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22 de junho de 2011

poétiCAS

Dende aquí vexo un camiño

que non sei adónde vai;

polo mismo que n'o sei,

quixera o poder andar.

Istreitiño sarpentea

antre prados e nabals,

i anda ó feito, aquí escondido,

relumbrando máis alá.

Mais sempre, sempre tentándome

co seu lindo crarear,

que eu penso, non sei por qué,

nas vilas que correrá,

nos carballos que o sombrean,

nas fontes que o regarán.

Camiño, camiño branco,

non sei para dónde vas;

mais cada vez que te vexo,

quixera poderte andar.

Xa collas para Santiago,

xa collas para o Portal,

xa en San Andrés te deteñas,

xa chegues a San Cidrán,

xa, en fin, te perdas... ¿quén sabe

en dónde?, ¡qué máis me dá!

Que ojallá en ti me perdera

pra nunc amáis me atopar...

Mais ti vas indo, vas indo,

sempre para donde vas,

i eu quedo encravada en onde

arraigo ten o meu mal.

Nin fuxo, non, que anque fuxa

dun lugar a outro lugar,

de min mesma, naide, naide,

naide me libertará.


(de Follas Novas/As viuvas dos vivos e as viuvas dos mortos)

6 de abril de 2011

Quiosque da CAS


Edições da Galiza" e a "Academia Galega da Língua Portuguesa" (AGLP) publicam a nova versão dos "Cantares Galegos" de Rosalia de Castro segundo o último Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.


Esta versão foi realizada e dirigida polo membro da Academia e Prof. Dr. Higino Martins Esteves, constando de 248 páginas entre preliminares, texto e notas finais.

Se alguma vez um livro foi capaz de mudar a trajetória da escrita, da língua e por tanto da imagem que uma nação tem de ela própria e oferece ao mundo é este. Foi alvorada que abalou em saudades o duro coração dos galegos e rompeu para sempre a tradição de seqüestro noutra língua. Exemplo de tão alegre e melâncolico ritmo demonstrou possível uma literatura galega, radical e moderna, na língua que empregava a gente para cantar e viver, na única em que podiam ser exprimidas todas as subtilezas do ser, toda a complexa, longa e assanhadamente apagada História nacional. Os Cantares Galegos, nas asas românticas dos lieder, na polêmica céltica dos Barzaz Breiz, em diálogo com as Espanhas de Antonio Trueba, são testemunho e reivindicação da essência poética e musical galega, síntese intensa de leituras, melodias, ares, ditos, ambiente e conversas sobre folclore e nação.

Escritos quando agoniza a I Restauração bourbónica espanhola (1863), num momento em que a Galiza liberal luta pola modernidade, celebrados como bandeira antes da chegada da II Restauração canovista nas Espanhas, são, coincidindo com os sonhos vitais da autora, desafio e desabafo, presente e jogo poético de amor; símbolo e mensagem de uma entusiasta moça dotada de raro talento artístico e tremenda potência intelectual.

Se há um programa é este: o da reivindicação dessa língua familiar e cultura herdada em farrapos, aprendida sem mais escola que a das aldeias e sem gramática de nenhuma classe, que aspira por próprio esforço e constância, em construção permanente desde aquela, a levar o nome de Galiza ao lugar onde lhe corresponde entre as nações da Terra.


Cuidai, que começa...

Para saber mais acesse: http://imperdivel.net/