30 de maio de 2011

Carta Vária XI

Há, talvez, duas espécies de revolução: Uma é a de mudar o mundo, como tanto tem sido tentado, sempre com resultados muito aquém das levantadas esperanças; a outra a de mudar cada pessoa, já que as perspectivas da transformação oposta ou parecem muito exageradas, muito desmentidas pelos resultados cotidianos, ou envolvem tais dificuldades e tais riscos, mesmo vitoriosas, e sobretudo quando vitoriosas, que parece melhor tentar a alternativa. É isto o que diríamos da revolução pessoal que tem, no ocidente, os exemplos de São Paulo ou São Francisco, no Oriente, e por exemplo também, o caso de Buda e de, quase em nosso tempo, Ramakrishna que experimentou as três vias do Hinduísmo, do Cristianismo e do Islão, nelas três atingindo suas metas. Quem sabe, se não haveria ainda de trilhar novo caminho: o de, tomando toda a simplicidade, todo o despojamento, toda a disciplina toda a dedicação do que foi citado - e bem sabendo das nossas inferioridades e limitações -, ninguém se retirar do mundo, como muito deles fizeram, ninguém se recolher a convento algum, mas no século permanecer, com bom humor, paciência e entusiasmo, fé no triunfo e absoluta confiança nas qualidades do homem, quaisquer que sejam as aparências. Combater sem agressividade, esperar sem se tornar passivo, acreditar haver saída para tudo, conservar-se na marcha geral, embora escolhendo seu próprio caminho e jamais esquecendo o seu rumo, abertos sempre a todas as ideias e acolhedores de todos os estímulos. Sem internas quebras, navegar ao que parece impossível sem desânimo, adiantar a tarefa sem temer o paradoxo, dar toda a eternidade a corrida do tempo, sem pressa, nunca cessando a marcha. E ver em todos os companheiros não um grupo que se guia, o que logo faz surgir hierarquias, mas o nosso amparo, o nosso incitamento: mestres, afinal, não discípulos.

1º de julho de 1986

Agostinho da Silva

Texto para Reflexão

Isso, sim, é uma chancela à ignorância!


Assisti recentemente a dois programas de entrevistas da Globo News (Entre Aspas, com Mônica Waldvogel, e Espaço Aberto, com Alexandre Garcia) que se propuseram a discutir a tal polêmica do livro didático “Por uma vida melhor” da professora Heloisa Ramos.
O formato dos dois programas é bem parecido: escolhe-se um tema que está tendo grande repercussão na mídia e convidam-se dois “especialistas” para debatê-lo. O jornalista conduz o debate, fazendo algumas contextualizações e problematizações.
Mônica Waldvogel debateu o tema com dois escritores, Cristóvão Tezza e Marcelino Freire, e Alexandre Garcia convidou Maria do Pilar Lacerda – Secretária de Educação Básica do MEC, que tem formação em História, e o senador Cristovam Buarque, com tem formação em Economia.
Lamentavelmente, o tema Educação Linguística é um daqueles em que os especialistas da área, pessoas com graduação em Letras e formação em Linguística Teórica e Aplicada (Mestrado e Doutorado), não são levados em conta no debate. Dos quatro convidados, nenhum era linguista, de fato. O único que apresentou saber técnico e estrito para debater a questão foi Cristóvão Tezza, que lecionou, por algum tempo, a disciplina de Introdução à Linguística, na UFPR. O interessante é que ele não foi apresentado como professor de português, mas sim como escritor. Achei muito estranho que os dois programas (e tantos outros da mídia brasileira) não tenham considerado a necessidade de um ouvir um especialista em Educação Linguística, e nem a própria autora do livro. É no mínimo uma incompetência de quem elaborou a pauta.
Quando digo que é preciso ouvir o especialista em Linguística (Teórica ou Aplicada), não estou dizendo que pessoas não formadas em Letras e com Pós-Graduação em outras áreas não sejam capazes de debater a questão. Até seria interessante ver o posicionamento de pessoas ligadas a outras áreas e setores da sociedade falando sobre o tema. O problema é que, em geral, quando o assunto é língua, o discurso dos não especialistas provém de uma matriz não científica.
Existem basicamente duas matrizes de discurso sobre as questões linguísticas. A primeira delas, com maior penetração na escola, na mídia e na sociedade em geral, origina-se dos estudos clássicos greco-latinos. Vigora-se nessa matriz uma visão normatizada de língua; concebe-se os estudos linguísticos, ou melhor, os estudos gramaticais, como um agente regulador da língua. Nesse caso, o especialista, o gramático, tem o papel de julgar, legitimar e promover as formas linguísticas que deverão ser aceitas como cultas, elegantes, corretas.
A segunda matriz de discurso sobre língua é bastante recente. A publicação póstuma do livro Curso de Linguística Geral, de Ferdinand de Saussure, em 1916, é tomada como marco inaugural de um novo modelo e método de investigação linguística. Segundo essa matriz, o papel do especialista em estudos linguísticos, o linguista, é descrever os fenômenos regulares que ele encontra no comportamento linguístico dos falantes/escreventes da língua. Diferentemente do gramático, o linguista não julga e nem prescreve comportamento verbal aos falantes/escreventes. Ele apenas descreve o objeto, como deve fazer o cientista. Quem julga e regulamenta comportamentos não adota o método científico.
Toda essa divagação é para dizer que a mídia e escola brasileira ainda têm o seu discurso sobre língua fundado numa matriz não científica, a da gramática tradicional. É impressionante o fato de que pessoas com um razoável capital intelectual, quando opinam sobre questões linguísticas, abrem mão do discurso científico, de uma percepção mais aprofundada da realidade, para enveredar pelo discurso da tradição e do senso comum. Fiquei meio decepcionado com a fala do senador Cristovam Buarque. Ele tem certos posicionamentos bastante interessantes, especialmente no que diz respeito a políticas públicas para educação. Mas a fala dele sobre Educação Linguística é um mar de senso comum. Vê-se que o nobre senador não teve a menor preocupação em se preparar minimamente para o debate. Poderia ter lido o que os documentos oficiais como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, PCNEM, PCN +) e Orientações Curriculares Nacionais (OCN) dizem sobre o tema. Também poderia ter lido o que alguns especialistas vêm dizendo sobre o assunto desde a década de 1980. Eis algumas sugestões de leitura (aos jornalistas e ao senhor senador) para um próximo debate sobre o tema:

ANTUNES, I. Aulas de português: encontro & interação. 2. ed. São Paulo: Parábola, 2003.
BAGNO, M. Dramática da língua portuguesa. São Paulo: Loyola, 2000.
______. (Org.). Norma linguística. São Paulo: Loyola, 2001.
______. A língua de Eulália. 11. ed. São Paulo: Contexto, 2001.
BORTONI-RICARDO, S. M. Variação linguística na sala de aula. São Paulo: Parábola, 2003.
______. Nós cheguemu na escola. e agora? São Paulo: Parábola, 2005.
BUNZEN, C.; MENDONÇA, M. (Org.). Português no ensino médio e formação de professor. São Paulo: Parábola, 2006.
GERALDI, J. W. Linguagem e ensino: exercícios de militância e divulgação. Campinas: ALB/Mercado de Letras, 1996.
______. Portos de passagem. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
______ (Org.). Texto na sala de aula. 3 ed. São Paulo: Ática, 2002.
ILARI, R. A linguística e o ensino da língua portuguesa. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
POSSENTI, S. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado de Letras/Associação de leitura do Brasil, 1996.
SHERRE, M. M. Doa-se filhotes de poodle: Variação linguística, mídia e preconceito. São Paulo: Parábola, 2005.
SOARES, M. B. Linguagem e escola: uma perspectiva social. São Paulo: Ática, 1985.

A fala dos dois jornalistas é ainda mais carregada de senso comum. Não é de hoje que linguistas como Marcos Bagno (UNB), Sirio Poissenti (UNICAMP), Marta Scherre (UFRJ, UNB, UFES), Carlos Alberto Faraco (UFPR), só para citar alguns, vem denunciando o tratamento enviesado que mídia jornalística tem dado às questões linguísticas. Fiquei triste, mas não decepcionado com as colocações de Mônica Waldvogel e Alexandre Garcia. Eu realmente não esperava que fosse diferente.
Para ilustração, seguem alguns trechos da fala dos dois jornalistas que, vistas sob luz da Linguística moderna, soam como uma coletânea de obscurantismo medieval.

Vejam essa fala de Alexandre Garcia:

“Nesse livro, disse assim, que desde que o artigo esteja no plural o substantivo ou o verbo podem estar no singular, não importa a concordância. Eu me pergunto o seguinte: a escola não é um lugar que ensina pensar e pensar não demanda uma organização lógica, e a concordância não estimula a lógica no cérebro de um aluno? Eu tenho que pôr o verbo no plural, na terceira pessoa do plural, porque o objeto está no plural, porque o sujeito está no plural; o artigo tem que ir para o plural, tem que ser feminino se o sujeito é feminino. Isso demanda já trabalhar uma lógica. Se permite qualquer coisa, nós pega o peixe, e aí...”

Vejam se eu entendi as implicações teóricas da interrogação “A concordância não estimula a lógica no cérebro de um aluno?”. Isso quer dizer que o falante de uma língua com morfologia flexional abundante como o latim leva vantagem, em temos de ‘lógica cerebral’, sobre um falante do português, que por sua vez leva vantagem sobre um falante do inglês? É esse mesmo o arcabouço teórico que está por trás da fala do jornalista?

Na afirmação “Eu tenho que pôr o verbo no plural, na terceira pessoa do plural, porque o objeto está no plural”, de que língua ele está falando? Certamente não é do português.

Apresento a seguir algumas declarações e perguntas de Mônica Waldvogel:

“Ninguém fala o tempo todo segundo a regra culta. Mas caberia à escola aceitar outras variantes da língua indiferentes à regra gramatical? O jeito de falar do brasileiro, a forma como driblamos a norma, comemos os ‘s’ e desprezamos a conjugação dos verbos mostra uma língua viva ou uma gramática agonizante? Se a língua escrita, para ser compreendida, não aceita a falta de regras, é possível escrever direito sem falar em bom português? O poeta Fernando Pessoa, patriota da nossa língua, jamais condenou quem se expressava mal ou de forma incorreta, mas declarava seu ódio à página mal escrita, à ortografia errada, e explicava por quê: ‘Que não vê bem uma palavra, não vê bem a alma’ (Fernando Pessoa)”.
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_ Mas é uma gramática certa ou uma gramática errada? A gramática errada deve ser permitida na escola, ser aceita pela escola, ou não?

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Quem fala errado consegue escrever certo?

A interpretação que Mônica Waldvogel dá para o trecho do livro de Heloisa Ramos que despertou a polêmica é “super interessante”. A entrevistadora apresenta o fragmento do livro:

Mas eu posso falar ‘os livro’?
Claro que pode. Mas fique atento, porque dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião.

Na sequência, Waldvogel faz a seguinte paráfrase:

Trocando em miúdos, ela quer dizer você pode falar errado no seu ambiente a vontade porque afinal de contas você faz a escolha da língua que você quer falar, da maneira que você quer falar, mas convém aprender a norma culta ou alguém vai te dizer, você não serve pra esse emprego.

Qualquer aluno de graduação, que tenha feito a disciplina Introdução à Linguística, é capaz de rebater com razoável propriedade científica essas colocações.

Para finalizar, retomo uma expressão que o jornalista Alexandre Garcia usou, em uma das edições do Bom Dia Brasil, para rotular parte do conteúdo do livro da professora Heloisa Ramos. Garcia disse que isso é uma chancela à ignorância. A expressão foi, lamentavelmente, copiada e endossada por Lya Luft em seu artigo de Veja dessa semana (22 de maio de 2011). Vou dizer o que eu creio ser uma chancela à ignorância: repetir ladainhas do senso comum e se recusar a estudar o que a ciência linguística diz sobre o tema. Isso, sim, é uma chancela à ignorância, senhor Alexandre Garcia e senhoras Lya Luft e Mônica Waldvogel.

Sóstenes Lima
Professor de Linguística e Língua Portuguesa – UEG/UniEVANGÉLICA
Doutorando em Linguística - UNB
Links para assistir aos dois programas:

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1512056-7823-ESCRITORES+FALAM+SOBRE+O+ENSINO+DA+LINGUA+PORTUGUESA+NO+BRASIL,00.html
http://g1.globo.com/videos/globo-news/jornal-globo-news/v/v/1512976/

Agostinho da Silva em Vida Conversável



"[...] São Francisco de Assis tinha uma qualidade que hoje voltamos a ver em vários grupos de pensadores. Quer dizer, ao passo que muita gente acha que o que há a fazer no mundo são as grandes obras, tomar medidas universais, lançar as ideologias que possam envolver todo o mundo, outros pensadores declaram que small is beautiful, que a beleza e a eficiência final residem nas pequenas coisas, que se possam ir fazendo no mundo. Então São Francisco de Assis aparece-nos dizendo à maneira dele que small is beautiful. Embora o small dele seja toda a vida e até mais do que a vida, porque por exemplo ele abençoa a morte e todas as coisas do mundo, a irmã água e o irmão luar e os bichos irmãos, etc., etc., etc."










trecho recolhido de SILVA, Agostinho. Vida conversável. Brasília: Núcleo de Estudos Portugueses; CEAM/UnB, 1994, p. 70

24 de maio de 2011

poétiCAS

“Agorapocalipse”

Agora fui
Agora estou
Agora fiquei

Agora ali
Agora aqui
Agora nunca

Agora era
Agora é
Agora sempre

Agora fala-se
Agora cala-se
Agora grita-se

Agora persiste-se
Agora insiste-se
Agora quiçá

Agora marca-se
Agora apaga-se
Agora manifesta-se

Agora há
Agora talvez
Agora acaba

Agora nasce-se
Agora vive-se
Agora definha-se

Agora parte-se
Agora chega-se
Agora jamais

Agora voa-se
Agora pousa-se
Agora pensa-se

Agora limitado
Agora enfim
Agora eternizado...

Escrito em Luanda, Angola, por Manuel Duarte d’Sousa, a 20 de Maio de 2011, em alusão ao “Eterno Agora”...em que vivemos, desde que vimos a luz do dia até ao dia em que voltamos a recolher e à consciência cósmica da central alma eterna...

23 de maio de 2011

Quiosque da CAS

(os textos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores)

Crise na Igreja (!)

LANCES E RELANCES, 4




«CRISE NA IGREJA» (!)

Eduardo Aroso
«Nós os vencidos do catolicismo

Nós os vencidos do catolicismo
que não sabemos já donde a luz mana
haurimos o perdido misticismo
nos acordes dos carmina burana

Nós que perdemos na luta da fé
não é que no mais fundo não creiamos
mas não lutamos já firmes e a pé
nem nada impomos do que duvidamos

Já nenhum garizim nos chega agora
depois de ouvir como a samaritana
que em espírito e verdade é que se adora
Deixem-me ouvir os carmina burana

Nesta vida é que nós acreditamos
e no homem que dizem que criaste
se temos o que temos o jogamos
«Meu deus meu deus porque me abandonaste?»

(Ruy Belo «A solidão dos filhos de Deus» )


«Crise na Igreja». Três palavras enormes. Li-as numa das paredes exteriores de um templo, como anúncio de encontro/colóquio. Algo surgiu em mim instantaneamente, embora esta palavra seja pouco propícia ao pensamento filosófico ou reflexivo. Todavia, o instantâneo pode não ser intuição, faculdade esta a que Bergson deu bastante luz e revestiu de uma mais alta compreensão, sobretudo no mundo académico.

O meu coração, intuitivamente, só não se amargurou por saber que Deus não tem crise e, assim, a frase só pode espelhar a crise da Igreja enquanto instituição, coisa aliás de importância secundária. A crise na Igreja pode ser sintoma de um modo de ser que oscila entre a conveniência da moda e o que, ao invés de ser afastado, urge doutrinalmente aproximar do público, pelo menos daquele que mostre inclinação para tal. Se assim não for, quanto a este último ponto, teremos muita ênfase na instituição e pouca no «corpo espiritual» de que falava S. Paulo, muito embora ele lá esteja, perene, irradiante e irradiando.

Este quadro, o da crise da Igreja como instituição (ou de qualquer escola de pensamento onde há, de facto, espírito) deve por certo ser considerado como, de tempos a tempos, cuidamos da nossa casa e porventura a arrumamos de modo diferente. Mas numa crise (!) da Igreja enquanto «ecclesia » ou «corpo místico», que está nos antípodas do efémero, só podemos admitir o absurdo de que o Criador está afectado também pela dita crise! Deus está entre e para além do primeiro e do último suspiro. Agostinho da Silva disse haver pessoas que, por tanto atribuírem importância ao diabo, acabam por desvalorizar Deus, expressão que pode ilustrar, com o humor sério e profundo do saudoso professor, o tema deste pequeno artigo.

Os modos de pensar e agir automáticos tomaram conta da sociedade, até em sectores onde era suposto não dever acontecer, dado o carácter intrínseco de permanência em grau considerável que doutrina e filosofia possuem, realidade que não choca com a frase camoniana «o mundo é composto de mudança», se interpretada no devido ponto. A verdade é que as grandes provas são, antes de mais, lançadas aos guardiões do sentido sagrado da Palavra, e só depois aos que a escutam. O Mestre sabia do que falava quando lançou o repto a Pedro que, afirmando sempre que jamais negaria o seu Senhor, acabou por negá-lo, por mais que uma vez. Afinal, tudo são passos no caminho da realização.

Sabemos que a crise portuguesa, no seu mais profundo sentido, tem pouco a ver com os últimos anos de governos e desgovernos, mas que é o desfecho irreversível de um ciclo que se iniciou com o Marquês de Pombal e que agora agoniza em toda a diversidade das instituições, realidade histórica esta que Joaquim Domingues, com o rigor que lhe assiste, tem assinalado nos últimos tempos. Quem se considera na medula da crise fica apenas na instituição ou ao sabor do mercado, ou então, internamente, é impelido a uma reviravolta (se a sua consciência o mortificar), e aí temos o sentido grego de crise como crescimento. Ou então há que escutar de novo «Bem -aventurados os que têm fome e sede de justiça».

Crise na Igreja ou Crise da Igreja? Crise da filosofia ou crise na filosofia? Crise da poesia ou crise na poesia? Um pretenso pensador internamente desorganizado não invalida a irradiância de um corpo de ideias estruturado; versos brejeiros não anulam um sublime poema de amor. Como os limos que crescem e se agarram às paredes húmidas, ao longo da História também os milenarismos têm agarrado conceitos diversos. No que actualmente vivemos, espera-se que não seja nenhuma teria económica a salvar doutrinas religiosas, filosofias e artes.

Eduardo Aroso

22 de maio de 2011

CAS cultural

ESTE VÍDEO MERECE SER ASSISTIDO DE PÉ! - (Vozes: Mercedes Sosa e Beth Carvalho )

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21 de maio de 2011

Saudades do Futuro

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O vídeo fala sobre o Sebastianismo, movimento que surgiu em Portugal, no século XVI, como conseqüência do desaparecimento do rei Dom Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, na África, em 1578. O mito do Sebastianismo se manifesta também no Brasil, de maneira análoga, na tradição do bumba-meu-boi.
A linha condutora é o depoimento de Fernando Bastos, doutor em Filosofia, escritor e professor da Universidade de Brasília desde 1966.

Momento CAS Reflexão: VIDEO PREMIADO NA ALEMANHA

Uma história real.
Este curta metragem foi eleito como melhor no festival alemão por votação do público.
Dê um clique abaixo e... AGRADEÇA SEMPRE!!!

http://www.cultureunplugged.com/play/1081/Chicken-a-la-Carte

Watch Documentaries online Promote Documentary Film : Chicken a la Carte by Ferdinand Dimadura

Biblioteca da CAS

Queridos Amigos,

Fussando a Internet em busca de informações sobre a experiência africana na Bahia para a minha palestra no dia da África na UFBA, acabei encontrando esta informação importante sobre a contribuição do Prof. Agostinho da Silva na criação de um dos importantes centros de estudos sobre a africanidade no Brasil - CEAO. Julgo de suma importância para o acervos da Casa Agostinho Silva no Brasil.

Um afetuoso abraço
Mamadu Lamarana Bari


Acesse o link para download:

http://www.megaupload.com/?d=VFWX6W6J

20 de maio de 2011

Memória da CAS



in memorian

Professor poeta
permanente dimensão
tudo nele em canto
Lonjura & Auroras

tensão reflexa
palavra flecha

Do Pessoa navegador
encanta versos
do reverso do tempo
Grão & Terraço

revolvendo templos mistérios
silêncios dionisíacos

Como viver sem a utopia da paixão?




(texto de Lúcia Helena Sá)


20 de maio de 2011

Homenagem ao Prof. Dr. Fernando Bastos

Casa Agostinho da Silva/Casa Lusófona (CAS) e Cátedra Agostinho da Silva (TEL/UnB)

19 de maio de 2011

17 de maio de 2011

Mensagem agostiniana

(…) O público adora os filósofos que pode compreender, que lhe vão na esteira, desencontrados como ele; o som das palavras move mais os homens do que o seu conteúdo (...).
“São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.

Agostinho da Silva, trecho recolhido de Sete Cartas a um Jovem Filósofo – Seguidas de Outros Documentos para o Estudo de José Kertchy Navarro, I, IV, Edição da Ulmeiro, 1990.

Momento CAS reflexão

Se prestar mais atenção, vai descobrir que o tronco de árvore em decomposição e as folhas apodrecendo não só dão origem a nova vida, como estão cheios de vida.
Há microorganismos em ação. As moléculas estão se reorganizando.

Portanto não há morte em parte alguma da floresta. Há apenas a transformação da
vida. O que pode aprender com isso?
Aprende que a morte não é contrário da vida. A vida não tem oposto. O oposto da morte é o nascimento. A vida é eterna.

A cultura ocidental ainda nega amplamente a morte. Quando se nega a morte, a vida perde a profundidade. A possibilidade de saber quem somos para além do nome e da forma física
a nossa dimensão transcendental desaparece, pois a morte é a abertura para essa dimensão.
Sempre que uma experiência termina, a forma que essa experiência tinha na sua consciência desaparece. Muitas vezes isso faz com que você sinta um vazio do qual a maioria das pessoas tenta fugir.

Se você aprender a aceitar e até acolher os pequenos e grandes fins que acontecem em sua vida, pode descobrir que o sentimento de vazio que a princípio causou tanto desconforto se transforma num espaço interno profundamente cheio de PAZ.

Perder algo concreto que você inconscientemente identificou como seu pode ser uma experiência muito dolorosa. É como se ficasse um buraco na sua existência.
Quando isso ocorrer, não negue nem ignore a dor e a tristeza que sente.
Aceite-as. Cuidado, porque a mente tem a tendência de construir uma história em torno da perda em que você desempenha o papel de vítima. Preste atenção ao que está por trás dessas emoções, assim como da história que sua mente criou: aquela sensação de buraco, aquele espaço vazio. Você é capaz de encarar o vazio de frente, talvez descubra que ele deixa de ser assustador. E pode se surpreender ao descobrir que há PAZ emanando de LÁ.

A maioria das pessoas sente que sua identidade, sua noção do eu , é algo extremamente precioso e não querem perder. Por isso têm tanto medo da morte.

Parece assustador e inimaginável que o eu possa deixar de existir. O eu que você concebe é apenas uma forma temporária na consciência. Sua essência, seu EU SOU eterno é a única coisa que você não perde nunca.

Aos 20 anos de idade, você sente seu corpo forte e vigoroso; 60 anos depois, sente o corpo mais fraco e envelhecido. Sua forma de pensar certamente não é a mesmo de quando tinha 20 anos. No entanto, a percepção de que seu corpo está jovem ou velho ou de que sua forma de pensar mudou é a mesma. Essa percepção é o que há de eterno em você é a própria consciência. É a vida ÚNICA que assume muitas formas. Você pode perder essa Vida? Não, porque você é Ela.

Às vezes, pessoas muito doentes ou muito idosas ficam, por assim dizer, quase transparentes nas últimas semanas, meses ou até anos de suas vidas. Quando nos olham, é possível ver uma luz brilhando através de seus olhos. Não há mais sofrimento psicológico. Elas se entregaram, e assim o eu autocentrado se dissolveu. Morreram antes de morrer e encontraram uma profunda paz interior pela compreensão de que dentro delas existe algo imortal.

Nos poucos momentos que antecedem a morte física, e à medida que está morrendo, você tem uma experiência de si mesmo como uma consciência livre da forma. A morte então é sentida como ilusória tão ilusória quanto a forma física que você identificava como você.
Entregue-se profundamente a cada aspecto dessa experiência, entregue-se aos seus sentimentos, assim como à dor e ao desconforto que a pessoa à morte possa estar sentindo. Sua entrega e a calma que isso traz vão ajudar muito essa pessoa e facilitar sua transição. Se forem necessárias palavras, elas virão do silêncio que existe dentro de você. (Eckhart Tolle)
--
Texto enviado por Jayme Mathias Andrade

Mensagem da CAS

Bolsas de pós-graduação e especialização para estudantes africanos de língua portuguesa e de Timor Leste
12 de Maio de 2011, 10:34
Até 31 de Maio encontram-se abertas as candidaturas para a atribuição de bolsas de pós-graduação e especialização para estudantes africanos de língua portuguesa e de Timor-Leste, com o fim principal de estimular a investigação e a valorização dos recursos humanos.

Estas bolsas são atribuídas pela Fundação Calouste Gulbenkian, no quadro do Programa de Ajuda ao Desenvolvimento, em Portugal, a nacionais dos Estados Africanos de Língua Portuguesa e de Timor-Leste que nestes países exerçam a sua actividade e que pretendam prosseguir, actualizar e especializar os seus conhecimentos, nos vários ramos do saber.

As bolsas de pós-graduação e especialização para estudantes africanos de língua portuguesa e de Timor-Leste, contemplam bolsas para mestrado, doutoramento e de especialização.

As candidaturas devem ser apresentadas online.

Para mais informações: bolsas-pgad@gulbenkian.pt

SAPO TL com Fundação Calouste Gulbenkian

16 de maio de 2011

extra-CAS cultural

Para Saber África

A professora Carmem Batista é uma das pioneiras a divulgar a África no Distrito Federal. Na Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação já formou algumas centenas de professores que devem retornar às salas de aula sem preconceito para bem ensinar a História e a Cultura Africanas.








Fotos cedidas por Carmem Batista






poétiCAS

Exílio*
(Emanuel Medeiros Vieira)

Um Atlântico nesta separação:
batido coração segue as ondas de maio.
Desterros além da anistia,
para lá dos poderes.


Velas ao vento,
não bastam os selos,
a escrita crispada.


Queria os sinais da tua pele,
vacinas, umidades, penugens,
pêlos perdidos no mapa do corpo,
o olhar suplicante, soluços.


Jornadas:
missas de sétimo-dia,
retratos arcaicos.

Outro exílio:
sem batidas na boca da noite, armas, fardas, medos,
clandestinidades.


Sol neste retorno:
casa, guarda-chuva no porão, caneca de barro,
álbuns, abraço agregador,
cheiro de pão, gosto de café,
o amanhã junta os dois nós da memória,

um menino e o seu outro: estou melhor feito vinho velho.


*Poema premiado no Concurso Nacional de Poesias, cujo tema foi “O Mundo do Trabalho”, promovido pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, Paraná.

11 de maio de 2011

Pedagogias conversáveis

Agostinho da Silva apontou-nos para a anagogia: o saber para a liberdade. E, Paulo Freire, a sua maneira, também concebeu uma pedagogia conversável: “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.”

Agostinho e o seu Mistério por Roberto Pinho

Roberto Costa Pinho*

Agostinho e o seu Mistério
Veni Creator Spiritus

Ao contrário daqueles artistas e pensadores cuja vida nega a obra, com Agostinho da Silva dá-se o oposto: a obra só pode ser plenamente compreendida se estiver iluminada pela totalidade da existência. Sua vida confirma e transcende sua obra. A poesia, diria melhor, a utopia que orienta tanto sua ação quanto seu pensamento está solidamente ancorada numa Ética infalível, que pode ser encontrada até nos momentos mais prosaicos da sua vida. A ética, para o cavaleiro Agostinho, era a excalibur com que combatia na sua saga em busca do seu santo graal.
Por ser o símbolo a linguagem que transcende a dualidade verbal, não é possível falar de Agostinho, sendo a unidade que ele é, a não ser em termos simbólicos, a não ser que aceitemos que ao final de sua mensagem ele encanta-se, isto é, transforma-se num símbolo.
Para entendermos este símbolo em que Agostinho se transforma, precisamos daquelas cinco qualidades fundamentais de que fala o Pessoa, sem as quais será inútil interpretá-lo.
Um símbolo é formado por muitos outros símbolos. Agostinho é uma coleção de símbolos a serem interpretados isoladamente, pois cada um tem seu significado, e em conjunto, pois ao unirem-se formam um símbolo único, com significado distinto.
Pensador, filósofo, poeta, político, professor, guia, profeta. Quantos símbolos, quantas faces, quantas existências simultâneas se expressam para formar Agostinho da Silva. Alguma é a dominante? Não. Não é possível compreender a unidade que tal diversidade compõe deixando qualquer delas de lado.
"A verdade não pode estar em faltar ainda alguma coisa".
Por tudo isso, interessa-me em Agostinho o irredutível, o inclassificável, o misterioso.
Agostinho, porém, não tem mistérios!
Bem, este é o seu Mistério! Proponho-me, não a decifrá-lo - correria o risco de ser devorado, como assisti a tantos o serem ao tentar - mas a vivê-lo.
O Espírito Santo - Shekinah é o selo, a cifra, o signo, a chave. Uma chave, não para entender, mas para viver o Agostinho. Trata-se de viver e não de morrer o Agostinho.
Poderemos crucificá-lo no espaço-tempo dos bustos e das biografias ilustres de letras e imagens perecíveis. Ou com ele ascender, transcender, nas asas da sua obra e da sua vida existencial: imortal sempre que vivenciada por nós.
14.05.2005
Véspera de Pentecostes




*Brasileiro, baiano, trabalhou e conviveu com o Professor Agostinho da Silva ao longo de dez anos, na Bahia, em Brasília e em Portugal. Participou da instalação e em projetos do Centro de Estudos Afro-Orientais, do Centro Brasileiro de Estudos Portugueses, do Museu Atlântico Sul, da Casa Reitor Edgard Santos e outros, mas, sobretudo, durante todos esses anos, no Brasil e em Portugal, e até a morte do Professor Agostinho da Silva, manteve, com o mesmo, uma relação, ao estilo tradicional, mestre-discípulo, que determinou em grande parte sua formação e seus interesses existenciais.


Texto recolhido da obra IN MEMORIAM de AGOSTINHO DA SILVA (Portugal: Zéfiro, 2006, p. 403-404).


Foto: Lúcia Helena Sá (2006, no Centro de Cultura Popular de Sobradinho)

10 de maio de 2011

extra-CAS cultural

Extraordinário.
Exercício simples e fundamental para mantermos o Planeta limpo.
Vídeo enviado por Jayme Mathias Andrade.
Pedimos licença aos elaboradores do vídeo para exibi-lo neste espaço que, também, prima por um mundo melhor cuja futura-Idade depende dos pequenos atos que podem tornar-se grandes e exemplares.



Façamos isso em nosso dia-a-dia.



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9 de maio de 2011

Pensamentos conversáveis

"Como é que o espírito se encarnaria puro se a matriz lhe não fosse eternamente virgem." (Agostinho da Silva*)


"A natureza do homem é a essência. É isso o que o homem tem de real em si: a sua natureza, sua essência. E a verdade já está inserida, está implícita na palavra "natureza". A verdade jamais pode advir de algo que não seja natural. Tudo o que é verdadeiro é natural.
Você não pode conhecer sua natureza. Ela é o desconhecido, é o misterioso. Nenhum esforço que você faça, por maior que seja, poderá revelar sua natureza interior. Você pode ser o homem mais notável da face da Terra, pode ser o homem capaz de realizar os maiores feitos do mundo, e mesmo assim você não será capaz de conhecer sua essência.
O conhecimento de sua natureza só pode se dar de forma direta e imediata. Então a mente não participa desse processo; ela fica de fora; a mente tem de ser posta de lado. E quando a mente entra em cena, ela começa a filtrar as coisas; tudo o que você vê é filtrado, todas as palavras que você escuta são filtradas pela sua mente, a mente filtra tudo. A mente é um filtro; você não consegue utilizar sua mente sem fazer interpretações, rotulações, julgamentos... Então, você não consegue ver as coisas acontecendo, pois o que quer que venha a surgir para você, estará maculado com conteúdos e valores assimilados pela sua mente.
Neste exato momento, muitas coisas estão acontecendo para você. Elas estão despidas, estão nascendo pela primeira vez. O que quer que esteja acontecendo agora é algo novo, é algo inédito. Isto nunca nasceu antes, em toda a história deste mundo. Tudo o que nasce agora, nasce como quando você nasceu pela primeira vez: nu, despido, puro. E olhar para estes acontecimentos com a mente, é tirar toda a pureza dos acontecimentos; a mente torna velho para você tudo o que está acontecendo no momento presente; você segue interpretando o presente em termos de passado. É por isto que tantos mestres espirituais insistem: “ponha sua mente de lado”; é impossível olhar para os fatos com a mente sem interpretá-los. Você deve, portanto, tornar-se senhor da sua mente e usá-la apenas nos momentos necessários. E quando você consegue olhar para os fatos da vida sem deixar a mente interferir, tudo é belo, tudo é extraordinário, tudo é valioso e único. Até mesmo os fatos que você julgava serem triviais tornam-se importantes; você pode reconhecer o valor de tudo. O que, antes, eram grandes coisas e pequenas coisas pra você, passam a ter a mesma importância, porque você descobre/percebe que elas não podem ser comparadas. Você vê que fazer comparações não tem o menor sentido. Pequeno e grande eram interpretações que sua mente fazia. Tudo é novo, tudo é único... e tudo possui sua respectiva importância. Cada coisa na existência ocupa o seu devido lugar e nada é em vão.
E lembre-se: A verdade nunca se torna uma memória. Mesmo quando você a conhece, ela nunca se torna uma memória. A verdade é tão vasta, que ela não pode ser contida na memória. Quando você atua pela memória, então você não vê o que é real naquele momento; você segue interpretando aquilo que você já havia visto antes. Você segue interpretando o presente em termos de passado; você segue impondo algo que não existe... e você segue não vendo as coisas que existem naquele momento. A memória tem de ser colocada de lado. A memória é algo bom, use-a, mas a verdade jamais foi conhecida através da memória.
Assim, a verdade será sempre desconhecida. Mesmo que neste momento você a veja, você não será capaz de reconhecê-la quando você a vir no próximo instante. Quando você a conhece, ela é nova. E sempre que ela voltar a acontecer, você a conhecerá novamente, e ela será outra vez nova. Ela nunca é velha; ela é sempre nova, ela é sempre fresca. E esta é uma de suas qualidades: a de que ela nunca tornar-se-á velha. Você nunca poderá saber dela de ante-mão; só é possível percebê-la no momento presente. Para você a verdade sempre é conhecida no momento presente; e para sua mente ela é sempre desconhecida.
Esse deve ser o olhar do iluminado: saber olhar para tudo, como se estivessem acontecendo pela primeira vez. Tudo é sempre uma novidade; você se surpreende com a vida a cada segundo que passa, pois nada do que acabou de lhe acontecer havia acontecido antes para você. Você poderia assistir o mesmo filme duas vezes, e ao assisti-lo pela segunda você desfrutaria dele como se o estivesse vendo pela primeira vez. Você poderá rir das mesmas piadas, se surpreender com as mesmas cenas. O olhar do iluminado é saber ver, por vários ângulos, a mesma e única coisa. Você olha para uma flor hoje, a aprecia e desfruta de sua beleza. Amanhã você olha para a mesma flor, mas você percebe que está olhando para algo inteiramente novo. Você não tem a obrigação de enxergar as mesmas coisas na flor, sempre e sempre.
E para isto, você deve viver mergulhado no desconhecido. Você tem de saber estar familiarizado com o misterioso, com a única coisa que você jamais conseguirá desvendar. E já que é impossível decifrar sua natureza interior, a solução do problema está em aceitá-la como sendo incognoscível. Essa é a única solução. É quase como um problema matemático que não apresenta nenhuma solução possível; então você o resolve colocando aquele símbolo do “E” ao contrário. Ora, quando um problema não tem solução, então solucionado ele está! Mas você precisa aprender a chegar na conclusão de que não há nenhuma solução possível para o problema. Somente então ele pode ser resolvido.
Assim, mesmo depois de ter atingido a iluminação, você não será capaz de saber, nem de dizer, se chegou completamente ou se chegou em parte. Você nunca irá saber. Um sentimento acompanhará você sempre, um sentimento de que você nunca sabe de nada. É como se você estivesse nascendo para a vida -- e você estará! --, a cada instante: tudo é sempre novo, tudo brota diretamente do desconhecido. Sócrates proferiu esta frase: “Só sei que nada sei”. Eis aí o significado dela. A verdade não pode ser conhecida. A natureza do homem não pode ser conhecida.
E o homem está constantemente lutando contra a sua natureza; ele não a aceita. Ela não é algo contra o qual se deva lutar. Fazer isso é tolice; é inútil porque ela não pode ser conhecida. Tentar conhecer sua natureza é lutar contra ela. E é isso o que o homem vem fazendo. Ele está tentando compreender sua natureza com sua mente; ele está tentando saber dela. Ele quer tornar a verdade um objeto de seu conhecimento. E isso não é possível; você não pode desdobrar a única verdade existente em duas verdades, do contrário ela perde seu sentido. Depois de desdobrada em duas, apenas uma delas é que será a verdade e a outra não será. A verdade só pode ser uma. Não é possível que haja duas. Depois que sua mente divide a Realidade em duas partes, então qual delas será a verdadeira? Será o sujeito que analisa o objeto, ou o objeto analisado pelo sujeito? Se isto acontecer, você cai dentro de um dilema: "Onde está a verdade? Ela está aqui comigo, ou está lá com o objeto que eu estou observando?". É por isso que você não pode observar, não pode conhecer, não pode saber o que a verdade é. Porque, se você pudesse observar a verdade, então ela estaria lá e você estaria aqui. E o homem, como um sujeito observador, jamais poderia admitir-se como sendo algo não-verdadeiro. Se aquilo que está lá é a verdade, o que é você então? Você consegue conceber para si mesmo que você é uma mentira? A resposta é que não; ninguém o faz. Assim, dividir a Verdade em duas e querer que o sujeito e o objeto sejam ambos verdades, é querer demais. Isso vai contra a natureza da Verdade, pois ela só pode ser uma.
O processo de "conhecer algo" significa que o conhecimento não existia anteriormente e que, de repente, passou a existir. Quando você conhece algo, o objeto que se tornou conhecido por você não é eterno. Isso também indica que nem mesmo o seu conhecimento é eterno: eles surgiram, ambos, ao mesmo tempo. E é por isso que a verdade não pode ser conhecida, ela é eterna; você nunca deixou de sabê-la; você sempre soube dela. Como você pode, então, vir a conhecê-la? Não, você não pode.
É como quando você já conhece o que é o céu, e de repente você começa a dizer "eu quero conhecer o que é o céu". É uma grande idiotice. Você não pode conhecer o céu duas vezes; apenas uma única vez já basta. Depois de conhecido uma vez, você pode empreender todos os esforços no sentido de conhecê-lo novamente, mas eles serão em vão. O céu só pode ser conhecido uma vez, e isto já foi feito. Aquilo que já está consumado, está consumado... e não há mais nada que você possa fazer.
O mesmo se aplica quanto a você conhecer a sua Natureza, mas aqui há uma pequena peculiaridade: você sempre soube dela. A diferença da sua natureza para o céu, é que o céu pode ser conhecido uma única vez. Mas, sua natureza não pode ser conhecida sequer, pela primeira vez. E veja: tentar conhecer sua natureza pela primeira vez é como tentar conhecer o céu pela segunda. Você não poderá conhecê-la de novo, por mais que tente. Você já conhece o que é a Verdade.
Assim, todo esforço é inútil. Isto é muito importante e tem de ser compreendido: a Verdade não pode ser conhecida, ela tem de ser aceita. Isso precisa ficar muito bem claro na sua mente; essa compreensão precisa entrar e ficar impressa em você, de tal forma, que você desista de tentar conhecê-la... de forma que você aceite que a verdade é incompreensível. Somente depois disso é que você tornar-se-á apto para aceitar e perceber que você já a conhece.
Sim, você já conhece essa verdade. Mas você a conhece pelo seu não-conhecer. A sua aceitação de que a verdade não pode ser conhecida de forma alguma traz consigo uma compreensão muito sutil. A sua aceitação de que esse problema não tem solução traz a solução do problema. É esta aceitação que te mostra que você sempre soube de sua natureza – apenas não estava consciente dela --, mas agora você se lembrou. O segredo é você se familiarizar, estar imerso, mergulhado, e aprender a se manter consciente desse seu não-saber, que você sempre soube.
E, mais uma vez, aceitar é a solução...". (Jayme Mathias Andrade)

*Trecho de Agostinho da Silva recolhido de Reflexões, Aforismos e Paradoxos (Thesaurus Editora)

Mensagem para a CAS

Desde já, o Conselho Diretor da Casa Agostinho da Silva/Casa Lusófona envia agradecimentos especiais, conversáveis (como diria Agostinho), ao escritor Emanuel Medeiros Vieira que, gentilmente, mandou-nos uma mensagem que alumia nossas atividades.

Em 7 de maio de 2011 10:56, Emanuel Medeiros Vieira escreveu:

Prezada Lúcia Helena.
Fiquei muito comovido com a generosidade da amiga,postando a resenha sobre o meu livro...
Grande humanista (cultíssimo), ser humano inesquecível, Agostinho da Silva é um dos homens - na área cultural, do humanismo, e dos sonhos de liberdade - que mais admiro.
Numa época,ele foi também muito importante, por seu fenomenal trabalho, em Florianópolis, minha terra natal.
Sua obra ficou!
Será sempre uma referência iluminadora.

Não está mais onde nós estamos,mas estará sempre onde nós estivermos!

No movimento estudantil e, posteriormente, lutei intensamente (fui da AP) contra a ditadura militar; fui perseguido, preso, processado, torturado, e tive que sair do país.
Não, não falo em tom de queixa ou lamúria.
Sinceramente, sinto-me honrado por ter combatido o bom combate!
(Mesmo que nossas utopias não tenham se concretizado.)
Valeu a pena!
Não dobrei a espinha!
Com o sincero carinho e grande estima do Emanuel.

PARABÉNS! QUE BELO TRABALHO!
O site é excelente. Muito denso.
Conta comigo para envio de textos.

extra-CAS cultural

A explicação para a postagem desta ópera está inserida na sessão extra-CAS cultural do dia 5 de maio. Aqui, colocamos apenas o link para melhor acesso.
Aplaudamos. É extraordinário.

YouTube - Va' pensiero... Riccardo Muti speaking about Italian culture, Opera di Roma, 12.03.2011

7 de maio de 2011

extra-CAS cultural

YouTube - O homem que plantava arvores VO legenda em português (1/1

Quiosque da CAS


Emanuel Medeiros Vieira ao sul do efêmero! (Silvério da Costa*)

Há muitos anos, mantenho contacto com o poeta e prosador Emanuel Medeiros Vieira, um dos mais lúcidos autores vivos deste país. Tenho por ele, uma profunda admiração, não só pela sua Arte Literária, mas também, e principalmente pelo ser humano que ele é! Não o conheço pessoalmente, mas a correspondência me basta para o que estou afirmando.

Ele nasceu na Ilha de Desterro e é o caçula de um batalhão de irmãos (17). Foi preso e torturado, durante a ditadura militar por defender a liberdade e a justiça social. Enfim, era um sonhador, um idealista que propugnava por um destino, embora não acreditasse nele, mais condizente com a dignidade humana e mais feliz para todos os brasileiros. Pois é sobre ó último livro publicado por esse extraordinário escritor catarinense, um dos melhores do Brasil, que vou falar. Seu título é “Olhos Azuis – Ao Sul do Efêmero” (Thesaurus Editora/FAC, Brasília, 2009). Trata-se de livro vitaminado (293 páginas de puro enlevo!), pelas confluências do dia a dia, que retrata especificamente, as relações do ser humano, dentro de sua existencialidade, amalgamando o lado doloroso do real com o onírico, nem sempre prazeroso. A figura central do livro é Júlia, sua amiga (namorada?) que, em dado momento, cansou de viver e partiu. (...) Ele desaperta os nós da catarse, para falar da morte e fazer florescer a vida na esteirada tragédia. “Olhos Azuis” é um livro de aguçado e percuciente reflexão sobre a existência e o comportamento humano, que faz refletir sobre a solidão, a passagem do tempo, a quase loucura, as doenças físicas e psicológicas, o absurdo do cotidiano e os bastidores do desespero, tudo extraído dos seus labirintos mais ocultos e quase intocáveis. Mas, ao fim e ao cabo, o livro é, também, uma celebração da vida. “Olhos Azuis” transcende todos os gêneros para desvelar a condição humana. A linguagem é impregnada de um terror quase kafkiano, misturada ao estilo impetuoso, envolvente e inconfundível e arrebatador de Emanuel Medeiros Vieira. Parabéns!

____________
*Silvério da Costa é escritor português, radicado em Chapecó, Santa Catarina.

Olhos Azuis – Ao Sul do Efêmero (Thesaurus Editora/FAC, Brasília, 2009), foi contemplado com o Prêmio Internacional de Literatura, concedido pela União Brasileira de Escritores –UBE, em 2010, recebendo o “Prêmio Lúcio Cardoso”, para o melhor romance – na avaliação da entidade – publicado no Brasil em 2009.

5 de maio de 2011

extra-CAS cultural

Aconteceu no mês passado e foi um momento inesquecível. Riccardo Muti acabara de reger o célebre coro dos escravos, Va pensiero, do terceiro ato de Nabucco, e o público do Teatro da Ópera de Roma, aplaudia incessantemente e bradava bis! (Cabe lembrar que, para além de sua intrínseca beleza, que é inexcedível, o VA PENSIERO foi também uma espécie de hino informal dos patriotas do Risorgimento – e daí o enorme apelo emocional que preservou entre os italianos.) Que faz, então, Ricardo Mutti? Volta-se para a platéia e, depois de recordar o significado patriótico do Va pensiero, pede ao público presente que o cante agora, com a orquestra e o coro do teatro, como manifestação de protesto patriótico contra a ameaça de morte contida nos planejados cortes do orçamento da Cultura.
É este o link do vídeo que registrou este acontecimento memorável:
http://youtu.be/G_gmtO6JnRs


Va Pensiero
Va', pensiero, sull'ali dorate.
Va', ti posa sui clivi, sui coll,
ove olezzano tepide e molli
l'aure dolci del suolo natal!
Del Giordano le rive saluta,
di Sionne le torri atterrate.
O mia Patria, sì bella e perduta!
O membranza sì cara e fatal!
Arpa d'or dei fatidici vati,
perché muta dal salice pendi?
Le memorie del petto riaccendi,
ci favella del tempo che fu!
O simile di Solima ai fati,
traggi un suono di crudo lamento;
o t'ispiri il Signore un concento
che ne infonda al patire virtù
che ne infonda al patire virtù
al patire virtù!

Da ópera Nabucco de Verdi
Vá, pensamento, sobre as asas douradas
Vá, e pousa sobre as encostas e as colinas
Onde os ares são tépidos e macios
Com a doce fragrância do solo natal!
Saúda as margens do jordão
E as torres abatidas do sião.
Oh, minha pátria tão bela e perdida!
Oh lembrança tão cara e fatal!
Harpa dourada de desígnios fatídicos,
Porque você chora a ausência da terra querida?
Reacende a memória no nosso peito,
Fale-nos do tempo que passou!
Lembra-nos o destino de jerusalém.
Traga-nos um ar de lamentação triste,
Ou o que o senhor te inspire harmonias
Que nos infundam a força para suportar o sofrimento.

Texto que nos chegou: para reflexão

"Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas..
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.
A Cruz deve ser retirada !
Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas.
Não quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas (pobres) morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e pobres."


Frade Demetrius dos Santos Silva - São Paulo/SP

4 de maio de 2011

poétiCAS

PÁSSARO AZUL

(autor: Santiago Naud)



Pássaro azul
que me abismou no vórtice,
pássaro azul.

Pássaro azul
que me bicou nos olhos,

pássaro azul.

Pássaro azul
a me alongar a carne.

Venho embalde da minha infância alada
e debalde caminho à infância eterna.
Baralho o vôo e parto o passo e caio
na mágica de luz que me impulsiona.

Às vezes a razão me obscurece
e o desespero meu quebra pinheiros.
Há vezes que sou humano e revelado
e então meu canto silva em cor e vôo.

Então te escuto,
pássaro azul,
luar grifando o sangue,
coração balançando entre moscardos,
prognata mulher me dando um beijo.

3 de maio de 2011

Para Reflexão

ÉTICA DO PASSADO

O Assessor da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, ex-comunista, meu contemporâneo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nos anos 60, membro da cúpula da Federação de Estudantes do Rio Grande do Sul e, eu, secretário de Relações Sindicais, pensávamos, naqueles anos passados, um país justo e honesto.
Nós queríamos, ingenuamente, chegar ao poder pelas armas, na trilha da gloriosa revolução cubana, uma vez que pelas eleições parecia impossível. Garcia, porém, adaptando-se à camaleonice dos novos tempos do crescimento econômico, à sombra da bandeira da pobreza, chegou ao governo na companhia de velhas raposas que, antes, jurara de morte. A última vez que nos encontramos, casualmente, foi numa esquina de Paris, há mais de 12 anos. O tempo passou.
Nos nove anos de Casa Presidencial, Marco Aurélio Garcia tem dado entrevistas e expressado opiniões no limite da lucidez esquerdista que, por várias vezes, atingiu frontalmente o bom senso. O tempo passou. Passado é passado. Novos conceitos da história, fundamentados na fantasia do Brasil potência, embalados pela insensatez do crescimento econômico, tomaram todo o espaço do raciocínio da esquerda desvairada e esquizofrênica.
Ontem, 30 de abril de 2011, trinta anos depois do temerário incidente do Rio Centro, na reunião do conselho de ética petista se concretizou a reabilitação política de Delúbio Soares, amigo pessoal do ex-presidente Lula. Delúbio Soares é réu em processo que corre no Supremo Tribunal Federal. Marco Aurélio Garcia defendeu a acolhida de Delúbio pelo PT e sem constrangimento ou vergonha justificou os argumentos que recolheram o desafortunado companheiro da rua da amargura e da “execração pública”, segundo palavras de compaixão cristã da senadora Martha Suplicy. Para Marco Aurélio Garcia, o veredito da assembleia petista se ajusta à ética do futuro. “Não vejo – diz Garcia – que Delúbio seja uma pessoa corrupta. Não fez nada em benefício próprio. Houve gestão temerária que trouxe enormes prejuízos. Mas o tempo passou”.
As temerárias fogueiras da Inquisição, em nome de dogmas religiosos, trouxeram poucos benefícios próprios a Alexandre VI, Júlio II ou Leão X. Os temerários campos de concentração e os crematórios nazistas, em nome da pureza da raça, pouco ou nenhum benefício próprio trouxeram a Hitler. O temerário Gulag da ex-União Soviética, em nome da ideologia, poucos benefícios próprios trouxeram ao ex-seminarista Stalin. As temerárias torturas e os mortos nas masmorras do DOI/CODI, em nome do anticomunismo, poucos benefícios próprios trouxeram aos marechais e generais de nossos 25 anos de ditadura militar. O caso Delúbio não se relaciona aos mencionados pelo número de mortos, mas pela semelhança dos métodos de perversão mental, baseada na mentira e na negação dos fatos publicamente registrados, que achincalham gerações presentes e futuras. Mas o tempo passou.
Então, na sequência dos fatos inegáveis, há que se perguntar a Marco Aurélio Garcia e a todo o cabido da ética futura da política, por que manter presos os Batisti, os Cacciola, os Fernandinho Beira-Mar e os 450 mil presos em cárceres desumanos deste país. Em pouco tempo, estarão todos condenados ao passado.
O tempo passou. Os princípios passaram. A era do pensar passou com o tempo. A nova ética do tempo que ainda não passou produz ideólogos e vestais políticos escamoteadores, malabaristas, prestidigitadores, falsificadores da realidade, negociadores de estranhos valores capazes de extinguir o passado pela maquiagem do presente como nunca antes neste país. A que ponto de execração pública foi rebaixada a inteligência política de áulicos do governo, iludidos de exercerem o poder!
1.5.2011


COINCIDÊNCIAS DO PAC

Todo mundo sabe que a senhora Dilma, antes de ser eleita presidente, teve dois filhos, o PAC I e o PAC II. A testemunha ocular dos partos foi seu antecessor que declarou publicamente: ela é a mãe. Não há informações de que, sendo presidente, Dilma poderá gerar outros, aumentando a família até 2014.
Esta sigla, milhares de vezes repetida nos últimos anos, está por PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO. Não entrarei no mérito da execução do Programa, pois essa é uma tarefa do Tribunal de Contas da União, órgão capaz de irritar presidentes por não aprovar as contas superfaturadas dos gastos em pontes, viadutos, represas, trem bala, aeroportos e portos.
A CNBB, com seu olhar crítico, apesar de aliada do governo, em suas reuniões de cúpula, recheadas de lições e opiniões de especialistas em economia e política, trata ironicamente o PAC como Programa de Aceleração do Capitalismo.
Mas a mais contundente coincidência das siglas encontrei ao examinar mais de perto o imbróglio do escritor Cesare Battisti, refugiado no Brasil sob a pecha de criminoso, assassino, comunista e antigo membro do PAC italiano – PROLETÁRIOS ARMADOS PELO COMUNISMO – grupo de extrema esquerda atuante nos anos 70, também chamados anos de chumbo.
Cesare Battisti é simplesmente um escritor com 17 livros publicados, quase todos na França por editoras de renome como Gallimard e Flammarion. Entre outros, está traduzido para o português Minha fuga sem fim, (Martins editora), circulando nas livrarias do nosso país. Segundo informações extra-oficiais, o asilo político lhe foi dado pelo ex-presidente por ser escritor e não terrorista. Embora nos conselhos de segurança nacional se diga que um escritor é um terrorista em potencial e, por isso, seria perseguido na Itália.
O dilema que se põe ao STF é se o Brasil, com a união do PAC da Dilma com o PAC do Battisti e a ironia da CNBB, vai acelerar o crescimento, o capitalismo ou o comunismo.

Humanamente
Eugênio Giovenardi