Agostinho da Silva em Brasília; à nossa associada, pintora
Anabela Vieira, pelo singelo retrato de profundo e longínquo olhar criando
aquele lugar que afinal poderá não ser utópico. Felicitamos
Alexandra Vieira responsável pela Livraria Arquivo, em Leiria,
e a autora Patrícia Martins que não esqueceu as crianças
na oportunidade de lhes dar a conhecer:
“Deu-me o Nome LIBERDADE o avô Agostinho da Silva”, com adoráveis ilustrações.
Assim, prosseguimos solidários com todos aqueles que acreditam
na possibilidade de uma Vida mais fraterna
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Quadras agostinianas
25 de dezembro de 2016
Agostinho da Silva e a Galiza
A visão agostiniana da Galiza emerge no âmbito da sua reflexão
sobre Portugal, sobre o seu sentido histórico. Desenvolveu
Agostinho da Silva essa reflexão em diversas obras, desde
logo, na sua Reflexão à Margem da Literatura Portuguesa,
obra publicada no Brasil, em 1957. Nessa obra, logo no
primeiro capítulo, Portugal e Galiza aparecem a par,
“como dois noivos que a vida separou”. Separação que
Agostinho lamenta, por Portugal sobretudo, dado que,
como nos diz, se ela não tivesse ocorrido, “talvez o ouro da
Índia e Brasil tivesse dado maior proveito e se não tivesse, em plena época de afluxo de riquezas,
de fazer aportar ao Tejo frotas de cereal e pão”.
Separado da Galiza, Portugal perdeu pois, à luz desta visão, as suas raízes mais profundas,
o seu Norte. Eis, dir-se-ia, o “pecado original” da formação de Portugal e das futuras
Descobertas. Nesta visão da História, não é, contudo, essa separação, essa cisão, um
horizonte inultrapassável. Eis o que o próprio Agostinho da Silva, de resto, nos havia já
antecipado no seguimento da passagem da sua Reflexão à
Margem da Literatura Portuguesa que há pouco transcrevemos, essa
em que lamentava a nossa separação, a nossa cisão, com a Galiza – como aí escreveu:
“Mas tempo vem atrás de tempo; se há ‘talvez’ para o passado da História, há ‘talvez’
igualmente para o futuro da História; pode ser que um dia a reintegração da Península
em si mesma, na sua liberdade essencial, se faça através da reunião de Portugal e da Galiza.
Dos dois noivos que a vida separou.”.
Talvez que, contudo, sob uma perspectiva outra, essa separação, essa cisão, tenha sido
historicamente necessária. Eis o que, pelo menos, o que o autor de
Reflexão à Margem da Literatura Portuguesa sugere numa outra sua obra
– Um Fernando Pessoa, publicada dois anos depois, em 1959 –, quando aí
desenvolve uma visão triádica de Portugal, à luz da qual “o primeiro Portugal foi
– nas suas palavras – o Portugal da velha unidade galaico-portuguesa, o Portugal
lírico e guerreiro das antigas de amigo e das velhas trovas do cancioneiro popular;
nele estiveram – como acrescenta ainda – as raízes mais profundas da nacionalidade
e nele sempre residiram as inabaláveis bases daquele religioso amor da liberdade
que caracteriza Portugal como grei política”.
Para que Portugal pudesse barcar, talvez que, contudo, tivesse que se cindir da sua arca...
Eis, com efeito, o que, no seguimento desta passagem, Agostinho da Silva implícita
senão mesmo expressamente defende ao afirmar que esse “Portugal da velha
unidade galaico-portuguesa” era “demasiado rígido para as aventuras da miscigenação,
da tessitura económica e do nomadismo que não reconheceria limites”. A ser assim,
essa cisão foi, pois, genesíaca – dado que dela resultou toda a demanda das
Descobertas! Poderia, como expressamente salvaguarda o próprio Agostinho da Silva,
no segundo capítulo da sua Reflexão à Margem da Literatura Portuguesa,
não ter sido assim – nas suas palavras: “O Português podia ter resistido ao
apelo do longe, Portugal podia ter-se recusado à acção.”. Contudo, como se
questiona ainda o próprio Agostinho da Silva: “…se Portugal não tivesse
embarcado, quem teria embarcado?”.
Renato Epifânio
9 de dezembro de 2016
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